Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Desigualdades sociais

Somos todos iguais perante a lei, mas as desigualdades sociais permanecem.

Temos todos, direito à saúde, à educação, ao emprego, mas na realidade, as desigualdades persistem e marcam as relações humanas. Há quem espere por um exame médico no sistema público, por não poder pagar a um privado; há quem interrompa o percurso escolar quando atinge os 15 anos, por falta de motivação e incentivo familiar e muitos aceitam empregos precários, por terem fracas qualificações.
A desigualdade existe e seria uma ilusão pensar que alguma vez deixará de marcar as relações sociais, desde logo porque a idade, o sexo e o contexto familiar são factores de diferenciação. Por exemplo, a taxa de risco de pobreza é superior entre as mulheres e agrava-se no caso dos agregados com mais de três filhos ou em idosos isolados.
A questão fundamental é perceber porque razão determinadas condições sociais encerram e limitam a vida de alguns actores sociais, ao ponto de não conseguirem, poderem ou até mesmo quererem libertar-se desses constrangimentos?
A desigualdade social até pode explicar as diferenças no sucesso escolar, os níveis de criminalidade numa determinada comunidade, as taxas de desemprego ou o grau de iletracia mais elevados em alguns grupos sociais. Mas, se explica nunca pode justificar atitudes de descriminação e abandono. “Não vale a pena”, “não se pode esperar mais daqueles miúdos”, “coitados”.
Sempre que alguém esquece os que menos possuem ou menos conseguem, agrava as desigualdades sociais e transforma as dificuldades inerentes ao baixo nível de informação, qualificação ou educação, em fronteiras quase intransponíveis que encerram pessoas em guetos, destroem os sonhos das crianças e enquadram um destino limitado.
Somos todos responsáveis pela manutenção ou pela redução das desigualdades sociais.
Não basta dizer que somos todos iguais perante a lei, se ainda há quem desista de investir nos alunos problemáticos ou desvalorize as condições de trabalho dos que desempenham funções menos qualificadas.
Reconhecer a desigualdade social não deveria significar criar turmas de elite ou serviços de primeira e de segunda. Antes, deveria motivar uma acção mais consertada e integrada da comunidade. Olhando o sistema educativo, deveríamos saber romper com o determinismo da origem social. Como referia o Prof. David Justino, quando a escola pratica a “teoria da mochila”, pressupõe que o aluno é aquilo que transporta às costas. Este raciocínio determinista impede a saída desse ciclo vicioso, que reproduz dificuldades. “Já os pais não deram nada na escola”. Querer estudar, quando se vive numa família carenciada, é escolher um caminho diferente, difícil, exigente e nem sempre reconhecido. Por isso, é fundamental estimular, incentivar e sobretudo, compreender, no sentido sociológico deste verbo, ou seja, ter capacidade para contextualizar as dificuldades de um aluno e até dos pais, num universo de desigualdades sociais.
Perante situações de desigualdade social é urgente abandonar os rótulos que descriminam e, antes, estimular os percursos individuais que podem ser histórias de sucesso e de integração.
(publicado no Açoriano Oriental a 29 de Junho 2009)
publicado por sentirailha às 16:10
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