Domingo, 8 de Abril de 2012

Dia do Pai

É bom saber que ainda não se lembraram de mudar o dia do pai, que por tradição continua a ser comemorado no dia de São José, patrono dos pais, mas também patrono dos companheiros das mães. Porque um pai há muito deixou de ser aquela figura distante, que repreende nas faltas graves e quase sempre vive longe dos pequenos problemas domésticos.

Um pai é um adulto próximo, que se interessa pelos problemas dos filhos na escola como na vida amorosa, que dá conselhos e orientações e que, melhor às vezes do que a mãe, consegue perceber os esquemas que as crianças ou os jovens inventam, para conseguirem o que pretendem. Quantas vezes as mães são enganadas por estarem demasiado preocupadas em chegar a tudo, em resolver todas as dificuldades.

Os pais, aparentemente mais distantes, observam os gestos, as pequenas mentiras e não se deixam apanhar nas armadilhas ingénuas que as crianças inventam, porque não lhes apetece estudar, têm um novo jogo no computador, gostavam de ir mais tarde para a cama.

É destes pais que os jovens precisam. Dos que estão atentos e sabem corrigir, dos que têm a palavra certa, quando os filhos vacilam, duvidam ou querem desistir.
Pais carinhosos que não têm vergonha de um abraço, de um carinho feito em público, que estendem os braços e dão colo, que piscam o olho e sorriem.

Não fazem falta aqueles outros pais que vivem sempre cheios de trabalho, fechados nos seus pequenos mundos de afazeres, incapazes de brincar ou de partilhar uma história e qua a toda a hora descartam responsabilidades: a tua mãe é que sabe, ela é que trata disso. Agora não, não me aborreças com essas coisas, que eu tenho muito que fazer. Não tenho tempo para ti, estou muito ocupado.

Ser pai está longe de ser o progenitor, provedor de sustento ou garantia do nome de família. Esse era o pai de outros tempos, quando a sociedade parecia dividida em duas metades. De um lado as mulheres cuidadoras, vivendo no mundo da casa e do outro, os homens, ganhando o sustento para garantir a sobrevivência.

A sociedade actual é plural, faz-se com a partilha de tarefas e de responsabilidades, exige projetos de vida integrados, onde haja lugar para o coletivo, mas onde a individualidade, sem individualismo, também se possa desenvolver.

Não há por isso lugar para egoísmos, para pequenos mundos de homens que pouco ou nada sabem como cuidar de um filho, porque nunca o sossegaram na hora do sono ou se debateram com uma colher de papa espirrada no rosto, devolvida ao prato vezes sem conta.

Não há lugar para pais ausentes, que não têm tempo na agenda para ir à escola saber das notas ou para acompanhar um filho numa consulta médica.

Ser pai também é isso, é ser presente em momentos de fragilidade, de dúvida dos filhos e conseguir ser forte, sem nunca deixar de ser firme e terno. Ser pai, na minha memória de filha é ser doce e ser grande por dentro, um amigo que escuta sem deixar de ser uma referência, um exemplo.
Alguém que educa e disciplina, que perdoa mas também é capaz de pedir desculpa, quando reconhece que julgou mal ou agiu de forma precipitada.

Dia do pai, dia para os homens descobrirem ou afirmarem como a relação com os filhos os transformou em melhores pessoas.

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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Olhar azul

Se pudéssemos fotografar a vida de uma pessoa, talvez a imagem fosse semelhante ao traço de luz de uma foto noturna tira...

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