Quarta-feira, 16 de Março de 2011

Trabalho ou emprego?

“Faltam empregos, mas não falta trabalho para quem quiser”. Muitos reagem desta forma à questão do desemprego. Queixam-se que há quem queira ou até já possua um emprego, mas não está disponível para trabalhar; ocupa um lugar mas não justifica o salário, porque não trabalha ou trabalha mal, sem profissionalismo ou rigor.

Essa é sem dúvida uma das dificuldades do nosso país, que ainda não atingiu os níveis de riqueza, suficientes, para redistribuir por todos e, assim, elevar o nível de vida de muitos. Por isso, quando se analisa a diferença entre quem recebe mais e quem vive com muito pouco em Portugal, o intervalo é dos mais elevados na união europeia, sendo o nosso país um dos que possui das maiores percentagem de trabalhadores com salários muito baixos.

Precisamos de produzir mais, de qualificar as actividades que desenvolvemos e investir no profissionalismo, no rigor, na eficácia, na qualidade do que fazemos ou nos serviços que prestamos. Não podemos apenas marcar o ponto e justificar o vencimento com a presença física no local de trabalho, consumindo tempo entre cafés e cigarros, conversas de corredor ou encostado à ferramenta, seja o sacho, a picareta ou o computador.

A diferença entre um país rico e um país pobre, como o nosso, depende em muito do modo como cada pessoa preenche o seu horário de trabalho e do grau de responsabilidade que assume pelos resultados da empresa ou instituição a que pertence.

Alguns candidatos ao mercado de emprego não se importam de trabalhar duro, aparentemente motivados para o sucesso, empenhados nos resultados, enquanto decorre o tempo de estágio ou nos primeiros meses. Querem fazer boa impressão junto dos empregadores. Depois, logo que o contrato é assinado e se sentem tranquilos quanto ao futuro, baixam os níveis de produção, desleixam no rigor e ficam menos disponíveis para tarefas extras ou melhorias na função que desempenham.

É urgente alimentar uma cultura de excelência, que valorize o trabalho, a participação e a cooperação e não apenas a manutenção de um emprego. Temos de melhorar os níveis de qualificação, académica e profissional, dos activos. Como poderemos competir com outros países ou regiões, quando temos 70% dos activos sem a escolaridade obrigatória?

Trabalhar é preciso, não só porque vivemos tempos difíceis, mas porque a empregabilidade não se constrói apenas com vagas a preencher, mas exige o contributo produtivo de quem as ocupa. Um contributo que seja inovador e rigoroso, capaz de qualificar o produto ou serviço, na indústria ou na escola, no balcão de atendimento ou na construção civil.

O crescimento económico depende tanto do trabalho desenvolvido como do emprego criado. Porque é o trabalho que fomenta o desenvolvimento e não apenas o emprego. É a produção de riqueza e a melhoria dos resultados, os grandes indicadores de sucesso e não apenas a diminuição da taxa de desemprego.

Temos de qualificar os activos, melhorar e inovar os sectores produtivos, da agricultura ao turismo, do comércio aos serviços de saúde ou educação. Temos de ser melhores, se queremos evitar que muitos mais percam os seus empregos e que mais empresas acabem por fechar.

Não nos podemos dar ao luxo de não trabalhar, porque é do esforço dos activos que dependem as reformas dos que saem do mercado de trabalho e a alavancagem necessária para a criação de emprego para os jovens.

(publicado no Açoriano Oriental de 27 Fevereiro 2011).

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publicado por sentirailha às 16:31
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