Terça-feira, 7 de Junho de 2011

Podemos fazer milagres

Somos um povo de tradições, de velhos hábitos e crenças, mas nem sempre esta fé que nos move, nos faz ser proactivos em matéria de cidadania. Se, ao nível da fé, podemos acreditar que Deus se manifesta de modo extraordinário na vida das pessoas, quando se trata de trabalhar pela comunidade, de lutar por mais justiça ou defender os mais pobres, os milagres que tornariam a humanidade melhor, dependem da acção de todos nós.

Não há milagres sem trabalho e compromisso, nem as injustiças ou a violência terão um fim, se não forem denunciadas. Não há milagres se as pessoas forem egoístas, individualistas e puserem os seus interesses, antes do bem comum. Só pela colaboração e cooperação, o mundo pode ser melhor.

Somos todos chamados a fazer o milagre da paz, fazendo da interdependência um modo de vida, elegendo a solidariedade como tarefa de todos, transformando as famílias, as associações ou as empresas em unidades onde se aprende a respeitar a diferença.

Um povo que se entrega ao destino, dificilmente verá algum milagre acontecer. Mesmo aqueles que vieram agradecer ao Senhor Santo Cristo o que de bom lhes aconteceu na vida, ou pedir que Ele interceda no alívio das dificuldades, reconhecem que isso também exigiu ou exige, fazer a sua parte do milagre. Como se diz na anedota, não basta pedir “que me saia o totoloto ou o euromilhões”, é preciso pelo menos jogar.

Somos todos chamados a participar, a dizer “presente”, sempre que alguém precisa de ajuda, mesmo que lhe falte coragem para a pedir. Faltam pessoas que digam “podes contar comigo” a qualquer hora, nem que seja para uma palavra, um abraço. O pessimismo torna as pessoas egoístas, porque as centra apenas nas suas dificuldades, no lado negro da vida, incapazes de ajudar os outros, preocupadas que estão em resolver os seus próprios problemas.  

Só há uma forma de fazer acontecer o milagre de podermos viver numa sociedade melhor, mais igualitária e mais justa, é sermos pessoas de esperança, com força de vontade e que, mesmo na adversidade, não desistem.

Porque os milagres acontecem, quando se tem consciência de que dependem da nossa acção e participação. Não temos de ser perfeitos, irrepreensíveis, porque os erros também fazem parte da construção. O que não pode faltar é a firmeza com que defendemos a dignidade das pessoas e a solidariedade que transforma as diferenças em unidade. Se perdermos essa força, então daremos lugar às divisões e aos conflitos.

Não é utopia pensar e acreditar que podemos viver melhor.

Os milagres acontecem, dependem apenas de nós e do espírito optimista com que encararmos as adversidades. A cada um de nós cabe uma parte na construção deste mundo, desistir de a fazer é comprometer o futuro. Se formos essa peça do puzzle, o milagre da imagem que nele se vai formando, acontece.

Ninguém pode dizer, eu não sou necessário ou não faço falta.

Porque é nessa hora, quando somos tomados pelo pessimismo e desistimos de lutar, que comprometemos a possibilidade dos milagres acontecerem.

(publicado no Açoriano Oriental de 30 Maio 2011)

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publicado por sentirailha às 16:49
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