Domingo, 12 de Abril de 2009

Haja saúde!

Diz o povo que mais vale prevenir do que remediar. Só que em matéria de saúde, o mais frequente é esperar para ver e viver despreocupado até surgirem os sintomas da doença.

Há mesmo quem cuide melhor do automóvel do que de si mesmo.

Sempre atento às datas para mudar o óleo, preocupado com a manutenção do motor e o controlo da pressão dos pneus, desvaloriza a vigilância periódica do seu corpo e não parece preocupado quando surgem sinais de alerta nas análises clínicas ou nos valores da pressão arterial.

A saúde é um bem precioso, todos concordam, mas muitos preferem testar o grau de resistência do seu corpo e da sua mente, insistindo vezes sem conta em comportamentos de risco. Quem assim vive, apressa-se a dizer que conhece um velhote, que sempre fumou, bebeu e comeu o que quis e viveu até aos cem anos. Um velhote entre milhares, que entretanto já faleceram; um ser por ventura excepcional, que resistiu às agressões de uma alimentação desequilibrada e aos tóxicos do álcool ou do tabaco.

A saúde não se compra na farmácia. No entanto, não falta quem se vanglorie do número de comprimidos que toma por dia e se sinta de consciência tranquila por estar a cuidar da sua saúde. A saúde passa cada vez mais pela forma como comemos e os alimentos que escolhemos; depende do exercício físico que fazemos ou deixamos de fazer, pela qualidade do ar que respiramos e pela forma como gerimos o espaço onde vivemos.

Sempre que alguém faz compras num qualquer supermercado ou mercearia de bairro, o que escolhe? Se tiver dois euros para gastar, compra fruta ou bolachas; compra couves ou comida enlatada; compra feijão ou aperitivos? A saúde também depende das escolhas que fazemos quando, ao fim-de-semana, preferimos nos abandonar no sofá e adormecer com o comando de televisão na mão, em vez de aproveitar o sol, passeando à beira-mar ou num qualquer jardim público.

Podemos prevenir e não apenas remediar, mas tal como acontece com o automóvel, que nos apressamos a levar ao mecânico, também o nosso corpo depende do modo como o conduzimos. Uma má condução também danifica a viatura e mesmo fazendo uma vigilância cuidada, de pouco adiantarão as medidas de reparação, se entretanto tivermos danificado a estrutura da máquina.

Podemos ser mais saudáveis, mas isso depende mais do modo como decidimos viver do que dos remédios que tomamos. Não esqueçamos que a saúde é um estado de bem-estar e equilíbrio. Um bem-estar físico mas também psíquico. Um equilíbrio instável que exige uma atenção permanente.

Hoje em dia, não faltam livros que pretendem ensinar a viver com saúde. Abundam os títulos sobre como atingir o bem-estar, viver com optimismo, manter a saúde depois dos 50, viver sem stress e descobrir o segredo da felicidade. Todos ou quase, repetem o mesmo: procure o equilíbrio, evite os exageros; acredite em si e será feliz; acredite no amor e não sofra por antecipação; reconcilie-se com a natureza e viverá em paz. Frases feitas que pouco acrescentam à máxima tradicional, mais vale prevenir do que remediar; mais vale viver hoje com saúde do que arriscar adoecer amanhã.

(publicado no Açoriano Oriental de 6 de Abril 2009)

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publicado por sentirailha às 18:12
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