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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Sensibilidade social

Esta é uma qualidade que hoje se reclama aos políticos e às políticas, sobretudo quando se pretende investir no desenvolvimento e na melhoria da qualidade de vida das populações.

Mas será que ter sensibilidade social é uma virtude ideológica ou um dom inato que apenas alguns possuem?

A sensibilidade é uma consequência directa da compreensão. Quem não compreende não pode ser sensível, porque não é permeável às dificuldades dos outros e dificilmente consegue entender que todo o comportamento, decisão ou opinião só faz sentido quando é contextualizado, tendo em conta o tempo e o espaço, a história e as circunstâncias.

Um político com sensibilidade social compreende a realidade, desde logo, porque valoriza as pessoas, antes do dinheiro; considera os valores culturais, a identidade, os direitos humanos, mais do que mercantilização dos bens ou o património; preocupa-se com as causas, em vez de investir no disfarce das consequências.

Vivemos tempos difíceis. Mas o modo como o governo da República tem anunciado o corte nas despesas revela uma total insensibilidade social, o mesmo é dizer uma não compreensão das realidades que pretende “emagrecer”.
Não faltam exemplos. Mas citemos apenas os mais recentes, que irão afectar o nível de saúde dos portugueses.

Pretende-se poupar dificultando o acesso aos contraceptivos hormonais, a pílula, sendo este o método mais utilizado pelas mulheres portuguesas, depois de décadas de atraso e ignorância em matéria de fecundidade e contracepção?

Pretende-se ainda poupar à custa da redução do número de transplantes, comprometendo as vidas de todos aqueles que aguardam a doação de órgãos e não têm meios para recorrer ao estrangeiro?

Onde está a sensibilidade social deste governo?

Sensibilidade e compreensão são duas realidades que se ligam e se alimentam mutuamente. Quem aprofunda a compreensão, torna esclarecida a sua sensibilidade e assim, melhora a sua capacidade de entendimento e de empatia com a realidade.

Ser sensível em termos sociais é defender um estado social, que dá prioridade ao investimento na educação, saúde e protecção social, e cria condições de desenvolvimento e progresso. Aliás, o actual ministro das finanças reconheceu a importância deste investimento num recente encontro da JSD, quando afirmou que esta geração de jovens é a mais bem preparada dos últimos tempos e que, por isso, deve estar agradecida ao Estado Social. Só faltou dizer, e ao governo anterior.

Infelizmente, se esta geração beneficiou e hoje tem aspirações maiores, as próximas correm o risco de viver pior que os seus avós.

Decidir com sensibilidade social, exige considerar as pessoas antes do dinheiro e defender os direitos humanos primeiro do que os interesses económicos.

Infelizmente, o que o país tem visto e ouvido, nos últimos tempos, é um governo que monda os canteiros, arrancando as flores. Que país vamos ser, ou poder ser, depois de pagas as dívidas e estabilizadas as contas?

Quando falha a compreensão, perde-se o bom senso e apenas se decide no curto prazo, sem ambição ou visão de futuro, sem sensibilidade social.

(publicado no Açoriano Oriental de 12 setembro de 2011)

Televisão para insulares

Ao contrário do que afirmou o Ministro Relvas os açorianos não são “portugueses como os do continente”, nem nunca serão.

Não importa onde nasceram, se nas ilhas, no helicóptero ou na lancha, no continente ou até noutro país. Quem vive nos Açores sabe bem que a portugalidade nestas terras tem identidade própria. Faz-se da integração do mar como estrada, dos sismos como dimensão geofísica, de ventos fortes como isolamento, da distância que limita e da relação com uma natureza prodigiosa, quepacifica e reforça a liberdade interior.

Quem vive e ama os Açores reconhece que a autonomia não é um privilégio, mas o direito a assumir responsabilidades de forma descentralizada, sem afastar ou isolar mas tornando interdependentes, as regiões com o todo nacional.

A instauração dos órgãos de governo próprio em 1976 culminou uma luta de séculos, pela autonomia e a afirmação de um povo com cinco séculos, que sempre reivindicou um tratamento diferenciado e específico e o respeito pela dignidade e a capacidade de decisão adequada à realidade do viver nestas
ilhas.

Centralistas, sempre houve, sobretudo aqueles que nunca deixaram de classificar e de sentir as ilhas como adjacentes ou que sendo insulares têm vergonha de defender o que é “nosso”.

Soa bem ao ouvido dos centralistas os comentários do ministro Relvas, ditos em tom de desprezo, com alguma pontinha de sobranceria, fazendo estalar a língua e tirando os óculos, qual professor que anuncia a negativa no teste: “24 milhões! É muito dinheiro, quando os habitantes locais têm acesso a outras antenas da RTP, como os portugueses do continente”.

Muito dinheiro, despesa que o país, aparentemente, não pode suportar. Pena é que não se diga que esse montante representa 3% do orçamento da estação pública de televisão e que o centro regional dos Açores data de 1975, contemporâneo da instauração do regime autonómico, do qual é parte integrante, e que muito contribui para o inter-conhecimento dos açorianos e a sua afirmação no mundo. E o que dizer de outros canais, criados muito depois, como a RTP-I (1992), RTP-África (1998) ou a RTP-N (2004)? Quanto custam? Qual a percentagem de programação própria, por exemplo da RTP-I ou da RTP-África?

Nas palavras do Sr. Ministro, o serviço público deve ser enlatado em “quatro horas de emissão regional”, quando nem no primeiro dia, a 10 de Agosto de 1975, tal aconteceu. Mas afinal, quais são as conclusões do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, onde os Açores não tiveram direito de representação?

Muito dinheiro? Quase nada! Se considerarmos, por exemplo, que os direitos de transmissão dos jogos da Liga de futebol para a época 2012/2013 vão custar 50 milhões à Sport TV (C.M 23 Out.2010) ou que um jogador do futebol português foi vendido por 40 milhões a um clube espanhol.

Defender um canal de televisão dos Açores é defender a autonomia, o direito à diferença e à especificidade açoriana e reivindicar um melhor serviço público que seja mais pedagógico, divulgue informação rigorosa e continue a ser o elo de união entre açorianos, onde quer que vivam.

(publicado no Açoriano Oriental, 5 Setembro 2011)

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