Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Acho que os açorianos são portugueses*

Há ainda quem sinta necessidade em adjectivar o ser açoriano com a etiqueta "português". Não me parece que tal aconteça quando se fala dos residentes em outras regiões do país. Alentejanos, algarvios, transmontanos ou minhotos, são definitivamente portugueses que vivem nessas regiões do país.

Viver numa região insular, ter uma ilha como território de pertença, longe do rectangulo continental, faz toda a diferença. Para alguns continentais, as ilhas dão corpo ao sentido do que entendem ser uma região.

Ao contrário do que poderão pensar muitos  continentais, sobretudo os que residem em Lisboa ou na suas redondezas, uma região não é apenas uma parcela de território, um tracejado ligeiro num mapa, que nem se reconhece quando se transpõe. 

Uma região é um traço de identidade que se reflecte na voz, nas tradições e na história. Uma referência que marca as pessoas e deixa marcas na memória. Não se dilui no todo, mas também não sobrevive separarado. É uma parte integrada. Um membro da família que o país representa.

Infelizmente, para alguns a diferença só se torna interessante, se for motivo de visita turistica, são paisagens diferentes que se fotografam nas férias, sabores que se provam ou estradas que se cruzam, olhando o traçado no mapa, para depois se voltar a casa, com a noção de conhecer o país.

Quem esquece as diferenças, por recear rivalidades, tensões ou até alguma competição não conhece o valor das regiões. A diversidade regional sempre foi factor de riqueza, quando isso significa  interacção, interconhecimento e comunicação. O que atrasa um país é o isolamento, a  periferização e a marginalização das regiões, por falta de acesso ou por falta de recursos.

O que empobrece um país é o desconhecimento e o centralismo que esquece o interior, prejudica os mais afastados e destrói a diversidade regional. 

 

(*expressão utilizada pela líder do PSD em visita aos Açores - 13 Set.09)

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publicado por sentirailha às 23:58
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Domingo, 6 de Setembro de 2009

O mar que me veste

O mar dos Açores é uma outra pele para quem é insular.

Quando mergulho nestas águas, que são nossas por herança, sinto-me vestida por dentro, como se este mar fosse parte de mim.

O mar que rodeia a ilha onde nasci não é uma moldura que limita um quadro, mas um horizonte que alarga os limites da terra.

Somos parte deste mar, não tenho dúvidas. Sinto-o, sempre que mergulho no oceano, é como se reencontrasse o seio materno e redescobrisse a identidade que afirmo sem ver, que me condiciona mesmo quando julgo estar a ser livre na minha forma de ser.

Sou insular, sou ilhoa em bom português, e sinto uma honra imensa de o dizer e de o viver, em cada dia que passa. Gosto demasiado da minha terra, para aceitar que alguém a veja ou pense nela de forma que não seja de profundo respeito. Sou sensível aos gestos de apoio e acredito que temos de ser optimistas, temos de ter força de vontade se queremos levar o nosso povo, do Corvo a Sta. Maria, a ter as melhores condições de vida e o acesso, que merece, aos recursos que podem potenciar a nossa identidade e o projecto de desenvolvimento que queremos para a nossa terra.

O mar que rodeia estas ilhas não é uma massa profunda de água, mas um mundo vivo, onde a fauna e a flora, que as nossas ilhas têm, mas em quantidade limitada, é de uma imensidão que ainda não aprendemos a descobrir.

Temos o mundo à nossa volta e por vezes ainda nos julgamos pequeninos.

O mar das nossas ilhas é fonte de vida e dá sentido à nossa vida, porque nos veste como uma pele, nos identifica como o sangue que corre nas veias e nos abre horizontes, de conhecimento, comunicação e descoberta.

Não podemos parar, não podemos ficar a olhar do alto das rochas negras, com sentimentos pessimistas. Temos de ir sempre mais além... porque este mar não é barreira, mas futuro...

publicado por sentirailha às 18:30
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