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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Este parte, aquele parte....

Cresci ouvindo esta canção e sempre que alguém trauteava esta música ao som de um violão, sentia uma tristeza imaginando ranchos de pessoas caminhando por campos de trigo, de sacas às costas, arqueadas com o peso dos haveres, chorando... Via lenços brancos acenando de longe... e aquela mancha de pessoas perdendo-se no horizonte.... partindo em busca de melhor vida.

Partir ... é um verbo doce amargo, que traz consigo viagens com e sem regresso... despedidas e abraços sentidos... dedos que se desligam até não poderem se tocar.

Partir recorda-me barcos a vapor abandonando o cais, levando militares para África, famílias inteiras que rumavam para um Novo mundo, estudantes em fim de férias... acenando do cimo do convés ou da porta de embarque do aeroporto. Partida é aquele último olhar no retrovisor onde se destacam as figuras daqueles que deixamos ao portão em fim de férias. Até para o ano, até Deus querer, até sempre...

Este parte, aquele parte e todos, todos se vão....

É uma canção datada, que recorda a emigração de milhares de pessoas dos campos, que procuravam nas cidades a felicidade, a fartura, o futuro dos filhos.

Emigrar, emigrantes, eram palavras que tocavam as vidas de muitas famílias e marcavam o calendário das chegadas, quando desciam as escadas do avião... era dia de festa. A família toda reunida à espera de reconhecer os rostos alterados pelo tempo, endurecidos pelo trabalho nas fábricas.

Como mudaste, estás bonita, ele está tão grande, quem o viu partir....agora é um homem.

As cartas de chamada e as sacas de América, eram sinais de que o sucesso era possível, mesmo que poucos adivinhassem a que preço. Mas havia abundância, trabalho, e o que estas realidades permitem ter, uma casa, um carro e roupas novas.

O tempo foi passando, as vidas foram ficando melhores e aos poucos os números da emigração foram baixando até serem residuais. As vozes diziam, satisfeitas, que já não era preciso emigrar, temos quase tudo o que a América oferece. Os frigoríficos cheios, os supermercados com variedade, as roupas de marca e uma qualidade de vida invejável.

Crescemos a distanciamo-nos da emigração que afetou a juventude dos nossos pais e retirou ativos de muitos concelhos. Aos poucos parecia que retomávamos o equilíbrio, vendo nascer e crescer as crianças na terra, criando empregos e fixando famílias. Algumas, poucas, até regressavam da emigração, para investir na terra que lhes serviu de berço, porque nunca esqueceram as raízes.

Agora, pensávamos nós, cabe-nos a vez de receber outros povos que buscam melhorar as suas vidas, imigrantes de países de leste ou africanos.

Mas, apesar de termos vivido na pele a saída de tantos, nem sempre soubemos acolher da melhor forma os que procuraram ajuda nas nossas terras.

Talvez porque a emigração era assunto do passado, agora era tempo de partilhar negócios, promover viagens e transações, sobretudo com emigrantes de sucesso. Passaram-se mais de cinquenta anos. Até há bem pouco tempo, a emigração era um problema histórico e demográfico que tinha afetado a pirâmide etária no século passado.

Mas de novo, a música regressa e “este parte, aquele parte e todos, todos se vão....

As palavras pesadas desta letra ressuscitaram, ganharam vida para a geração dos jovens, os nossos filhos, aqueles que criamos na certeza de que o mundo ia ser diferente...

Hoje não são os campos que se esvaziam, mas os jovens qualificados rumam a outras terras à procura de trabalho.

O país fechou as portas para balanço, emperra-lhes o futuro, como se eles pudessem esperar, e aguardar por melhores dias, sentados, com o diploma nas mãos ...

Aguardem, não tarda muito vamos ter uma retoma! Vejam! O desemprego até está a baixar!

O futuro não se congela, para mais tarde retomar o seu curso. Hoje, vivemos o futuro de ontem e cada dia que passa é tempo desperdiçado, é futuro comprometido, sobretudo quando deixamos jovens à margem, à espera... sem resposta.

Não há criação de riqueza sem investimento no capital humano, não há crescimento da economia sem a participação das pessoas. A economia mesmo que cresça não gera desenvolvimento se não for pensada com e para as pessoas. Mas será que isso interessa a este país? A esta região? Para onde vamos? O que queremos fazer das qualificações que instamos as famílias a proporcionar à geração mais jovem?

