Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Morrer às mãos do marido

Não é um título sensacionalista. Infelizmente é uma realidade dramática que, segundo o Observatório das Mulheres assassinadas, atingiu 39 mulheres em Portugal no ano de 2010. Vítimas de agressões brutais de um actual ou anterior companheiro, marido ou namorado, de quem esperavam apoio, protecção e a quem um dia juraram amar e ajudar.

No início destas histórias de horror, só havia silêncio. Muitas desculparam as agressões de que eram vítimas, na esperança de que seria um mal passageiro. Mas nada mudou. Se num dia eram maltratadas porque o marido chegava a casa mal disposto; no outro o motivo passava a ser a comida, que eles consideravam mal feita; no dia seguinte eram acusadas de gastar demais e as culpas iam-se acumulando, triturando a vontade de viver e a auto-estima.

Não faltou quem visse e até estranhasse, mas receou intervir. Alguém disse ou escreveu que “entre marido e mulher, não se meta a colher” e talvez por isso, amigos e familiares fazem de conta que não sabem, partindo do pressuposto que um dia aquela mulher, manifestamente infeliz, vai acabar por se entender.

Histórias de humilhação silenciosa e de agressões, cada vez mais violentas, marcam as vidas destas mulheres que, ainda hoje morrem às mãos dos companheiros. Vítimas de um crime público morrem como seres sem cor, tão esfarrapadas como a rodilha com que limpavam a casa.

No dia do seu funeral, alguém comenta que sempre soube que a vizinha era maltratada, mas nada fez, porque sempre a viu acompanhar os filhos à escola, estender a roupa e fazer as compras na mercearia da esquina. Aparentava uma rotina normal e sofria calada, porque lhe ensinaram que tudo se deve fazer pelos filhos.

Morreram às mãos dos companheiros, que há muito tinham perdido essa condição quando quiseram tornar-se donos das suas vidas, ao ponto de lhes roubarem a dignidade. Diziam eles, que os ciúmes eram prova de amor e que, se controlavam a vida delas, era por muito as amar. Aos poucos acabaram por viver num cerco sem saída, num cativeiro sem liberdade, sujeitas a um sacrifício sem recompensa.

Tentaram quebrar o muro de silêncio que lhes foi imposto, mas ninguém parecia preocupar-se, porque não acreditavam possível, que aquele homem, tido por um cidadão exemplar no emprego, pudesse ser um agressor no espaço doméstico.

Morreram às mãos dos maridos, porque ainda falta coragem para denunciar um crime que ocorre portas adentro, silenciando a voz de muitas mulheres e, cada vez mais, atingindo idosos e crianças indefesas.

Morreram, também, porque elas próprias não se atreveram a denunciar, quando ainda era tempo, por julgarem ser sina, destino, a cruz que todos diziam ter sido uma escolha.

Não há justificação possível para que um namorado, companheiro ou marido agrida, mesmo quando essa agressão vem disfarçada de gracejo humilhante, cena de ciúmes, ou desvalorização de desejos ou opiniões.

O amor não mata, salva; não destrói, antes constrói laços; não magoa mas cura e reabilita. Por isso, ninguém deve e muito menos merece ser maltratado.

Se conhece alguém que é vítima de violência conjugal, denuncie. É um dever cívico que pode evitar a morte de mais mulheres.

(publicado no Açoriano Oriental, 29 Novembro 2010)

publicado por sentirailha às 22:01
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Sentido de responsabilidade

Li algures uma história que pode ser resumida desta forma: um pedreiro trabalhava na construção de casas para famílias carenciadas. Um dia, a empresa onde estava empregado pediu-lhe para construir mais uma casa. À semelhança do que habitualmente fazia, o pedreiro reduziu no aço e no cimento, cuidou pouco da qualidade dos materiais e dos acabamentos e foi pouco rigoroso nos detalhes. Para seu grande espanto, ao entregar a obra concluída, o empreiteiro referiu que, desta vez, a casa construída era para ele, em sinal de reconhecimento pelo trabalho feito. Era tarde para reparar as aldrabices. Entristecido, o pedreiro pensou, “se eu soubesse, teria trabalhado com outro rigor!”

