Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Incentivar os jovens

Quando um governante sugere aos jovens do seu país que procurem melhor futuro servindo outras nações, é como se os empurrasse porta fora e lhes estivesse a dizer, “vocês aqui estão a mais. Sobram pessoas para os lugares que temos e, como fostes os últimos a chegar, tereis de ser os primeiros a partir”.

Esquece esse governante, por sinal o primeiro-ministro, que apesar de terem sido dos últimos a chegar, cada jovem que sair deste país leva consigo um património cultural e intelectual, muito superior às riquezas que traziam as caravelas de outros mundos no século XV.

Se compararmos os países que hoje lideram o desenvolvimento na Europa, não há dúvida. Quem ocupa os primeiros lugares tem um nível de qualificação e de igualdade de oportunidades superior. E Portugal, só nos últimos anos, conseguiu aumentar, de forma significativa, ainda que aquém do desejado, o número de licenciados e investiu com resultados no capital científico e intelectual das universidades e em centros de investigação de excelência.

Deixar ou convidar a sair um jovem licenciado é perder uma parte desse ganho que levamos quase duas décadas a construir, depois de herdarmos um país onde um terço dos portugueses era analfabeto.

Não podemos sangrar o tecido social deixando escapar indivíduos qualificados, do ponto de vista académico e científico. Apesar de poder ser reconfortante pensar que existe uma perspetiva de rendimento, para quem for trabalhar além-fronteiras, de que serve tanta esperança se, depois de passada a crise, esses jovens qualificados não regressarem?

Investir no capital científico, técnico e social da juventude é um sinal de maturidade social, maturidade política e sentido de responsabilidade. Uma região que quer ultrapassar os tempos difíceis que atravessamos, não pode empurrar os jovens para o limbo da política ou da vida das empresas, mas deve apostar na integração dos que estão disponíveis para aceitar desafios, têm espírito criativo e são capazes e podem refrescar o discurso político.

Não se constrói o futuro entretendo os jovens com slogans publicitários, mas dando voz a uma geração bem formada, com provas dadas, que está pronta para colaborar na construção de uma sociedade forte, empreendedora, sem por em causa o desenvolvimento já construído. Foi assim há dezasseis anos.
Um líder jovem afirmou-se perante o eleitorado açoriano, como uma esperança. Os Açores podiam e conseguiram sair do último lugar em termos de indicadores de desenvolvimento.

Hoje, os açorianos continuam a precisar desta vontade forte e determinada de uma geração de jovens políticos. Que estão prontos para dar continuidade a esse processo de crescimento e desenvolvimento integrado. Já não estamos no mesmo patamar de há vinte anos. Hoje temos mais jovens licenciados, qualificados e o tecido empresarial pode recrutar nas escolas profissionais, colaboradores capazes de rentabilizar os negócios e melhorarem a produtividade das empresas.

Como referiu Vasco Cordeiro, é fundamental incentivar os nossos jovens a colaborarem na construção dos Açores e a acreditarem no seu futuro.

Temos de acreditar na força desta geração de políticos que nasceu com Abril de 74, em democracia, e que hoje está mais capaz do que nunca para continuar a lutar, de mãos dadas com quem lhes precedeu, por uma sociedade livre, justa, que merece a confiança de todos, em particular dos mais jovens.

(publicado no Açoriano Oriental de 14 Fevereiro 2012)

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publicado por sentirailha às 11:17
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