Segunda-feira, 30 de Março de 2009

À minha porta, não!

Somos todos sensíveis perante situações de pobreza, droga, alcoolismo ou criminalidade. São tema de conversa de café as notícias sobre assaltos e outros actos violentos. Escandalizam os casos de jovens que consomem substâncias ilegais em lugares públicos, sem que ninguém os aborde de forma sancionatória ou solidária.

Peremptórios em tomar posições de defesa do bem público, muitos reclamam mais segurança, pedem polícia nas ruas, câmaras de vigilância nas esquinas da cidade, alarmes nas portas e sensores à saída dos estabelecimentos comerciais. Reclamam uma sociedade mais segura e, por isso, não duvidam da necessidade em encarcerar os criminosos, identificar os delinquentes, denunciar os infractores e afastar da vista os que se atrevem a dormir à porta das lojas ou que pedem um euro num parque de estacionamento. 
Ninguém fica indiferente quando surgem notícias sobre idosos abandonados em lares, onde não se respeitam as regras mínimas de segurança e bem-estar ou diante do rosto de uma criança que perdeu o sorriso.
O que quer que eu faça? O mundo está perdido! Isto vai de mal a pior!
Ali mesmo ao lado, vão criar uma casa para esses meninos de rua; naquela outra freguesia vai ser construída uma unidade de tratamento para jovens em estado avançado de dependência de substâncias psico-activas e já está sendo delineada a construção dos novos estabelecimentos prisionais. Não podemos admitir que os reclusos sejam empilhados em celas onde só deveriam estar metade dos que lá estão, nem esquecer que depois do cumprimento das penas há vida para essas pessoas. Se faz algum sentido a cadeia, que seja um tempo de reintegração e não apenas um caixote de lixo onde a sociedade despeja cidadãos infractores, violentos e indesejáveis.
De acordo. É preciso fazer alguma coisa por todos esses, mas será que tem de ser aqui na minha rua, à minha porta!? Não têm um outro lugar para construir essa casa, essa unidade de tratamento? Porque não escolhem uma outra freguesia para implantar o novo estabelecimento prisional, longe das pessoas de bem?
É que nunca se sabe o que esses jovens podem fazer? Temos de pugnar pela segurança e pelo sossego das nossas vidas.
Somos todos sensíveis aos problemas da sociedade, mas…
O que nos trama é esse “mas”, sinónimo das defesas construídas, do comodismo instalado, da falta de espírito voluntário para sermos proactivos, colaboradores nas respostas institucionais, promotores da inclusão que reconhecemos como um direito de cidadania, mas que nem sempre assumimos como um dever.
Se queremos uma sociedade mais segura temos de combater as desigualdades e promover uma maior justiça social.
A segurança dos cadeados, das câmaras de vigilância ou até dos polícias na rua, não tornam a sociedade mais justa.
A insegurança que nos aflige tem um rosto humano. São jovens sem rumo que há muito a família deixou de procurar; pequenos traficantes apanhados nas malhas de uma rede, que encobre outros cidadãos responsáveis; maridos que dominam as mulheres à força; famílias desestruturadas e sem recursos; empresários que não cumprem a lei e sujeitam os trabalhadores a condições precárias.
Somos todos sensíveis aos problemas da toxicodependência, da violência doméstica, da pobreza ou da exploração laboral, mas…
(publicado no Açoriano Oriental de 30 Março 2009)
 
publicado por sentirailha às 20:49
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Terça-feira, 24 de Março de 2009

Igreja, obra da comunidade

Quando se constata o número de crentes que participa nos actos litúrgicos semanais, é notória a sua diminuição. Estudos regionais e nacionais assim o comprovam.

