Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Em campanha!

O povo é sábio e crítico. Sabe quem quer ver a governar na sua junta de freguesia, na câmara ou no governo. Aposta nas pessoas e avalia, dia após dia, o trabalho e o empenho que cada governante coloca na sua actuação.

Todos os pequenos ou grandes gestos contam. A atenção com que escutaram as suas preocupações, a rapidez com que um problema ficou resolvido ou a frontalidade com que recusaram um outro pedido. Em todas estas ocasiões, os políticos são avaliados, considerados ou não. E o povo sabe bem o que pode esperar de cada um deles.

Não vale a pena evitar o contacto, por medo das reclamações ou do desespero daqueles que ainda esperam. Mais vale uma explicação fundamentada, porque há sempre razões que todos entendem, do que disfarçar esquecimentos e manipular com palavras vazias de conteúdo.

Em tempo de campanha eleitoral é escusado deitar abaixo o que é obra consolidada, porque as pessoas sabem reconhecer o trabalho feito. De nada serve procurar fragilidades pessoais para derrubar um adversário. É pela positiva que os candidatos se devem mostrar, porque é dessa força que as pessoas precisam. Precisam de sentir que, mesmo esporádica, a visita dos candidatos à sua rua é importante. Podem falar das necessidades da sua freguesia, muitas vezes do lugar ou da rua onde moram e assim, lembrar a quem está no governo, a quem ocupa um lugar no Parlamento ou num órgão de poder local, que para se ser feliz não bastam obras, se elas se transformarem em lugares sem uso, não bastam estradas, se elas não melhorarem o acesso das pessoas ao trabalho, aos hospitais e às escolas.

Durante a campanha eleitoral, sentimos o quão importante são os afectos, o contacto pessoal e o carinho com que as pessoas recebem quem lhes estende a mão para dizer “bom dia, não se esqueça de votar”, porque é a sua oportunidade de escolher quem a governa. Mas, apesar de vivermos em democracia há mais de trinta anos, há ainda quem não valorize este direito e não esteja recenseado. Porque não vale a pena, o governo não me agrada, diz um jovem! E então, vais deixar que outros escolham o governo sem a tua participação? Incoerências e inconsistências de uma cidadania pouco activa.

Não longe deste jovem, uma senhora de noventa anos acolhe com alegria a perspectiva de votar. Nunca fico em casa no “dia dos votos”. É reconfortante ver os mais idosos entusiasmados com as eleições, usufruindo de um direito que lhes foi negado no passado, sem medo que “alguém lhe corte a pensão”.

Por estranho que pareça, são os jovens que importa cativar, pois muitos não dão importância ao acto eleitoral, quem sabe porque sempre viveram em liberdade. Será altura de questionar e equacionar o papel da escola nesta matéria e retomar a formação cívica dos mais novos, apostando na formação política dessas gerações, como outrora os seus pais receberam em disciplinas como “introdução à política”.

Campanha, tempo de avivar a consciência cívica e relembrar o direito e o dever que todos tempos de votar.

(publicado no Açoriano Oriental de 6 de Outubro 2008)

publicado por sentirailha às 22:37
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