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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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De férias

As estatísticas não referem quantos portugueses entram de férias no mês de Agosto, mas pelo que nos apercebemos um pouco por todo o lado, parece que metade do país não está ao serviço.

Em Agosto, as fábricas param, dizem-nos nos armazéns; só podemos fazer as encomendas para Setembro. Nem vale a pena encomendar nada neste mês. É um mês desejado por quase todos os funcionários, públicos ou privados, e em algumas empresas quando se gozam férias em Agosto, só passados vários anos se pode voltar a fazê-lo.

Agosto é um mês para descansar ou, se calhar, nem tanto. Há tantas pessoas nas praias, nos parques de campismo e nas festas, que acontecem um pouco por todas as freguesias, que por vezes o descanso acaba por ser um bem raro. E depois há sempre o telemóvel a tocar, os amigos a convidar para mais uma jantarada. Afinal estamos de férias, é tempo para as refeições abundantes, os convívios, os passeios e sobretudo, é tempo para não viver em função do relógio. Se há coisa que não precisamos nas férias é de horários rígidos, refeições sempre ás mesmas horas e sempre iguais.

Variar, mudar, fazer diferente; dormir até mais tarde e deixar-se levar pela leitura de um bom livro, sem ter a preocupação em limpar o pó da estante ou em lavar os vidros das janelas.

Há mulheres trabalhadoras que fazem do mês de férias um tempo de intensos trabalhos domésticos: reviram as casas, fazem limpezas em armários, arrumam estantes e dão óleo na mobília. Mandam os filhos para a praia e deixam-se ficar em casa, de lenço amarrado à cabeça, pano de pó numa mão e vassoura na outra.

Férias é tempo para se olhar para si, para gozar o descanso merecido e intensificar o convívio e o lazer. Depois de um ano de trabalhos, que só se quebram ao fim-de-semana, um mês de férias não é nada. Já agora, se Agosto foi o mês escolhido ou que lhe calhou na rifa, porque não aproveitar para viver de forma diferente. Há quem aproveite para fazer campismo ou então descubra um recanto desconhecido da ilha. E felizmente, há sempre lugares que nem uma vida inteira nestas ilhas, nos permitiram conhecer. Quem sabe, ir de barco até outra ilha, para melhor sentir o que é ser açoriano?

Nas férias é sempre bom ler um livro ou mais, porque nessas horas de pausa, é a imaginação que se alimenta. A leitura de um bom livro é como uma viagem virtual que se faz sem sair de casa. A leitura alimenta o espírito e refresca a mente, tal como a água que banha o corpo quando se mergulha no mar.

Agosto, mês de férias que quase faz parar o país. Um pouco por todo o lado organizam-se festas e arraiais e os que estão há muitos anos longe, em países de emigração aproveitam para “voltar à terra” para matar saudades. Saudades dos produtos que as grandes cidades há muito deixaram de produzir; memórias de sabores e de cheiros que as férias ajudam a retemperar.

Se está de férias, aproveite. Se não, não desanime, dê um mergulho ao fim da tarde! O contacto com o mar que refresca, traz o sabor das férias! O importante é conseguir cortar com a rotina e criar alguns momentos de silêncio, de reencontro consigo.

As férias, mesmo num mês como Agosto, em que todos parecem desejar o mesmo, não trabalhar, devem ser momentos de paragem, reflexão e renovação. Parar não significa regredir, desperdiçar mas antes é condição para se poder rever e renovar. E as férias devem ser esse tempo para carregar baterias!

(publicado no Açoriano Oriental de 4 Agosto 2008)

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