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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Haja Saúde!

Assim se saudavam os antigos.

7 de Abril é o dia mundial da saúde. Um entre muitos que marcam o calendário e que, aparentemente servem, sobretudo, para desencadear eventos, sessões de esclarecimento, em geral dominadas pelo mote: não basta combater a doença, é preciso preveni-la.

Saúde! Bem tão desejado e tantas vezes posto em causa pela forma como comemos, pela ansiedade com que trabalhamos ou pelos riscos desnecessários que corremos.

Saúde! Bem escasso e frágil que exige de cada cidadão a busca do equilíbrio, no respeito por si, pelas suas limitações físicas, psíquicas e sociais e na interacção com o mundo que o rodeia. Como se pode ler nos compêndios de saúde, não basta dizer que não se é doente, para se ser um ser saudável. A saúde é um estado de bem-estar, e se o corpo não padece, mas a mente vive perturbada, esse equilíbrio é posto em causa.

A relação com os outros, o ambiente que nos rodeia, também são elementos que contribuem para o estado de saúde de cada pessoa. Se olharmos à evolução da esperança média de vida, podemos reconhecer que a ciência e o desenvolvimento sócio económico em muito contribuíram para que se viva mais tempo. No entanto, continua sendo válida a máxima de que, não basta acrescentar anos à vida, é preciso dar vida aos anos.

E, dar vida aos anos é apostar na prevenção, nomeadamente evitar doenças crónicas nos mais novos. Dar vida aos anos é reconhecer a importância da actividade física, da alimentação equilibrada, do combate à poluição e ao desperdício; é investir e apostar numa vigilância periódica, no despiste precoce e, sobretudo, implica cuidar do corpo e da mente, de forma a manter níveis adequados de saúde durante toda a vida.

A saúde é um bem supremo mas não é, como muitos no passado julgavam, uma simples dádiva, que em nada depende do ser humano. A doença nunca é um castigo ou uma punição divina, “que mal fiz eu a Deus!”. Em muitos casos, é um sinal, que nos deve fazer pensar: “que mal fiz eu a mim próprio!?”.

Na verdade, o dom da vida pode ser entendido como transcendente, mas a responsabilidade de a manter, de a preservar com qualidade, é sem dúvida uma competência e sobretudo um dever do ser humano.

Muitas das doenças do século XXI resultam do estilo de vida urbano, consumista, sedentário e por vezes ansioso, que marca o quotidiano das sociedades ditas desenvolvidas. A título de exemplo, e de acordo com a opinião de especialistas em endocrinologia, a diabetes do tipo dois, ou seja, a que resulta do estilo de vida das pessoas, começa a aparecer em crianças, apesar de ser uma patologia sobretudo de adultos. Este problema de saúde é em parte o lado perverso de um estilo alimentar incorrecto que contribui para um maior número de casos de obesidade infantil.

Somos todos responsáveis pela saúde que temos ou pela sua ausência. Não significa sermos culpados por estar doentes, mas a saúde é uma responsabilidade de cada indivíduo e da comunidade em geral. E, o modo como vivemos, nomeadamente a forma como organizamos o nosso quotidiano, desde a higiene pessoal, à higiene da casa, à comida, ao estilo de trabalho, à cadeira ou cadeirão onde nos enterramos para ver televisão, tudo contribui para a qualidade da saúde que temos.

No dia internacional da saúde, que tal pensarmos o que cada um de nós faz pela sua saúde!?

Em jeito de despedida, Haja saúde!

(artigo publicado no Açoriano Oriental a 7 Abril 2008)

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