Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

A felicidade é um treino da mente

Segundo palavras de um Dalai Lama, “a felicidade é um treino da mente e, para obter a verdadeira felicidade temos de sacrificar aquelas coisas que nos produzem um prazer momentâneo, para conseguir outras que nos proporcionem um estado de felicidade mais duradoiro” (cit. in Uma professora em Katmandu, de Vichy Sherpa).

É um treino da mente porque implica aprender a discernir, entre aquilo que apenas nos satisfaz num momento do que constrói um caminho para uma felicidade futura e saber escolher, entre um prazer imediato que se vê e se pode experimentar e um estado de felicidade que se alcança no futuro.

O prazer momentâneo é hoje uma bandeira publicitária que vende, entre muitos outros produtos, alimentos, programas de férias, sessões de massagens e tratamentos de beleza; a rapidez com que se obtêm resultados é a chave para se escolher um tratamento de redução de rugas ou de emagrecimento. O ideal é conseguir em quinze dias perder as marcas da idade que avança ou os quilos que se acumularam ao longo de meses de descontrolo alimentar.

Numa sociedade que vende a felicidade liofilizada, o princípio budista parece desajustado, apesar de conter uma verdade absoluta; não é possível construir a felicidade no futuro, se apenas se escolhem soluções de curta duração e a vida for um eterno efémero.

Para alguns, apostar no prazer imediato é ser moderno. No entanto, quando se opta pelo que é duradoiro não significa que se é conservador ou se quer manter a vida segundo um modelo quase inalterado, antes corresponde a uma busca do que estrutura a felicidade, das razões que mantêm as relações estáveis e dos princípios que enraízam os projectos em fundamentos sólidos. Tudo isso não invalida nem compromete as mudanças, entendidas como aperfeiçoamentos permanentes de um edifício sólido, estruturado e resistente. Dificilmente se pode mudar aquilo que é frágil e mal construído. Um edifício onde, durante a sua construção, se roubou no ferro e se reduziu ao mínimo a espessura do betão, acaba por ter de ser demolido quando se pretende reabilitá-lo. Só é possível reestruturar e renovar uma estrutura sólida e bem construída.

No mundo em que vivemos, tomado pela pressa de fazer e de consumir, tudo parece ter prazo de validade, desde os produtos do supermercado às relações pessoais. O “usa e deita fora” não se aplica apenas ao pano que agarra o pó, mas parece aplicar-se às relações humanas; diminuindo a capacidade de aceitar a perda de frescura, o efeito do tempo sobre a vida, a dificuldade de adaptação e os períodos de iniciação. O prazer imediato, a imagem por um dia, as aparências e o faz de conta, tornam-se mais importantes do que a felicidade duradoira, o envelhecimento, a autenticidade e a essência dos factos.

Numa sociedade onde se vende o imediato como uma novidade comercial é difícil acreditar que, prescindir de alguns prazeres momentâneos possa significar ou garantir um estado de felicidade duradoiro! Mas será que as pessoas querem ser felizes! O que significa, para cada um de nós, ser feliz?

(publicado no Açoriano Oriental)

publicado por sentirailha às 23:41
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