Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Deixar uma marca

Pode parecer que a vida de cada um de nós não vale grande coisa. Afinal, somos um ser humano no meio de tantos milhões, biliões de outros seres que habitam um mundo tão vasto que ninguém, até hoje, conseguiu conhecer na totalidade.

E então! Se nos compararmos com figuras intemporais, como Gandhi ou Luther King, a vida de cada um de nós parece uma insignificância, uma areia, uma ponta de alfinete perdida num mar de pontos.

Somos sempre muito pequeninos quando nos vemos perante o mundo, qual minúsculo ponto brilhante num universo imenso. Esquecemo-nos que essa luz pode ser essencial para aqueles que vivem ao nosso lado, ou com quem nos cruzamos todos os dias.

Para eles, podemos ser a única luz que alguma vez iluminou as suas vidas.

Sempre que se apaga esse brilho, não será o mundo que vai dar conta, há tantas outras luzes acesas! Mas serão aqueles que precisam do nosso apoio, que contam com a nossa presença e a nossa capacidade, que estão tristes ou doentes, que acreditam na incondicionalidade do nosso afeto, esses sim! vão sentir a nossa falta de presença.

Somos uma minúscula luz num universo de estrelas, mas podemos fazer a diferença no sítio onde estamos.

Quando sorrimos, de forma genuína, ou quando damos uma gargalhada franca e cristalina, sempre que somos capazes de dizer uma palavra sensata e amainar o pânico de alguém ou transformamos as emoções em poesia, é uma luz que se acende e brilha no escuro da nossa e na vida desse alguém.

Não temos de ser importantes, nem ficar com o nome gravado em nenhuma placa. Basta que alguém se sinta feliz por ter partilhado um momento connosco, e já valeu a pena.

Não precisamos de honras, nem grandes pompas, basta que tenhamos feito o bem a quem precisava, dando um testemunho de coragem e tenacidade, quando tantos outros baixavam os braços.

Cada um de nós, seja em que idade for, seja qual for a sua condição, pode deixar uma marca na vida de alguém.

Uma marca própria, indelével, escrita com afetos, que nunca se apaga. Não há corretor ou borracha que apague uma lição de vida, um gesto de perdão, um olhar de ternura, um ensinamento, uma palavra amiga. São marcas que ficam para sempre, algumas até sublinhadas ou escritas em tom carregado.

Deixar uma marca é viver a vida com sentido.

Haverá melhor contrapartida do que ouvir alguém dizer: tu marcaste a minha vida, pelas melhores razões!

Deixar uma marca na vida de alguém acende essa luz que torna o universo brilhante.

 

(texto lido no programa "Entre palavras" de Graça Moniz - 5 de Outubro - Rádio Atlantida)

sinto-me:
música: António Zambujo, Zorro
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publicado por sentirailha às 22:13
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2 comentários:
De António Neto a 9 de Outubro de 2014 às 01:15
Este texto deveria ser de leitura obrigatória, e subsequente reflexão, nos estabelecimentos de ensino do secundário, nos últimos anos. Excelente para uma análise alargada sobre o que sáo as ciencias sociais e a sua utilidade prática, no dia a dia.
Pena não estar mais acessível, nomeadamente nas redes sociais.
De sentirailha a 9 de Outubro de 2014 às 15:31
obrigada pelo comentário. agradeço o seu conselho e irei publicar na minha página do facebook.
MC

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