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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Deveres humanos

No passado dia 10 de Dezembro comemorou-se o dia mundial dos Direitos Humanos, uma data assinalada desde 1948.

Apesar das leituras e interpretações sobre esta carta de princípios, a Declaração Universal dos Direitos Humanos representa um grito de alerta contra os horrores a que a humanidade pode chegar, quando não respeita o valor da dignidade.

Ainda hoje, esta Declaração obriga-nos a pensar no património comum partilhado por todos os povos, independentemente da língua, cultura, religião ou ideologia. Novos ou velhos, homens ou mulheres, somos todos membros da mesma humanidade.

Sendo um marco na história universal, porque motivo só no século XX se concluiu da necessidade de afirmar os Direitos Humanos?

Que sociedades somos hoje, que não éramos antes de 1948?

Quando lemos a História somos obrigados a recordar os acontecimentos que precederam a declaração universal dos Direitos Humanos. Um tempo onde milhares de seres humanos foram dizimados, por razões políticas e ideológicas; e foram mortas muitas crianças inocentes que mal conheciam as razões porque eram presas e torturadas.

Homens e mulheres foram vítimas de políticos sem escrúpulos que usaram o poder para oprimir, condicionar e punir quem entendiam não ter direito a viver ou a ser feliz.

Mas, será que essa parte da história, que envergonha e entristece, ficou enterrada no tempo?

Parece que não. Num país como a França, há quem se apresente ao eleitorado prometendo recuperar a pena de morte, retirar o direito à educação ou ao emprego a quem não for francês e eliminar quem for considerado "nefasto" para a sociedade dos "incluídos".

O mundo parou para pensar há setenta anos mas, ainda agora, viola sistematicamente os princípios que defendeu então. Calam-se as vozes dos mais desfavorecidos e dos que vivem na precariedade, por receio de perder o emprego ou ser vítima de discriminação.

Afinal, passados estes anos, ainda temos de falar de Direitos Humanos ou não será antes de Deveres?

Os direitos estão consagrados e tem de ser ensinados, mas se as gerações atuais não tiverem consciência dos seus deveres para com os outros, esta carta universal corre o risco de não passar de mais um tratado histórico.

Deveres humanos são sinónimo de comportamentos empenhados, prova da consciência cívica e da quota parte, que cada um de nós pode dar, na resposta aos direitos dos outros.

São deveres humanos que nos faltam. Deveres de denúncia da injustiça, assistência sem discriminação, respeito pela diferença e de ouvir a voz de quem habitualmente não a tem.

São deveres de todos, onde quer que vivamos ou trabalhemos. Todos temos o dever de construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva.

Enquanto não concretizarmos os deveres que a humanidade nos impõe, dificilmente os direitos humanos serão defendidos.

A justiça social não é uma questão de tribunais, mas a expressão de quem promove a igualdade de acesso, a equidade e o respeito pela diferença.

A dignidade não vem inscrita no cartão de cidadão mas, sem dúvida, é o que nos torna pessoas e nos faz ser e reconhecer a humanidade do outro, um ser com nome, história e necessidades.

Setenta anos depois, falar de Direitos Humanos obriga-nos a pensar no quanto está por fazer para que não haja injustiça, violência ou discriminação.

Afinal não ficou tudo resolvido com a Declaração de 1948. Ainda agora, falta cumprir, na íntegra, o espírito dos princípios nela consagrados; falta reconhecer a dignidade como um direito de todos.

(texto publicao no Açoriano Oriental de 13 dezembro 2016)

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