Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Tristezas não pagam dívidas

Nem pagam nem ajudam a encará-las da melhor maneira.

Por isso, o melhor é levar a vida com alegria e boa disposição. Quem encara a vida pelo lado positivo não tem ilusões de que não há problemas, dificuldades. Mas como dizia a Enf.ª Maria Augusta, Bastonária dos Enfermeiros, citando a propósito Fernando Pessoa, podemos ir juntando as pedras do caminho para com elas fazer um castelo. Podemos ir aprendendo com as dificuldades, em vez de ficarmos bloqueados para, com a experiência vivida, sermos mais felizes, mais capazes, mais realizados.

E ser capaz de pegar nas pedras e fazer delas um contributo para a felicidade não é mais do que cultivar o optimismo. Um optimismo realista, quanto baste para se sentir o sabor da alegria. O optimismo, como refere Goleman, protege as pessoas contra a apatia, a desesperança e paga dividendos, porque o optimista encara o fracasso como algo que está ao seu alcance modificar. Por isso, para quem leva a vida com optimismo, ainda bem que os fracassos acontecem, porque de outra forma a vida seria um falso mar de rosas, um conto de fadas e princesas que casam e vivem felizes para sempre.

A alegria de viver não é um elixir que se compra, ou que alguns julgam conseguir com uns copos a mais e umas anedotas; é um sentimento que nasce da sintonia que se consegue com os outros, com o mundo, com as mensagens que se recebe e os resultados que se vai obtendo do trabalho ou até os impactos que os gestos, palavras ou atitudes provocam.

Quem não se alegra com a felicidade dos outros e raramente exprime as suas emoções; quem não tem objectivos e não investe qualquer tipo de esforço, por mais simples que seja em os alcançar, terá sempre razões para não se alegrar e viver soterrado em tristezas.

Cultivar a alegria como atitude perante a vida é ser capaz de se motivar a si próprio, mesmo quando os outros não apoiam, porque crente na sua capacidade de vencer. Como dizem os brasileiros, é ter pensamento positivo e difundir boas energias, porque se carregam as “baterias” olhando a manhã fresca, o mar azul no horizonte, o pássaro que poisou no beiral da janela ou aquela criança pequenina que balbucia palavras que só a mãe entende.

Tristezas não pagam dívidas e, por ventura, as alegrias também não, mas sempre se vive e lida melhor com essas dificuldades quando se é optimista.

Por isso, em pleno Carnaval, onde aparentemente todos estão alegres, é tempo de libertar a boa disposição que faz ressuscitar nos homens o optimismo, a vontade de viver e de se divertir e brincar. Porque no Carnaval é sempre possível reencontrar o prazer da brincadeira, do faz-de-conta, da partida e do disfarce.

Amanhã saem à rua os foliões, as matronas e os palhaços; homens vestidos de mulher e mulheres de fato e gravata; adultos de bibe e chupeta na boca; monstros e figuras da banda desenhada. Vale tudo, sobretudo na batalha das limas, onde soldados de uma guerra entre iguais brincam com água e serpentinas, atingindo um inimigo faz-de-conta.

É tempo de libertação, excessos e alguma transgressão. Mas, se o espírito for de folia, de convívio e brincadeira, diz o povo que no Carnaval, ninguém leva a mal.

E porque o Carnaval é só três dias e amanhã já é o último, há que aproveitar!e

 (publicado no Açoriano Oriental a 4 de Fevereiro 2008)

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publicado por sentirailha às 19:24
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