As igrejas são menos frequentadas, sobretudo pelos mais jovens e o número dos que se dizem “não praticantes” é cada vez maior.
De acordo com o recenseamento da prática religiosa, realizado pelo Patriarcado de Lisboa, têm diminuído o número de lugares de culto e de celebrações dominicais, a que certamente não será alheia a diminuição do número de sacerdotes.
A investigação recente no domínio da sociologia da religião, fez emergir um novo tipo de prática religiosa, designada por Danièle Hervieu-Léger de “religiosidade peregrina”, a que correspondem práticas individuais, voluntárias, móveis, não condicionadas por esquemas tradicionais e formais que escapam a um recenseamento que se baseie na frequência dos actos litúrgicos.
Apesar da profunda alteração no modo como hoje se vive a religiosidade, não podemos negar a importância que têm os templos como lugares de culto e espaços sagrados, que estruturam os territórios.
Desde os primórdios do povoamento destas ilhas, que as igrejas se constituíram como centralidades, elementos determinantes na definição do crescimento das localidades, fazendo coincidir o limite da freguesia ao da paróquia. O lugar da igreja é determinante na geografia do tecido urbano e está culturalmente associado ao espaço da festa, onde a população se reúne para celebrar o patrono ou por ocasião de momentos decisivos na vida das famílias, como são os baptizados, casamentos e funerais.
A igreja representa o lugar sagrado, sinal de protecção e devoção, cuja construção se confunde com a história, quantas vezes lendária, de uma determinada comunidade. Uma ermida é mandada construir em cumprimento de uma promessa; uma igreja levantada por iniciativa de um rei com uma devoção particular; outra ainda construída no lugar onde, reza a história, ocorreu um milagre.
A destruição ou o abandono de uma igreja é sempre vivido como sinal da morte da própria comunidade. Por isso, sempre que isso acontece, particularmente na nossa Região, seja na sequência de um sismo ou porque se tornou visível a degradação do templo, as comunidades açorianas envolvem-se e participam na recolha de fundos, mobilizando a solidariedade dos paroquianos, residentes locais ou até emigrados. Todos se sentem envolvidos, porque a igreja da sua paróquia é a referência identitária que melhor unifica a comunidade local dispersa.
Recentemente foi notícia a construção de uma nova igreja em Ponta Delgada, há muito sonhada e desejada pela comunidade local e que, durante décadas, mobilizou a angariação de fundos. É desse sonho, da generosidade e do esforço de muitos, que nasce o templo dedicado a Nossa Sra. de Fátima na zona do Lajedo, servindo aqueles que moram mais afastados do centro da paróquia.
Apesar dos muitos contributos anónimos, foi necessário, à semelhança de outras (re)construções, o apoio de entidades públicas e privadas para concretizar a obra da nova igreja. No entanto, quem por último contribuiu não é mais importante do que o primeiro, esse alguém que um dia sonhou a construção de mais este templo católico, lugar onde a fé se transforma em rituais e os crentes em fiéis.
Como outras igrejas, construídas no tempo dos reis ou mais recentemente, este novo espaço sagrado é do povo e nunca pertença dos seus benfeitores, tenham eles contribuído com muito ou com pouco, no princípio ou no fim da concretização da obra, como anónimos ou entidades públicas e privadas.
Um novo lugar de oração irá abrir portas ao serviço da comunidade, a quem cabe dar-lhe vida, celebrando a partilha e a oração. Um espaço de referência onde o silêncio pode ser adoração, e a força o fruto da meditação.
Os templos, particularmente as igrejas católicas, apesar de cada vez menos frequentados pelos crentes, são dos poucos lugares onde se entra livremente, sem pagar, e se usufrui de um espaço que convida ao encontro, para alguns com Deus e para muitos consigo mesmos.
(Publicado no Açoriano Oriental de 23 de Março 2009)
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

O divórcio

 