A responsabilidade não é compatível com uma forma aparente e fugaz de agir, mas antes é uma consequência directa do compromisso que assumimos com os outros, que em nós confiaram e que de nós esperam colaboração, ajuda, conhecimento ou disponibilidade para servir.

Quem não é íntegro, dificilmente pode ser responsável. Quem não é profissional no seu trabalho, nem cuidadoso nas tarefas que desempenha; quem não assume os erros que comete e esquece os compromissos assumidos, porque agora não convém ou porque surgiram outras solicitações, desconhece o valor da responsabilidade.

Ser responsável é viver com sentido dos outros, cooperando e, ao mesmo tempo, interpretando as suas reacções e críticas. A responsabilidade significa ser capaz de dar resposta, perante os desafios do momento e as opções a tomar.

Hoje fala-se muito da responsabilidade dos políticos, dos governos, alvos fáceis para a crítica quando estão em causa dificuldades acrescidas. Mas, raramente, alguém aponta o sentido de responsabilidade individual. Afinal, o mundo é feito, em primeiro lugar de cidadãos, que todos os dias fazem escolhas: entre trabalhar ou não, entre estudar ou simplesmente ocupar o tempo na escola, entre colaborar e cooperar ou depender dos apoios dos outros.

É urgente reaprender o valor da responsabilidade.

Não podemos levar os jovens a julgar que a vida se faz apenas de e com sensações ou experiências do momento, e que se pode viver sempre de forma descomprometida. É preciso reafirmar a urgência do compromisso. Não se trata de prender, mas de interligar. Não é compatível com individualismo, mas antes dá sentido aos problemas que outros atravessam e que, directa ou indirectamente, também passam por nós.

Seja em que domínio for, a responsabilidade está sempre associada a uma postura de profunda humildade. Afinal, o que representa a minha vida no fluir da história do povo a que pertenço ou na construção da sociedade onde vivo? Não sou mais do que um grão de areia, um bloco numa construção, um elo numa cadeia. Mas sem mim, tudo seria diferente. Imaginem os obreiros que construíram os Jerónimos! A maioria deles não conheceu o edifício final, mas todos foram importantes para a sua construção.

Ser responsável é ter noção do impacto que as nossas vidas e as nossas decisões têm na vida de outros e ter consciência de que há erros que podem comprometer a felicidade de uma geração.  

A responsabilidade é como a consistência, confere autenticidade, segurança e credibilidade aos actos dos cidadãos, independentemente da posição social que ocupam ou do grau de poder que detêm.

 (publicado no Açoriano Oriental de 22 Novembro 2010)

publicado por sentirailha às 17:27
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Sábado, 20 de Novembro de 2010

Branquear

Branquear não é um acto de clarificação, mas de negação dos erros, decisões ou acções passadas. Não esclarece, antes esconde. Não melhora nada, porque não assume a realidade, antes cobre os defeitos com maquilhagem. Ilude e desvaloriza o que não está certo. Não assume os erros cometidos e tenta fazer crer que estes nunca existiram.

Recentemente, foram tornados públicos actos de má gestão da empresa municipal Acção PDL. Como em todos os relatórios do Tribunal de Contas, os visados nas críticas puderam reagir em “contraditório” e justificar ou explicar as dúvidas levantadas. Mas isso não impediu, como se pode ler no texto do relatório, que o TC concluísse da existência de erros injustificados. (consultar http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2010/audit2010.shtm#srtca)

Nas conclusões pode ler-se que o município de Ponta Delgada, através de duas empresas municipais, endividou-se, empregou técnicos que não eram necessários e encomendou projectos que depois alterou (parque urbano) ou até abandonou (terminal rodoviário).

O relatório foi arquivado e apenas recomenda medidas de carácter administrativo, diz a presidente do município, assumindo apenas as orientações pedagógicas do relatório branqueando o rol de falhas identificadas, incluindo o desrespeito pela Assembleia Municipal.

