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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

20
Dez09

Participar é poder

sentirailha

 

Fala-se muito de solidariedade, sobretudo neste tempo de Natal, mas vive-se cada vez mais mergulhado no individualismo. E, o individualismo mata a solidariedade e torna selectiva a aproximação ao outro, sobretudo quando não aparenta ser um de “nós”.
O mundo divide-se em “nós” e “os outros”. Constrói-se a partir do ego ou de um centro, de onde se perspectivam periferias, margens, que se diz apoiar, mas que na realidade vivem na dependência de um poder centralizado. Paga-se a segurança e defende-se a liberdade, criando barreiras sem muros, anulando a diferença. Protegem-se as crianças, evitando que convivam com os filhos desses outros, que entretanto se ajuda por altura do Natal. Defende-se a democracia, mas não se abdica do poder centralizado.
O centralismo é uma forma disfarçada de autoritarismo. Arroga-se o direito de decidir, porque entende ser dono da verdade. Apropria-se do que é de todos, tranquilizando os outros, para que entreguem e confiem o poder a “ boas mãos”. Destroem-se iniciativas localizadas, espontâneas, por ventura de dimensão limitada, esquecendo que decisões participadas são mais ajustadas à realidade.
Participar não significa, “dá aí uma ajuda, quando puderes e se te apetecer”, mas implica a abertura de um grupo, executivo ou equipa à partilha do poder e da decisão; significa cooperar e co-responsabilizar.
O poder só se humaniza quando é participado por todos, sobretudo pelos que vivem nas “margens”, na periferia, pelos que não se fazem ouvir mas que têm opinião. Sem o direito à participação, não existe defesa de bem comum.
Não é utopia fazer participar os cidadãos na definição de prioridades.
O Orçamento Participativo é hoje uma prática comum em muitos municípios do Brasil, particularmente Belo Horizonte e Porto Alegre e já se estendeu a alguns países europeus, incluindo Portugal. Ao fazer participar o poder local, mais próximo das populações na definição de prioridades, aumenta-se a eficácia do investimento.
Descentralizar a decisão, fazer participar é comprometer os cidadãos no dever de escolher e não apenas no direito de beneficiar. Participar não é assistir, mas cooperar. Participar é ter e partilhar o poder.
(publicado no Açoriano Oriental de 14 Dezembro 2009)
 
16
Dez09

O coro

sentirailha

 

Fazer a experiência de cantar num coro é ter a oportunidade de descobrir o sentido de comunidade, partilha e aprender a valorizar o contributo do indivíduo para o bem comum.
Num coro, há várias pessoas, várias vozes, com timbres diferentes, normalmente organizadas em grupos, que interpretam as músicas em registos diferentes que se harmonizam.
Num coro há potencialidades individuais. Certamente que cada um tem uma voz bonita, forte, mas isso não significa que valha mais ou menos do que a do outro que também integra a mesma comunidade de vozes. São todas importantes. E, são todas necessárias para a harmonia musical.
Por isso, o facto de alguém ser soprano ou tenor, as vozes feminina e masculina que atingem os sons mais agudos, e que por isso interpretam o que costumamos chamar de primeira voz, não significa que esteja em primeiro lugar. Ser primeira voz num coro não é estar à frente dos da segunda, mas sim, interpretar a mesma peça de música num outro registo vocal.
Uma das regras básicas de quem canta num coro ou mesmo para quem participa numa orquestra, numa filarmónica ou numa banda musical, é a de que o instrumento que cada um interpreta, e a voz também é um instrumento, não se ouça acima dos outros.
Ninguém deveria participar num conjunto para se ouvir a si mesmo, mas para contribuir para a harmonia de um som colectivo. Por isso, os talentos individuais são importantes, quando se fundem e enriquecem o talento colectivo.
Até mesmo o solista, quando interpreta um determinado trecho musical, valoriza o bem colectivo. Se assim não fizer, estraga a interpretação colectiva, desafina, perde o ritmo e prejudica o resultado final.
Um coro é semelhante a uma comunidade/sociedade.
Cada cidadão vale por si, é dotado de qualidades, competências, mas se as não puser ao serviço do bem comum, e procurar valorizar o colectivo, a sua participação individualista, centrada sobre si mesmo, destrói a harmonia do colectivo e, ao invés de a qualificar, estraga o resultado final.
Sem solidariedade não se constrói uma comunidade e sem valorizar a participação de cada um e de todos, dificilmente se consegue unidade.
(publicado no Açoriano Oriental de 30 Novembro 2009)

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