Este parte, aquele parte, e o país fica mais pobre porque dispensa, desiste de investir nos seus membros.... e manda-os aguardar...

Tarde de mais.

Alguns já foram.... e muitos mais irão.....Portugal ficas sem filhos que possam cortar teu pão.

 

PD, 28 Agosto 2014

Entrar na tela

O mundo é uma tela que olhamos à distância sem compreender os detalhes figurativos. Lugares emblemáticos, edificios e monunmentos, paisagens, figuras humanas, tudo nos parece distante, estático, ilustração de um desconhecido que, por nunca termos visitado, se transforma em lugar idílico.

Mas as telas são momentos, retratos estudados para passarem uma imagem, um ângulo, um ponto de vista.  

Quando nos aventuramos a penetrar nessa figuração, qual Alice no país das maravilhas, descobrimos uma realidade bem diferente.

Do lado de fora, tudo parecia retocado, idealizado, as cores eram brilhantes e os personagens estavam posicionados de forma estratégica.

A imagem da tela não parecia ter defeitos ou irregularidades, que só emergem quando nos atrevemos a ver de perto. Os lugares imóveis ganham cheiros, as figuras amontoam-se, as paredes mostram-se desgastadas e os ferrolhos das portas rangem quando as abrimos.

Afinal, o brilho das imagens não é verdadeiro, as purpurinas da tela tornavam novas as figuras desgastadas, e só quando os abordamos damos conta que os vendedores há muito deixaram de ser genuínos comerciantes de produtos locais.

Onde antes as imagens eram de calma e até de romance, a realidade revela ruído, confusão, um lugar que não dá espaço aos afetos, mas afasta as pessoas da autenticidade. É um faz de conta, que se vende, porque poucos são os que procuram a história e a verdade dos lugares. Compram o postal retocado, em vez de tirarem fotografias, levam recuerdos em vez de produtos locais, feitos por mãos experientes de artesãos com histórias para contar.

Num faz de conta, de quem está mais preocupado em colecionar lugares, postais, do que em viver experiências, vão se destruindo identidades, desmoronando histórias, ignorando realidades. Os números de visitantes acumulam-se e isso é que interessa.

Não consigo deixar de sentir o cheiro a esgoto nos canais de Veneza, reconhecer a falsidade nos produtos para turista consumir, ficar surpresa por não encontrar autenticidade no vendedor que me faz crer que um tecido produzido numa qualquer fábrica do oriente, é o resultado da história e da sabedoria locais.

Tudo parece estar invadido por consumidores ávidos de postais, que procuram a imagem da tela, do panfleto, indiferentes ao que realmente faz e representa o mundo que visitam. A tela sobrepõe-se à realidade e quando regressam a casa, pouco importa se sentiram ou não o mundo, colocam uma bolinha amarela na tela, vangloriando-se perante os amigos, de que ali, já estiveram, colecionando viagens, como quem preenche um álbum de cromos.

O mundo não é uma tela, mas um lugar onde aprendemos a conhecer os outros e a nos conhecer a nós próprios, se o que procuramos for a autenticidade do lugar, o caráter genuíno das pessoas.

Escrever

Escrever é uma pratica diária para muitos, esporádica para outros, desconhecida para um numero demasiado elevado de pessoas.

A necessidade de passar a escrita o pensamento, os propósitos, mas sobretudo os sentimentos e emoções, nasce com a descoberta da força das palavras. Palavras, muitas com que construímos frases e abrimos caminho como quem afasta a vegetação numa floresta densa de sentidos.

Escrever é um prazer imenso, uma espécie de sede que se mata, a libertação de um momento onde somos sempre confrontados com o próprio ser e ao mesmo tempo olhamos o mundo num flash.

Há muito que ansiava por voltar a escrever...a descrever ....a ver os caminhos por onde me levam as palavras.

Escrever é muito mais do que alinhar letras....é encontrar sentidos, fazer escolhas, entre o que deve, pode ou é para ser dito. E faz toda a diferença. Quando alguém diz que algo deve ser dito, considera-se mediador de uma mensagem. Quando a questão se situa no deve ou não ser dito, então vem ao de cima o contexto, as regras de conveniência, o juízo coletivo, a censura. Mas as palavras tem uma força própria, que encarna a liberdade, a identidade, o ser genuíno da humanidade. E quando essa essência assume o comando da escrita , então é porque as palavras são para serem ditas. 

Escrever,sentir de novo a vida através das palavras.

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