Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Sim! Nós podemos.

Yes! We can, foi o slogan emblemático da campanha de Barak Obama, um grito de esperança que mobilizou os americanos e apelou a que acreditassem em si mesmos e votassem na mudança.

Eles podem. E nós? Também podemos.

Este é um apelo à consciência cívica, porque não há mudança sem o contributo de cada um de nós. Não são eles, mas nós! Não são os políticos, os chefes ou os outros, somos nós, sou eu, tu, ele! Nós podemos.

Nós podemos alterar o insucesso escolar, sendo criança ou jovem assumindo a aprendizagem como uma fonte de sabedoria, de crescimento; considerando o conhecimento como uma necessidade; alimentando a curiosidade nas aulas, nos museus, na artes ou num simples passeio vivido em família. Nós podemos se o saber for uma exigência e não uma obrigação.

Nós podemos alterar a vida de sofrimento daquela mulher, vizinha, amiga ou até familiar, que nos confidenciou ser vítima de violência do marido mas que se cala por medo. Podemos ajudá-la a tomar consciência de que tem direito à dignidade, ao respeito; que não é propriedade de ninguém e que são crime as agressões de que é vítima. Nós podemos construir um mundo de paz, se soubermos resolver os conflitos sem recurso à agressão, à humilhação ou à vingança sobre os outros.

Nós podemos alterar a vida dos idosos, se em vida mantivermos os laços de afecto que une pais e filhos, avós e netos. Se estimarmos os seus conselhos e apoiarmos as suas fragilidades. Nós podemos ser melhores profissionais, se trabalharmos em ligação com os outros e se ouvirmos a voz daqueles que dizemos atender, seja em que domínio for. Porque afinal, trabalhar é servir, responder a uma necessidade, e ajudar a construir. Isolados num escritório, indiferentes à opinião dos clientes, discursando numa aula perante alunos a quem raramente se dá a palavra, corremos o risco de viver de forma autista, ignorando a diversidade das vozes que nos cercam.

Sim, nós podemos, se quisermos contribuir para mudar a sociedade em que vivemos. Se julgamos não poder alterar a sociedade, talvez possamos melhorar o ambiente na rua onde moramos ou então na casa a que chamamos lar. Basta ligar o que está desligado, falar com quem julgávamos que não nos poderia ajudar; perguntar o porquê, antes de julgar; pedir ajuda, antes de desatinar.

Sim, nós podemos viver melhor, se formos tolerantes perante a diferença e soubermos dar espaço para que todos possam crescer; se pusermos o bem comum, antes dos interesses pessoais.

Sim, nós podemos, na medida que nos questionarmos sobre o sentido que damos à vida. O que faço pelos outros? Que sentido tem a minha vida? Que exemplo posso eu dar aos mais novos? Que modelos me orientam? O que procuro afinal? Vencer os outros ou conseguir mostrar o que sei e aquilo em que acredito?

Utopia! Dirão alguns leitores. O problema está mesmo aí! Ao atirarmos para o domínio do impossível aquilo em que acreditamos, refugiando-nos na abstenção, no silêncio não comprometido, contribuímos para desligar os laços, isolar os mais fragilizados e fazer coro com os pessimistas.

Sim nós podemos, porque quem acredita pode!

(publicado no Açoriano Oriental de 10 de Novembro 2008)

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publicado por sentirailha às 23:22
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