Nunca digas nunca ou desta água não beberei!
Esta é uma máxima muitas vezes confirmada, nomeadamente quando se ouvem histórias de divórcio. Casais, aparentemente estáveis, com mais de dez ou até vinte anos de vida comum, desfazem uma relação conjugal que se julgava sólida, inabalável.
O divórcio legalizado em Portugal na década de 70 não é um fenómeno recente. Antes mesmo de ser legal e legítimo, muitos casais viveram a condição de separados. A coberto de uma aparente união, mais não faziam do que disfarçar em público o total afastamento das suas vidas em privado. Falava mais alto a instituição casamento, o nome de família, o património e a conveniência.
Actualmente nos Açores, por cada três casamentos há um divórcio.
O casamento é cada vez menos um contrato de conveniência mas uma escolha afectiva, que envolve um compromisso. Um compromisso onde ambas as partes têm direitos e deveres, e onde se tolera menos o faz-de-conta. Um compromisso que tem de fazer sentido, se não termina.
Nos Açores a taxa de nupcialidade é das mais altas do país (5,4%0 contra 4,4%0 em 2007). No entanto, ao invés do todo nacional, é diminuto o número de casamentos católicos registados de acordo com a Concordata. (22,9% nos Açores contra 47,3% a nível nacional em 2007). Este facto, aparentemente pouco coerente com a percepção que se tem de sermos uma região de forte expressão católica, não significa que muitos casais, depois do casamento civil não celebrem o ritual católico. Só que esses noivos quando entram na igreja já estão casados perante a sociedade.
Os números revelam por isso um fenómeno de dessacralização do casamento, entendido sobretudo como contrato. Um contrato que muitos já não se atrevem a dizer que é para a vida, mas que se valida enquanto dura.
Será que o facto de se casar segundo o ritual católico ou civil garante mais ou menos a durabilidade da relação?
De acordo como os números do divórcio publicados em 2006, ocorreram mais divórcios em casamentos civis.
Se compararmos estes dados, tendo em conta o tipo de laço conjugal, verificamos que os católicos divorciam depois de uma vivência conjugal prolongada; 51,6% ocorreu em casamentos com mais de 15 anos. E, quando o casamento foi pelo civil, 58,5%, viveram casados durante menos de 9 anos. Num caso como noutro, a maioria ocorre em relações com filhos, sobretudo quando duravam há mais de dez anos.
Ninguém divorcia num dia. O divórcio é sempre um processo doloroso, que até pode durar anos.
Um processo de desgaste continuado, de enfraquecimento de um laço que vai rebentando aos poucos; hoje porque não se resolveu um conflito de interesses, amanhã porque se ofendeu a dignidade do outro; hoje porque se foi infiel, amanhã porque se desconfia; hoje porque não houve partilha de tarefas, amanhã porque não se foi capaz de elogiar.
Nenhum casal que, perante um conservador do registo ou um sacerdote, jure amar e honrar na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença, está pensando em desfazer esse compromisso. Mas o certo é que muitos também não têm consciência do que implica comprometer-se. Descobrem, tarde, que afinal é preciso ceder para se construir um nós, é necessário partilhar para se viver a dois. E sobretudo é preciso construir a relação conjugal todos os dias; o acto de casar não é uma garantia mas o início de um projecto comum.
(publicado no Açoriano Oriental de 16 Março 2009)
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Terça-feira, 10 de Março de 2009

A humildade

Ser humilde não significa ser fraco.

A humildade não rebaixa, não anula, antes exalta a capacidade de escuta e a empatia. Ser humilde está longe de ser sinónimo de ignorância. É antes a verdadeira expressão da sabedoria, que se quer profunda, ponderada e serena.

O sábio é sempre alguém que escuta, que acolhe o outro com disponibilidade.

Só se aprende quando se tem consciência de que nunca se sabe o suficiente, sobretudo se pretendemos dar resposta às necessidades de alguém. Sem humildade, dificilmente se é capaz de ouvir, de entender a dimensão em que os outros colocam as suas preocupações.

Ser humilde não é ser pobre, desprovido, nem a humildade configura um traço lamecha do ser humano, mas antes o dignifica e valoriza.

Não é fácil aprender a ser humilde sem fazer a experiência da dificuldade, sem sentir o que significa perder na vida ou até, sem nunca ter falhado. A humildade aprende-se no meio das derrotas, das amarguras da vida; quando tudo parece estar contra nós e apenas resta um “eu” que desafia o mundo e renasce das cinzas.

A humildade tem uma face, a serenidade, que se alia à força, à determinação. Não convive bem com a arrogância, nem com o autoritarismo que se fundamenta no poder absoluto do “quero, posso e mando”. Talvez seja na humildade que reside a diferença entre um bom e um mau líder, um bom e um mau chefe.

Juntar a humildade à liderança é aparentemente uma dificuldade, porque habitualmente se entende que ser chefe é sinónimo de poder, decisão e domínio. Esquecem de que o poder é sempre um meio que serve a concretização de princípios, objectivos e projectos. Como tal, não vale por si; só se torna eficaz na medida em que é correctamente utilizado e serve o bem comum. Se o poder for mal gerido, se for autoritário ou absoluto, de nada valem os objectivos, que até podem ser válidos. Nem tudo se aceita no exercício do poder, mas tudo é possível quando não se é humilde na forma de o exercer.   