A Presidente do maior município dos Açores até pode afirmar existir “rigor e transparência”, mas como explica a contratação de técnicos superiores, licenciados em estudos europeus, economia internacional, engenharia zootécnica, agrária e agro-florestal, “para acompanhar de forma habilitada” o funcionamento do Parque de estacionamento da Avenida e do Parque Urbano, na altura ainda não concluído, quando, à data do relatório, estes técnicos não estavam a trabalhar na referida empresa, mas antes exerciam funções no Município, pagos é claro pela Acção PDL, constituindo aliás a principal rubrica da sua estrutura de custos?

Não se entende porque motivo o município responde ao reparo do TC sobre a falta de publicitação dos documentos de prestação de contas, alegando “ter um custo demasiado elevado”, se o mesmo município assegura páginas inteiras de publicidade/propaganda em jornais diários sob o título “Dito e feito”?

Nos últimos tempos, a líder do PSD, responsável máxima pelas empresas municipais de Ponta Delgada, tem criticado o governo regional sobre gastos que classifica de desnecessários. Como pode agora considerar irrelevante o facto de o TC ter concluído que há 20 milhões de dívida contraída pelo município, através das duas empresas auditadas, que não foram devidamente justificados ou que a verba final gasta no Parque urbano não foi executada na construção dos equipamentos que, supostamente constavam do caderno de encargos inicial?

“Era mais económico” construir um Driving Range e um Club-House, afirma a Sra. Presidente. Então porque razão custou os mesmos 15 milhões? Mas será que os munícipes de Ponta Delgada necessitam deste investimento, que porventura nem sabem qual a finalidade, quando faltam mais um pavilhão desportivo e piscinas na cidade, para garantir o acesso de todos à prática desportiva?

Apesar de a Acção PDL e a Cidade em Acção serem hoje uma única empresa, tal não anula o compromisso financeiro assumido com o parque de estacionamento e o parque urbano, de 44,7 milhões de euros até 2038!

Branquear é esconder. Não torna nada mais claro. E, quando se tem telhados de vidro, o melhor é não atirar pedras aos outros.

(publicado no Açoriano Oriental de 15 de Novembro 2010)

publicado por sentirailha às 21:57
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

Zaping feminino

Poucos serão aqueles que, vendo televisão, nunca experimentaram o “zaping” termo anglo-saxónico que caracteriza o acto de correr os canais, sem se deter num, por mais de alguns minutos.  

Mas, se o zaping está sobretudo associado à relação com a televisão, o certo é que podemos utilizar este termo para descrever a vida de muitas mulheres, particularmente as que têm uma actividade remunerada, que fazem zaping entre as várias actividades diárias.

Imaginemos um dia na vida de Cristina, um retrato que poderia se aplicar a outras mulheres.

Cristina é casada e aos quarenta anos, é professora e mãe de três filhos com menos de 12 anos e marido trabalha numa empresa de construção civil.

De manhã, levanta-se sempre pelas sete horas; enquanto chama os filhos para a escola, por vezes mais do que uma vez, prepara a mesa do pequeno-almoço, orienta o que será a refeição seguinte, verifica se a sala está arrumada e acaba por ajudar a filha mais nova a se vestir. Enquanto as crianças comem, toma duche, mas não perde tempo; porque não fica à espera que a água do chuveiro aqueça, aproveita para fazer a cama, recolher a roupa suja e arejar os quartos dos filhos. Depois, tira algum tempo para se vestir e colocar uns brincos. Repara que tem de arranjar as unhas, mas não há tempo.

Os filhos vão sair, desta vez o pai é que os vai levar à escola, e isso dá-lhe algum tempo para deixar a mesa posta e o almoço adiantado, antes de começar mais um dia de trabalho.

De regresso a casa, ainda não pousou a mala e já tem o fogão aceso. Falta só acabar o esparguete e os miúdos entram pela porta, gritando as novidades. O dia está longe de ter acabado e Cristina ainda tem de anotar as faltas da dispensa e relembrar os sacos de desporto, pois hoje é dia de levar o mais velho ao basket e a mais nova à natação.

