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18
Ago08

Promessas

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Quantas promessas nascem de pedidos? “Se Deus, se tudo se resolver, eu mudo…”. Esperando passivamente que outros façam ou resolvam, dispõe-se a “pagar essa promessa” com sacrifícios e até mudar de vida; depois, só depois do “milagre” acontecer.

Promessas fazem outros, que apesar de conscientes das dificuldades que existem para resolver uma situação, iludem quem neles acredita. Fazem promessas para empatar. Mas “para a semana fica resolvido”.

Prometer só é válido na medida em que for comprometer, quando me envolver e envolver os outros na solução dos problemas. Em geral quem espera ver uma promessa cumprida, quer respostas concretas e é intolerante aos adiamentos sucessivos. Se a questão é económica, espera um aumento de recursos, quase imediato; se o problema for desentendimento familiar, por exemplo a eminência de um divórcio, é no entendimento e na reunião que vê a promessa cumprida.

Dificilmente alguém considera que a concretização de uma promessa possa não ser uma resposta positiva. Como pode a permanência de uma situação de carência ser resposta? Como ver no desentendimento de um casal uma oportunidade para o reencontro?

Uma promessa é antes de mais um contrato, um compromisso de intenções entre diferentes partes. Ninguém pode prometer sem envolver os outros, nem ninguém pode esperar ver uma promessa cumprida sem participar na sua concretização. Se a questão é financeira, familiar ou outra, é fundamental saber ler as causas e os entraves à sua resolução. Qual é a minha parte na alteração da situação? Que oportunidades não aproveitei ou que expectativas exageradas deposito nos outros? O que fazer quando não puder evitar ou alterar um problema?

Em campanha eleitoral fazem-se promessas, porque ninguém pode apresentar um programa ou um projecto político ao eleitorado, sem afirmar o que pretende concretizar numa legislatura; sem dizer que está disposto a pôr em prática essas ideias. Mas, os eleitores, quando confiam nas pessoas, quando votam, não podem desresponsabilizar-se da realização desse projecto. São parte integrante do sucesso dessas medidas. Votar favoravelmente um determinado projecto político é afirmar: podem contar comigo para a sua concretização.

Prometer mais habitação, melhor emprego ou mais educação, sem considerar a responsabilidade das famílias, a reorganização dos estilos de vida, a crença no esforço pessoal e a definição de metas, aspirações que representem investimentos no futuro, é fazer “falsas promessas”. É ser demagogo e estar à espera que o comodismo em que se instalam os descontentes os faça acreditar em discursos vazios. É pura demagogia chegar a épocas pré eleitorais e criticar o governo por não ter conseguido (ou prometer) combater a fome, a doença, o analfabetismo, o alcoolismo e a violência, como se estes problemas fossem pó que se pode varrer, nem que seja para debaixo do tapete.

Se queremos ser objectivos, realistas, olhemos estes flagelos a partir da realidade concreta da sociedade e da nossa própria vida, assumindo-os como problemas para os quais também contribuímos, quantas vezes aceites e dissimulados no quotidiano das pessoas.

A melhor forma de pagar ou cumprir uma promessa é dar de si, é dar-se, para que a mudança aconteça.

(publicado no Açoriano Oriental de 18 Agosto 2008)

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