Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Promessas e política

Não há candidato político, que se preze, que não faça promessas para conquistar os eleitores.

Mas o que esperam as populações ouvir dos candidatos?

Neste tempo, em que se pede poupança, redução de despesas e se assiste a situações de real dificuldade financeira, com casas a serem entregues à banca por falta de cumprimento das prestações e empresas que fecham por não conseguirem modernizar-se, que futuro deve ser antecipado em discursos e programas eleitorais?

Precisamos de projetos políticos consistentes, que estimulem a participação das pessoas e o seu sentido empreendedor e invistam de forma fundamentada e seletiva, na redução das carências infraestruturais.

Precisamos de políticos de fé, com valores, que tenham provas dadas em matéria de sensibilidade social; que prometam potenciar o que de melhor cada um pode dar à sociedade e não alimentem ilusões ou cenários impossíveis.

Os tempos são difíceis, mas não podemos economizar na luta contra as desigualdades sociais. Por isso, é fundamental escolher quem tudo fará para que não se agrave a injustiça social.

Precisamos de políticos que militem em partidos onde as mulheres têm assento e voz e que não façam discursos de circunstância, apelando
à participação das mulheres na política, recorrendo à velha máxima que se tal não acontece é porque faltam creches e ATL’s. A paridade de género constrói-se nos bancos da escola, na gestão das empresas, no número de lugares ocupados nos parlamentos e nas assembleias municipais. E, as creches, sendo importantes, são equipamentos complementares à vida das famílias ativas.  

Precisamos de firmeza na aposta educativa. Temos de ter coragem de assumir a importância da rede “Valorizar” e dos cursos “Reativar”, e dizer que é uma vergonha nacional fechar “oportunidades” a quem não pode ou não teve quem o apoiasse quando jovem, em matéria de qualificações académicas e profissionais.

Queremos ouvir políticos que não defendam escolas públicas para ricos e escolas públicas para pobres ou crianças de famílias maiscarenciadas, mas acreditem que todos devem ter lugar numa escola de qualidade, com meios tecnológicos e oportunidades de formação.

Precisamos de políticos que reforcem medidas sociais de apoio aos transportes como é o “passe social” ou o “Interjovem”, e não recusem financiar o transporte e a ação social escolar, que no continente são dainteira responsabilidade das autarquias. Não é credível afirmar que se defende os idosos e, ao mesmo tempo, apoiar o governo da república quando elimina o critério de idade nas tarifas dos transportes públicos.

São precisos políticos que não precisem de fazer um almoço para falar de políticas sociais e assumam que a rede de equipamentos de apoio à infância ou à velhice deve ser de qualidade, desenvolvida em parceria com a sociedade civil e servida por técnicos devidamente habilitados, o que não é compatível com sistemas paralelos, não acreditados.

Não basta prometer infraestruturas, sobretudo se não têm sustentabilidade.
Precisamos de quem acredite genuinamente na construção de uma sociedade mais justa, esteja atento às necessidades sociais e seja capaz de apoiar quem mais precisa.

Prometer o controlo de indicadores financeiros, a redução do deficit ou da dívida, não basta. As pessoas precisam de governantes que decidam com sentido de responsabilidade social e não matem a esperança e a crença num futuro melhor.

(publicado no Açoriano Oriental a 7 Fevereiro 2012)

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publicado por sentirailha às 11:10
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