A liderança exercida com humildade reflecte valores interiorizados, um espírito humanista, o sentido do outro, do bem comum e a democracia. Um líder humilde tem capacidade para compreender as dificuldades e os pontos de vista daqueles que dependem das suas decisões.

A humildade cria espaço para a partilha e capacita o ser humano para saber ouvir o especialista como o leigo; faz aceitar um conselho do experiente e não minimiza a frontalidade e o radicalismo da juventude. A humildade relativiza os juízos de valor; permite sintonizar com as dores e as dificuldades dos mais fracos e facilita o convívio com o conforto dos mais abastados.

A humildade não é sinónimo de fraqueza, mas antes é a outra face da força e da determinação.

Reconhecer na humildade a simplicidade do despojamento, é dar valor à riqueza dos princípios e validar os cidadãos não pelo que têm, mas pelo que são, pela nobreza da dignidade humana.

(publicado no Açoriano Oriental de 9 de Março 2009)

 

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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

2 de Março 1895

Muitos micaelenses conhecem esta data porque a associam a um Largo da cidade de Ponta Delgada. Para os mais jovens é uma data aparentemente sem significado, mas que a História nos ensina ser estruturante na construção da Autonomia dos Açores.

O Decreto de 2 de Março de 1895, considerando a distância geográfica e a dificuldade de comunicações que então marcavam as relações entre o arquipélago e o continente, cria os distritos insulares e as Juntas Gerais, como estruturas de poder descentralizado, mais próximas da realidade dos cidadãos açorianos.

No dizer de Avelino Meneses, os açorianos sempre reagiram ao poder central, particularmente, em situações de decadência. Segundo o historiador, o primeiro movimento autonomista, que tem no decreto de 2 de Março de 1895 a afirmação do direito à “livre administração dos Açores pelos açorianos”, emerge numa época em que no país ocorria a agonia da Monarquia. Outros movimentos se seguirão, também eles por contraponto a incertezas na República.

Nas palavras do historiador António Cordeiro, a imprensa insular do século XIX regista os “clamores do povo” em defesa de melhores condições perante uma “pátria madrasta” como reflecte o excerto do jornal Atlântico, publicado na Horta, de 3 Novembro de 1870, “E querem que depois de factos desta ordem (atraso na construção do porto) o povo insulano tenha pela metrópole a mais acrisolada afeição, quando dela só nos vem encargos pesadíssimos, administração péssima e o maior desprezo pelos interesses das ilhas” (cit.)

Segundo Avelino Meneses (Congresso de Cidadania, 2005), a Autonomia que hoje se vive na Região está “desobrigada dos grilhões de um passado mais do que secular; tem de ser futuro em desenvolvimento”.

Decorrido mais de um século sobre a publicação do Decreto de 2 de Março, a História repetiu-se, aquando da promulgação do Estatuto Político Administrativo. Tal como no passado, a Região replicou perante um País que parecia não entender as suas pretensões e que, reagindo ao conteúdo de dois artigos, repetia e revivia a mesma desconfiança de outros tempos, perante a descentralização do poder na Região.

O espírito Autonómico está muito para além dos decretos ou mesmo do Estatuto que habilitam a organização do poder político e administrativo nestas ilhas. É um desiderato do ser insular, a expressão do dever e do direito de cidadania Esquecidos durante décadas, séculos, os Açores são hoje uma região de referência.

Abandonados à sua sorte, os açorianos fizeram e fazem história demonstrando como a descentralização do poder é a estratégia política que melhor concretiza a vivência da liberdade e a democracia.

As lutas pela Autonomia têm demonstrado que no centralismo não há espaço para a liberdade e que sob um controlo autoritário não se vive em democracia. Infelizmente estes dois fantasmas (centralismo e autoritarismo) reapareceram aquando da revisão estatutária, como se o País ou alguns políticos tivessem medo de perder poder.

Autonomia, descentralização, partilha de recursos, proximidade e adequação das respostas, liberdade e afirmação identitária, definem o poder regional e marcam as instituições políticas que os açorianos construíram desde que o Decreto de 2 Março 1895 abriu portas à descentralização administrativa. Não são as letras dos diplomas que fazem a Autonomia, mas a força de ser açoriano que lhes dá vida.

(publicado no Açoriano Oriental de 2 Março 2009)

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