Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Crise

Uma crise é um sinal de ruptura, sobrecarga ou desequilíbrio. Situação que ninguém deseja, mas que na realidade pode constituir uma chamada de atenção para quem a vive. Um alerta ou se quisermos uma luz amarela que se acende, anunciando a eminência de dificuldades maiores, se nada for alterado.

Entrar em crise é normalmente o resultado da deterioração progressiva de uma qualquer relação; a consequência de um projecto mal pensado, mal planeado ou o resultado de um processo continuado de dificuldades que nunca foram enfrentadas, resolvidas e que acabam por gerar alguma entropia.

Porque a crise é uma consequência e não um acidente ou uma desgraça que se abate sobre as pessoas, é possível prevenir, desde que se interpretem, atempadamente, os sinais de alerta que a precedem.

Se considerarmos uma relação conjugal, as crises que geram perda de qualidade na vida do casal, são quase sempre o resultado de tensões acumuladas, sentimentos não verbalizados, opiniões não ouvidas na hora de decidir, que depois servem de armas de arremesso quando essas decisões vêm a revelar-se erradas ou a vida quotidiana se torna mais difícil.

Em crise entram os casais quando se confrontam com dificuldades económicas, provocadas pelo mau planeamento de gastos, que cada um entende ser culpa do outro.

Em crise estão as famílias que assumiram encargos financeiros na compra de uma casa, comprometendo para o efeito o limite máximo dos rendimentos. Na altura os rendimentos eram suficientes, ainda não tinham filhos, o futuro parecia risonho e nenhum cenário menos bom foi tido em conta. Depois, uma doença grave, a despromoção no emprego, o aumento das taxas de juro, tornaram cada vez mais difícil o cumprimento do compromisso assumido. Perante esta situação limite, reconhece-se que afinal a casa é grande demais, corresponde a um estilo de vida que não se consegue manter e os custos da sua manutenção são incomportáveis com o montante de honorários que dispõem passados alguns anos.

Há em todas as crises factores contextuais, mas há também razões de ordem pessoal.

Quando se assumem encargos para os quais não se tem garantias; se constrói um percurso “tocando de ouvido”, sem uma busca genuína pelo saber ou uma valorização do esforço pessoal; ou se acumulam revoltas, mágoas e se cala sistematicamente as opiniões contrárias, contribui-se de forma directa para a construção de uma crise que sendo inicialmente pequena, uma vez não resolvida, transforma-se numa enorme ”bola de neve”, onde se acumulam novos e velhos problemas.

A crise? Nós também a fazemos.

Sem negar a conjuntura, como referem os analistas políticos, sobretudo, nestes tempos em que o aumento do preço do barril de petróleo tudo parece explicar, a acção dos actores que vivem um tempo de crise também ajuda. A falta de planeamento; a gestão emocional dos recursos, “hoje tenho, gasto, amanhã se não tiver, logo se verá!”; a acumulação de pequenas dificuldades não resolvidas; são algumas das razões que dificultam o modo como se lida com uma crise.

Em momentos de crise, o importante é pensar esse momento como uma oportunidade para se conhecer e aos outros e transformar o lado “crítico” em descoberta, aprendendo com essa experiência, por vezes difícil, as más escolhas e assim evitar que outras crises semelhantes aconteçam.

(publicado no A.Oriental de 28 de Julho de 2008)

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publicado por sentirailha às 00:41
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