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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Hoje é dia das montras

E hoje é também para muitos, se calhar mais velhos, o dia da mãe!

Em tempos, por influência do calendário religioso, 8 de Dezembro era o dia de Nossa Senhora da Conceição e também o dia das outras mães, as “mães da terra” como se aprendia na catequese.

Um dia para festejar a dedicação das mães; lembrar essa atenção tão entranhada que faz uma mãe sentir e pressentir de forma tão especial. Ser mãe é sentir o som alterado da respiração do filho que dorme ou o remexer do bebé com cólicas; é pressentir que o silêncio poderá ser sinal de alguma traquinice ou que no olhar do filho adolescente há um sofrimento, um desgosto, não revelado.

Há já alguns anos que este dia deixou de ser o dia das mães. O comércio falou mais alto e o mês de Maio passou a ser mais favorável para reanimar as vendas e criar mais uma ocasião especial. Mas, apesar de não ter o encanto de outros tempos, talvez porque eram poucas as montras e os produtos no Natal eram sempre diferentes do resto do ano, o dia 8 de Dezembro continua a ser um dia mágico para as crianças que maravilhadas percorrem as ruas, escolhendo de dedo apontado as prendas que gostariam de receber.

Ser mãe é também aprender a lidar com os desejos dos filhos; é educar as crianças a saberem sonhar, fantasiar e ao mesmo tempo a serem realistas, humildes no pedir. Educar o desejo é criar ambição nos filhos mas, ao mesmo tempo, ensinar como a vida se constrói com trabalho, com esforço. Lidar com o desejo é saber dizer “não é possível”, e encontrar nesses desejos prioridades. “Vamos lá ver o que é que o Pai Natal poderá trazer? Temos de pensar em todos e que todos querem receber uma prenda? Não podemos ter tudo! Lembra-te daquele brinquedo que tanto desejavas e, afinal nunca brincaste com ele o ano inteiro!”

Ser mãe é também ser uma referência, um porto seguro onde os filhos vêm sempre se abrigar nas boas e, sobretudo, nas más horas.

E como é importante ser esse porto seguro! Como é importante ter alguém que nos dá a noção certa da realidade; sem nos impedir de sonhar, nos ajuda a ver como podemos viver esse sonho, conquistando-o dia após dia; porque as mães tocam-nos por dentro, como se existissem umas ondas que apenas servem para comunicar entre mãe e filhos, um canal especial por onde passam emoções fortes, radiações que só o sentir de uma mãe consegue captar. “Eu conheço-te! Eu sei que não estás bem! Eu sinto-o!”

Em dia das montras, quando os mais pequenos parecem fascinados com tanto brinquedo, para mim hoje é também o dia da mãe e, o pretexto para lembrar como ser mãe é ser colo, presença e ouvido atento; carinho de um beijo ou de uma comida que deixa marcas de saudade. “Nunca mais fizeste! Tenho desejo de; Ninguém faz este prato como a minha mãe!”

De nariz colado ao vidro da montra, uma menina sonha, imaginando como será que o Pai natal vai entrar naquela loja para embrulhar aquela boneca que ela tanto gostaria de receber! Oh mãe, achas que o Pai Natal vai partir o vidro da loja?

(publicado no Açoriano Oriental de 8 Dezembro 2008)

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