Domingo, 13 de Março de 2016

Identidade

Há marcas que nos definem como seres únicos, irrepetíveis, a exemplo da marca digital, um registo individual que alguns, por não saberem escrever, utilizam como assinatura.

Outras marcas identitárias pertencem à história pessoal de cada um. São acontecimentos, momentos, onde a vida se alterou ou tomou um novo rumo. Encontros, onde a trajetória pessoal se cruzou com a de outro, que acabou por se tornar em alguém significativo na própria vida.

O tempo é o que nele acontece, refere o filósofo Heidegger. E o tempo é também o que nele vamos fazendo acontecer. Por isso, quando queremos perceber quem somos hoje, nada melhor do que analisar o que fomos sendo ao longo da vida, prestando atenção redobrada aos acontecimentos que definiram o fluxo do tempo e nos conduziram para um ou outro sentido.

Imaginemos um tronco de árvore. Quando lhe fazemos um corte conseguimos ler a sua história, até aquele momento, através dos círculos concêntricos desenhados no seu interior, outras tantas marcas do crescimento.

Compreender o percurso de vida das mulheres e entender as marcas que definem diferentes perfis ou formas de vida, foi o objetivo do meu livro "Encruzilhadas na construção da identidade das mulheres", editado pela Imprensa de Ciências Sociais, onde percorro a construção do percurso de vida através de duas transições, momentos marcantes na vida de muitas mulheres: iniciar uma vida a dois, conjugal, e ter um filho ou tornar-se mãe.

São acontecimentos marcantes que realizam, mas também definem e condicionam o ser mulher.

Apesar de vivermos numa sociedade e num tempo onde são cada vez mais as mulheres que desenvolvem uma vida profissional, a sociedade ainda espera, e em parte julga, a prioridade que as mulheres dão à casa e aos filhos, um juízo que não se aplica, na mesma proporção aos seus companheiros ou aos pais dos seus filhos.

Compreender esta desigualdade exige que se analise o modo como homens e mulheres se constroem desde a infância, particularmente como encaram o casamento e a parentalidade e conciliam o ser "nós" com o ser "eu". No caso das mulheres, os espaços da casa e da relação com os filhos dominam as suas identidades e justificam, em muitos casos, uma disponibilidade permanente para os outros, mesmo que signifique anular e abafar a sua própria individualidade.

A riqueza da identidade depende, em grande medida, da diversidade de espaços onde a mulher, e o homem, se descobre como pessoa. Entre a família e o emprego, o lazer e os compromissos formais, os familiares e os amigos, a identidade ganha uma multiplicidade de facetas e, dessa forma, se favorece a interdependência e a partilha.

Isolar-se, refugiar-se num único espaço, seja a casa, a relação com os filhos ou até mesmo o emprego, destrói essa riqueza e afeta o equilíbrio que deveria representar a vida de uma pessoa.

Em jeito de conclusão e porque estimo os leitores que me acompanham nestas crónicas, convido-vos a ler este livro que, espero, possa contribuir para a desconstrução dos vossos percursos de vida e, quem sabe, vos leve a redescobrir as encruzilhadas familiares que lhe deram sentido.

(Artigo publicado no Açoriano Oriental de 8 Março 2016).

publicado por sentirailha às 22:49
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