Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

A parte do todo

Se cada um fizesse a sua parte, o mundo seria bem diferente.

Se cada um assumisse a sua quota-parte de responsabilidade, quando desempenha as suas funções, o mundo seria bem melhor, o desperdício seria mínimo e a rentabilidade duplicaria.

Infelizmente o jogo do empurra é habitual e recorrente. Atrasos que se somam com outros atrasos, prazos que se queimam e que comprometem as etapas seguintes; desleixo na execução de tarefas, que implicam retrocessos na elaboração de um projecto são práticas correntes e frequentes, nem sempre penalizadoras para quem assim age.

Se perguntarmos a uma equipa de construção, o que cada um fez para que um determinado edifício fosse erguido, por ventura todos saberão identificar as tarefas desempenhadas.

Mas, quando um defeito é identificado numa dessas paredes, ninguém dará um passo para reconhecer que isso se deve a uma falha sua. Será por causa da humidade, do tempo de secagem, da chefia que mandou, da qualidade do cimento ou dos blocos que não eram os melhores. Tudo servirá para justificar o erro e ninguém quererá assumir que não fez bem a sua parte.

Se cada um fizesse a sua parte, o mundo seria mais feliz. Evitavam-se tantos desperdícios, de tempo, de esforço infrutífero, sobretudo quando os erros cometidos são descobertos tarde demais.

Se cada um fizesse a sua parte, seriamos muito mais produtivos, porque desde logo os prazos seriam cumpridos, os planos concretizados nas suas várias etapas e as datas limites, uma referência cumprida.

Ao invés, e porque a cultura do empurra está instituída, uma data limite é quase sempre o primeiro dia de um prazo extra, o início da prorrogação, o princípio de um adiamento sucessivo.

Se cada um fizesse a sua parte, o trabalho em rede seria uma realidade, a cooperação uma forma de trabalho e as abordagens seriam plurais e complementares, porque cada um enriqueceria o trabalho do outro e não perderia tempo a refazê-lo ou a desfazê-lo, como habitualmente acontece.

Se cada um fizesse a sua parte, não haveria necessidade de resolver problemas sob pressão, em cima do joelho ou quando os prazos estão prestes a chegar ao fim. Bastaria que quem tem de decidir o fizesse, e assim permitir que outros executem. Por vezes a tarefa resume-se a um telefonema, o envio de uma mensagem ou o estabelecimento de uma ligação entre pessoas afastadas, que devem cooperar.

Infelizmente, há pessoas que gostam de complicar ou de enredar; têm dificuldade em assumir responsabilidades por isso emperram e empurram para outros e nunca levam uma tarefa até ao fim.

Fazer a sua parte é reconhecer, com humildade, que ninguém é o único detentor da verdade, do saber ou do poder. Onde quer que estejamos, há sempre laços que nos enquadram, uma equipa a que pertencemos, um grupo onde temos um lugar e um papel a desempenhar.

Ser parte de um todo é reconhecer a importância da cooperação como forma de estar na vida. E, cooperar é comunicar. O inverso é enredar, gerar a confusão, adiando a resolução dos problemas ou a execução das tarefas.

Se cada um fizesse a sua parte, a vida seria bem melhor.

(publicado no Açoriano Oriental de 27 Outubro 2008)

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publicado por sentirailha às 08:56
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