Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Paralímpicos

Difícil na vida, não é conseguir, mas fazê-lo apesar das limitações, das dificuldades, dos medos e da falta de apoios.

Difícil na vida, não é atingir uma meta, mas superar-se, sem se entregar às limitações e chegar onde ninguém julgaria possível.

Quem me ouça talvez esteja a pensar o mesmo que eu, ou seja, nos jogos paralímpicos.

Não importa a imagem física, a deficiência, a limitação do corpo ou a descrença dos outros. Importa a motivação de cada um dos atletas, paralímpicos, que chegaram aos Jogos porque acreditaram em si.

Há casos em que não conseguimos descortinar a deficiência que levou um determinado atleta a esta competição, esquecendo-nos das inúmeras patologias mentais, do foro neurológico, que são também limitações na vida de muitas pessoas. Desde o autismo à paralisia, da trissomia vinte e um às doenças degenerativas, há muitas pessoas que até podem não aparentar deficiência física, mas que tem que se superar todos os dias, perante o mundo que se julga normal.

Ao ver estas provas, sensibilizou-me a existência dos guias que participam nas corridas dos cegos. São atletas com forte espírito de solidariedade e altruismo, que correm em paralelo aos atletas paralímpicos, mas que não podem chegar à meta antes destes.

Vejo as provas de atletas sem pernas ou sem braços que se superam em atividades, como a natação, a corrida em cadeiras de roda ou os jogos de equipa e penso nos jovens, que estão prestes a iniciar um novo ano letivo.

Será que também eles observam o exemplo dos atletas paralímpicos? Quantos destes jovens, "sem problemas" reclamam porque tem de andar uns quinhentos metros entre as suas casas e a escola ou então, arranjam desculpas, das mais esfarrapadas, para não fazer a aula de educação física!

Preferem adotar uma posição confortável, acordando tarde e a más horas, dependendo quase sempre dos pais para irem de carro, muitos sem terem tomado o pequeno almoço. "Não tive tempo!!!!. Estão sempre muito cansados, sem vontade para sair da sombra.

Paremos para pensar sobre estas atitudes, de jovens e menos jovens. Que sentido de vida revelam? Aonde nos pode conduzir essa fuga diária perante novas experiências, sobretudo aquelas que revelam ou mostram as nossas limitações? Ai, mas eu não gosto de falar em público; não me apetece sair do sofá.... não gosto de fazer ginástica, não estou para apanhar chuva, só para te acompanhar !!!!

Não fazemos essas experiências, para não sentir desconforto, para não ter de lutar contra medos, receios ou fantasmas que povoam as nossas mentes. E com isso tornamo-nos medíocres, desperdiçamos momentos únicos na vida, que nos permitiriam conhecer outras pessoas e, sobretudo, descobrir quem realmente somos e porque ficamos agarrados ao que nos impede de viver verdadeiramente.

Permitam-me que cite um autor indiano, Krishnamurti, quando ele diz que "o homem ignorante não é aquele a quem falta educação, mas aquele que se desconhece a si mesmo".

Para nos superáramos, e sermos capazes de nos libertarmos dos medos, vergonhas e receios que nos impedem de avançar e de lutar, é fundamental que nos conheçamos e saibamos aceitar, capacidades e limitações. E isso significa que quando mais nos conhecermos e soubermos aquilo que queremos ser ou podemos ser, menos iremos desperdiçar tempo, vida e sobretudo esforço em aparentarmos o que não somos.

Ver os jogos paralímpicos desperta em nós o amor genuíno pelo ser humano e, ao mesmo tempo, faz-nos olhar para nós, e recorda-nos que o dedo apontado da discriminação, de que muitas dessas pessoas são alvo, deixa outros dedos da mão apontados para nós mesmos.

A todos que são professores ou alunos, um bom ano!

(texto apresentado na rubrica "Sentir a Ilha" do programa "Entre Palavras" da Radio Atlantida com Graça Moniz  - 11Set16)

publicado por sentirailha às 00:38
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Simone Veil

. Igualdade para fazer a di...

. Uma mulher condecorada

. O Papa do sorriso

. Um Tempo para meditar!

. Sexismo

. Retrocesso na Rússia

. Uma horta faz bem!

. Retrocesso na Rússia

. Deveres humanos

.arquivos

. Julho 2017

. Junho 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. todas as tags

.favorito

. Açorianidade

.Visitantes

blogs SAPO

.subscrever feeds