Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Que de hoje a um ano...

Este é o desejo de quase todos: que de hoje a um ano possamos erguer de novo a taça e brindar!

No entretanto, há um novo período de vida, quatro estações e muitos dias para preencher no calendário.

Viramos a página, começamos de novo, abrimos uma nova agenda e o contador do tempo foi posto a zero.

Um primeiro dia é sempre um motivo de esperança, para começar ou recomeçar, para renovar ou descobrir.

Não é que esses começos não possam estar associados a outras datas, o dia do aniversário, quando se festeja um acontecimento marcante, o dia do casamento ou do divórcio, o nascimento de um filho ou a entrada num emprego.

Não faltam marcas registadas na memória e é exatamente aí, nesse baú de recordações, que vamos buscar a energia para enfrentar o novo ano. Há experiências guardadas que nos servem para a vida inteira, lições que aprendemos com erros cometidos, sucessos que obtivemos, quantos não reconhecidos! E o tempo vai confirmando a justeza dessas aprendizagens e amadurecendo a sabedoria para lidar com a vida, as dificuldades e ser mais realista na definição de objetivos.

Um novo ano é sempre uma oportunidade para apontar metas, recolocar a fasquia, alimentar desejos e sonhos porque, como diz a canção, "o sonho comanda a vida".

Mas, dirão alguns, há quem tenha os sonhos enterrados e sente-se incapaz de desejar ou ambicionar. Como se encara o novo ano, quando a tristeza bateu à porta, a morte ceifou um dos nossos, a saúde está abalada ou as condições de vida não são as melhores?

Aos poucos e sem nos darmos conta, ficamos entulhados em sentimentos, bloqueados diante dos problemas, angustiados perante o dia de amanhã. Aparentemente, fica-se sem futuro, o tempo pesa como condenação, os outros incomodam e não apetece rir.

Um sorriso de uma criança pequena, a brincadeira do cão de família, a planta que floriu, a beleza do presépio montado na sala, a luz de uma vela, faz-nos parar e a esperança de conseguir, quase como por magia, parece querer renascer.

É no momento, no detalhe ou no pormenor que a vida se revela.

Há quem possa fazer grandes planos, outros nem por isso. Mas todos podemos nos concentrar nos pequenos pormenores e descobrir a beleza de uma flor, a vida que brota de uma semente deitada na terra escura. E, se levantarmos os olhos, há sempre quem nos sorria no café ou na padaria, quem nos diz "bom dia" e nos obriga a responder e a reconhecer a simpatia.

A vida recomeça aí, nesse instante! Temos de agarrar o momento, viver o segundo, aproveitar a brisa e sentir o perfume. A vida sente-se, passa, nesse instante único.

Os grandes planos concretizam-se quando acumulamos pequenas experiências, guardamos memórias que nos fazem sorrir e que, nas horas mais difíceis, recordamos, com saudade.

A saudade não é tristeza, é boa memória guardada.

É um facto, somos portugueses, talhados ao som do fado e dramáticos, nostálgicos do que já fomos. Não somos os melhores a pensar o futuro, porque nos habituamos a valorizar o passado, o que já fomos ou fizemos. Como dizia alguém, Portugal é o país do "já houve!"

Enfrentar um novo ano exige fazer do baú das memórias e do rol de saudades acumuladas, um poço de energia para enfrentar os desafios do dia de hoje, por ventura de amanhã e deixar acontecer, dia após dia, o novo ano que agora nasce.

E que, daqui a um ano, possamos estar de novo aqui, neste blog, partilhando ideias e emoções!

Bom 2018 para todos! 

(texto publicado no Açoriano Oriental de 9 Janeiro 2018)

 

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publicado por sentirailha às 20:11
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