Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

O primeiro dia de escola

Esta semana milhares de crianças e jovens têm de acordar mais cedo, depois de três meses de descanso prolongado, dias sem conta de brincadeira e, por ventura, tempos ilimitados a ver televisão e a jogar no computador.

O primeiro dia de escola é sempre um dia especial. O reencontro com os colegas do ano anterior ou o conhecimento de outros alarga o universo das relações das crianças e dos jovens. Os pais sempre importantes, fonte de afecto e de segurança, referência da família e da casa, são temporariamente afastados, para dar lugar ao grupo de pares e à relação com os professores.

Primeiro dia de aulas é dia de praxes, ritual que confere aos veteranos um pequeno poder, transitório e simbólico, de quem é uns anos mais velho e já conhece os cantos da escola. À semelhança de outros rituais de iniciação as praxes permitem aos caloiros vivenciar a fronteira entre etapas, entre idades. São sempre momentos de confronto com a capacidade de resistência, mas que podem ser ultrapassados quando se leva tudo na brincadeira. Sem ofender a dignidade ou faltar ao respeito pelo outro, o ritual de entrada numa nova escola deve ser apenas e só uma marca de transição. Há pais que numa atitude supostamente protectora, acompanham os filhos à escola na esperança de poder evitar que os filhos sejam “praxados”, entrando num mundo que não lhes pertence, contribuindo assim para que não cresçam, e não sintam essa transição como momento importante da sua própria historia de vida.

Não é fácil deixar um filhote voar livremente!

Para muitos pais, o primeiro dia da escola dos filhos é também um momento marcante e não raras vezes são eles quem fica com a lágrima no olho, quando o filho ou a filha entram pela primeira vez na creche ou no Jardim-de-infância.

O primeiro dia de escola é sem dúvida uma marca que define as relações entre pais e filhos e representa, em muitos casos, um acontecimento importante no processo de autonomia que define o crescimento. Os filhos não podem viver eternamente debaixo da asa dos pais e a escola é, sem dúvida, o mundo onde mais rapidamente as crianças e os jovens aprendem a definir o seu próprio espaço, por contraponto à família.

Aos pais cabe a tarefa de incentivar o gosto por aprender e o dever de valorizar o lugar da escola na formação pessoal da criança e do jovem, não apenas porque sem estudos mais tarde terão dificuldades em encontrar emprego, mas porque o saber é poder e o conhecimento é fundamental para o entendimento.

Não basta dizer que a escola é obrigatória, é fundamental educar no sentido de uma escola necessária. Porque é necessário saber e fundamental alimentar a curiosidade.

Longe vão os tempos em que o Estado dispensava crianças dos estudos, votando-as à condição de analfabetos e limitando os seus horizontes e a sua ambição de ser. Longe vai o tempo em que o Estado calava as perguntas e fomentava os espíritos remediados e as fracas ambições.

Actualmente, numa sociedade que se diz do conhecimento, ser livre significa poder questionar e saber é ser capaz de responder.

(publicado no Açoriano Oriental de 8 de Setembro 2008)

publicado por sentirailha às 16:30
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