Sábado, 14 de Agosto de 2010

A night

A noite pode não significar descanso, redução da luz ou da actividade.

A noite para muitos, particularmente, quando se é jovem, é mais a night, sinónimo inglês que envolve uma conotação dinâmica, num período que normalmente se dedica ao repouso.

Dizer night é falar de música, conversa, copos, bares e discotecas. São horas de convívio, quantas vezes recheadas de jogos de sedução, engates ou flirts, outro termo anglo-saxónico, que sintetiza na perfeição um relacionamento descomprometido, que pode durar um serão ou prolongar-se durante um período de férias.

A qualidade do tempo vivido durante a night não se avalia por horas, mas pelo número de gargalhadas que se deram, pelas pessoas novas a quem se foi apresentado ou pelos números de telemóvel que se acrescentou à lista de contactos. Afinal, na noite fazem-se muitos conhecimentos. Até podem não ter o peso formal dos que ocorrem durante o dia, mas constroem uma rede de “pessoas conhecidas”.

À volta de uma mesa de café, sentados num muro, as conversas vão acontecendo, ora partilhando gostos musicais ou entrando por domínios pessoais. À luz da lua e debaixo das estrelas, as conversas parecem ganhar outra profundidade. Quando menos se espera, partilham-se receios contidos, não ditos que se transformam em desabafos, confidências. Nesse ambiente descomprometido, desabafar até pode ser terapêutico. Reduz a pressão dos conflitos que a luz do dia torna maiores. 

A night anula muitas diferenças e faz realçar aspectos que o dia não conhece. Afinal, como diz o povo, de noite todos os gatos são pardos. Em ambiente de bar, com um copo na mão, todos parecem estar divertidos e se não for verdade, ninguém repara, rindo de uma anedota bem contada.

A night reduz a intensidade com que se analisam os comportamentos. Ninguém é avaliado pela profissão, condição social ou idade, todos parecem ser iguais e uma certa cumplicidade transforma uma multidão de indivíduos numa aparente comunidade de convivas. No entanto há grupos, vários, que se movimentam como cardumes, entre um bar e outro, entre o concerto e a esplanada.

Entretanto as horas vão passando para os pais, enquanto os jovens acumulam conversas e vão partilhando gargalhadas.

Olho para o relógio. Há horas que não paro de bocejar. Muito antes da meia-noite já tinha adormecido no sofá sem conseguir ver o filme até ao fim. Deito a cabeça na almofada, sem esquecer que eles ainda estão por fora.

Acordo ao som da chave e da porta que se fecha. Olho para o relógio, é madrugada. O que será de tão interessante que anima esta malta até tão tarde? Mal consigo ouvir a resposta, mas fico a saber que a noite foi óptima e que a conversa foi muito interessante, gente simpática e uns músicos do norte animaram o serão. Está tudo bem, mas amanhã, por favor, não me acordes!

Finalmente, posso dormir. Não tarda muito o sol nasce e não quero perder essas horas em que tudo parece fresco no início de mais um dia!

(publicado no Açoriano Oriental, 9 de Agosto 2010)

publicado por sentirailha às 23:55
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