Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

A meia-idade

Quando alguém nos situa na meia-idade, entre os quarenta e os cinquenta anos, é como se nos dissesse, já só tens a outra metade da tua vida pela frente.

Mas será que a vida é feita de duas metades iguais? É difícil prever. E mesmo que assim fosse, já que a esperança média da vida ronda os oitenta anos, o mais importante nunca serão os anos de vida que temos, mas o que dela fazemos.

Não interessa o tempo, mas a qualidade que lhe imprimimos.

A vida é tão relativa. Podemos viver dez anos, sem que nada nos aconteça de muito relevante, e apenas num mês ou num dia, tudo parece valer a pena. A vida é muito mais do que o tempo que passa. A vida é ligação, aventura, coragem e desafios, que transformam o tempo em experiência.

A vida não devia ser dividida em metades ou em fases porque, na realidade, isso corresponde a muito pouco, se retirarmos o processo normal do crescimento e envelhecimento humano.  

A todo o momento, o importante é ter consciência do que somos e do que podemos dar aos outros, do que ainda não descobrimos ou nos desafia a ir mais além. Pouco importa se temos vinte, trinta ou sessenta. A vida não se esgota na juventude, nem é um privilégio dos mais novos. Quantos não há por aí que, por terem dezoito ou vinte anos, desperdiçam cada dia que passa, por acharem que ainda têm muitos pela frente.

Enganam-se. Ninguém traz o seu prazo de validade à vista. Por isso, quando menos se espera, acontece um percalço, porque se abusou de consumos ou porque não se mediu o risco de um comportamento. A vida prega-nos uma partida.

A meia-idade pode ser um tempo fantástico, desde que tenhamos consciência de que o mundo só cresce com a partilha de experiências. Quando ouço alguém dizer “isto agora é para os novos”, sinto que saiu de terreiro e quer que a geração mais jovem assuma uma responsabilidade, sem lhe dar referências, exemplos.

A vida é um desafio permanente e, cada vez mais, não há idades tabu para quem deseja experimentar novas formas de vida, decide investigar ou procurar saber e, sobretudo, sente que pode contribuir para tornar os outros mais felizes.

Não podemos negar que, muitas vezes, o corpo dá sinais de desgaste. Afinal, a menopausa altera o equilíbrio hormonal, a idade afecta a visão e a audição, mas tudo isso tem bom remédio e pode ser compensado. O que não se receita é espírito de luta, motivação, curiosidade ou vontade de partilhar com os outros a experiência de vida.

É um facto que nessa idade, que alguns teimam em dizer que está a meio da curva, o sentimento de estar entre duas gerações, uma jovem e outra mais velha, é evidente. Há quem tenha apelidado esse tempo de sanduíche, porque os jovens reclamam dos pais de meia-idade, apoio, orientação e muitas vezes sustento e, do outro lado, os mais velhos requerem mais atenção, presença e colaboração.

Mesmo assim, condicionado pelas gerações que antecedem ou estão à espera de testemunho, viver a meia-idade não é estar impedido de realizar sonhos. Porventura, é a idade certa para não perder tempo, evitar o desperdício e dar valor a cada dia que passa.

A idade é tão relativa. Não se mede em anos, mas em experiências de vida. Por isso, estar a meio, a três quartos ou a vinte por cento do tempo máximo é algo que, em bom rigor, não conhecemos. O que sabemos é que o dia de hoje deve ser vivido da melhor forma.

(publicado no Açoriano Oriental de 6 de Junho2011)

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publicado por sentirailha às 17:54
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