Quando chega o fim da tarde, é hora de trabalhos de casa e de dar aquela ajuda para incentivar sobretudo a mais nova, que preferia mil vezes brincar do que estar sentada a escrever.

Entre ajudar um e outro, por o olho à panela que ferve, estender a roupa, encaminhar os três para o banho de fim de dia e jantar, Cristina não pára antes das nove da noite. Finalmente, um pouco de televisão e um tricot para relaxar. É hora de silêncio. Os miúdos estão deitados, ou pelo menos, ela assim julga e os mais velhos podem falar do que foi a jornada. Estão os dois cansados, mas Cristina não pode deixar de desabafar que tem demasiadas preocupações a seu cargo. A casa, a comida, a roupa, o cuidar dos filhos, as regras a ensinar e a fazer cumprir são ainda tidas por tarefas das mulheres, ou melhor, das mães e ela sente que a sua vida é um zaping permanente, entre a cozinha e o quarto, entre o emprego e a casa, entre os filhos e a roupa, entre o marido e ela. Será que não podíamos partilhar mais ou melhor esta vida quotidiana, questiona, quando finalmente se encontram os dois?

Parecendo que não, acabo o dia esgotada, adormeço no sofá logo que me sento. Sei que isso não ajuda à nossa vida conjugal, comenta Cristina. Mas o que podemos fazer?

No fundo, os dois conhecem a resposta, mas cada um à sua maneira não põe em prática a única forma de acabar com esse zaping e poder viver com mais tranquilidade. Bastaria partilhar, dividir, co-responsabilizar e cooperar.

(publicado no Açoriano Oriental de 8 Novembro 2010)

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Domingo, 7 de Novembro de 2010

Viver é mortal

Esta afirmação resume bem a condição humana. Somos seres mortais, finitos, limitados no tempo e na capacidade de realização.

E, por estranho que isso possa parecer, nem todos reconhecem que viver é como ter uma doença mortal e que a vida é uma oportunidade, limitada e condicionada, para sermos pessoas.

Estamos condenados a assumir esta condição finita se queremos ser felizes e podermos dar valor ao dia que passa, ao momento presente.

Quando olhamos para trás, para os muitos ou poucos anos que já vivemos, certamente que encontramos desperdícios, oportunidades perdidas, encontros falhados, tarefas deixadas a meio e pessoas de quem nos fomos esquecendo e afastando. No balanço da vida, esta é a coluna do deve que contrabalançamos com a do haver, onde contabilizamos os sucessos, os amigos que fizemos e que mantemos, as realizações, os momentos felizes e tudo o que entendemos serem boas memórias. Qual o saldo final? Pesarão mais os momentos válidos ou os desperdiçados? Contarão mais os encontros ou as ausências?

Viver feliz não é incompatível com a morte, porque a vida é uma doença mortal.

Pode parecer dura esta afirmação, mas se pararmos para reflectir e assumirmos esta condição humana, acabamos por valorizar, de forma diferente, o hoje, o momento, o dia que passa e as tarefas que nos dispomos a realizar.

Que interessa, pensarão alguns, o que faço pouco ou nada faz mudar o mundo? Engana-se quem assim pensa.

A única forma de dar sentido à morte é viver intensamente a vida! Um minuto conta, todo o esforço é importante e um simples sorriso pode contribuir para mudar o ambiente à nossa volta. Viver é como semear, costas voltadas ao terreno, deixando cair palavras e gestos, como se fossem grãos que o vento leva no rodopio das vidas dos outros. Uns até podem ficar esquecidos entre as rochas, mas outros poderão dar lugar a florestas ou transformar-se em oásis de frescura e esperança.

A vida é uma doença mortal sem cura, porque viver é dar-se, consumir energia, partilhar capacidades e competências, transformar problemas em respostas, vencer desafios e ultrapassar derrotas, num tempo limitado.

No rasto da vida de cada ser humano, ficam traços que se misturam com a vida de outros. Quando uns acabam outros começam o seu trajecto, quando uns se esgotam, outros atingem o máximo das suas capacidades.

E é neste passar de testemunho, entre uma vida e outra, que construímos o mundo, onde todos somos importantes e ninguém é dispensável.

A morte não só faz parte da condição humana como lhe confere sentido. Por isso, dizer que a condição mortal é inerente ao viver, é assumir a importância do hoje, do contributo ou da simples presença de cada um nesta malha de relações que tecemos diariamente.

Quem não assume esta condição mortal, tem tendência para se agarrar aos bens materiais e aos poderes efémeros, como se fossem cabos que prendem ao cais; ou então esconde-se por detrás de uma imagem construída, julgando que assim ilude a morte e trava o fluir do tempo.

A vida é como uma vela acesa; ilumina na medida em que é consumida.

 (publicado no Açoriano Oriental de 1 Novembro 2010)

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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

“Comer, orar e amar”

O ser humano tem fome de espírito. Pode não lhe chamar Deus, até pode afirmar a pés juntos que essa necessidade intrínseca de transcendente nada tem a ver com fé, mas, no fundo, vive em busca de si mesmo e deseja, sobretudo, ser feliz.

Esta procura de Deus ou a carência humana de uma dimensão espiritual, do transcendente, não se avalia pela frequência dos templos, nem pela prática de determinados rituais, seja por convicção ou tradição.

Todos sabemos que, particularmente nas sociedades ditas desenvolvidas, há quem consuma rituais, como se fossem produtos de catálogo de uma qualquer empresa de eventos.

Ter fome de espírito é sentir necessidade de se ultrapassar, de querer mais da vida; ter um desejo imenso de se encontrar e de mergulhar no interior de si mesmo, para libertar amarras, afastar entraves, dúvidas, dependências e rever prioridades.

Quem não duvida ou nunca se questiona sobre o que realmente espera e deseja da vida, por ventura ainda não se encontrou e, dificilmente terá grandes aspirações. Vive dentro de limites, como se o mundo acabasse aí; esconde e cala as vozes do seu desassossego, aparentando rigor, cumprindo etapas, regulamentos e exigências. Passa o tempo, entulhando um vazio interior, que não consegue explicar.

A obra “comer, orar e amar” de Elizabeth Gilbert, protagonizada no cinema, de forma extraordinária, pela actriz Julia Roberts, retrata uma viagem ao interior do ser humano. Começa com uma etapa de prazer intenso, feita de iguarias que enchem os olhos e adoçam a boca, seguida de um exercício de libertação, sofrido e solitário, onde a autora descobre, no silêncio, o valor dos gestos diários e das palavras que curam, ajudam, perdoam, aproximam e transformam. Termina com a revelação do que é o amor, só possível quando se aprendeu a se conhecer e a dar de si aos outros.

Esta história biográfica é um bom exemplo de como precisamos calar as vozes do desassossego e da angústia, e deixar de viver instalado no bem-estar material, se queremos encontrar paz e felicidade.

Depois de se entregar ao prazer da comida e de ter descoberto o sentido da oração, que cria espaço interior, a autora de “comer, orar e amar”, termina com a revelação do amor. Numa viagem que percorre três países, esta obra é uma alegoria, em três momentos, sobre a aventura que é viver.

Porque não basta alimentar o prazer do corpo para se atingir a felicidade, nem é porque se fez uma experiência transcendental que se alcança a paz. Se é importante mergulhar em si, para descobrir o lugar e o projecto de cada um, só na partilha se pode ser feliz.

Deus, o transcendente ou o que lhe quisermos chamar, descobre-se em todas as experiências humanas, incluindo o comer, orar e amar, porque o espírito está, onde estiver um homem ou uma mulher em busca de si mesmo e de sentido para a vida.

(publicado no Açoriano Oriental, de 25 Outubro 2010)

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publicado por sentirailha às 23:51
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