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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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24
Jan18

Desinteresse

sentirailha

Eis a designação de uma doença grave que atinge, por vezes, de forma intensa e prolongada, uma parte dos cidadãos. Diria que não escolhe idades, mas é sobretudo manifestada pelos mais jovens.

"Não me interessa, não me apetece, hoje não! Quem sabe, amanhã!?"

O desinteresse é um sentimento, supostamente neutro, que corrói a motivação, o espírito empreendedor, a vontade e toda e qualquer força interior que permite ao ser humano ser proactivo, lutador e capaz de enfrentar as mínimas ou as máximas dificuldades.

Esta forma de se afastar, desistir, que leva muitas vezes ao isolamento, cria um vazio, quando não é mesmo uma barreira, que parece intransponível para quem procura motivar, agitar esse marasmo. Nada parece funcionar. Que o digam os pais que organizam um passeio e o filho adolescente recusa-se a ir, ou os professores que mudam a estratégia na sala de aula e, mesmo assim, não convencem os alunos a participar, ou ainda, os próprios jovens que organizam atividades e recebem um redondo não, dos adultos que não veem qualquer interesse em fazer diferente o que sempre foi assim.

O desinteresse é o pai da desmotivação, do marasmo e da estagnação. Tudo o que concorre para que não haja mudança, desenvolvimento e transformação.

Por tudo isso, é importante combater o desinteresse.

Não é preciso fazer o pino ou inventar a roda, porque não basta inovar nas respostas. É preciso, antes de mais, compreender a origem da desmotivação.

O desinteresse leva ao isolamento e esse é um sinal de alerta, quando alguém perdeu ou deliberadamente rompeu a relação com o outro. Não se sente útil, nem necessário. Não vê qual o seu contributo, qual a diferença que a sua participação pode fazer. Por isso, julga que estar ou não estar presente, não faz qualquer diferença.

O desinteresse toma conta dessa apatia e cria rotinas centradas no próprio, onde os outros são, aparentemente, dispensáveis.

Por isso, antes de inventar viagens, passeios, estratégias para mobilizar quem nunca quer participar, o mais importante é ouvir, escutar e valorizar a pessoa que cada um é, o contributo que cada um pode dar.

O mundo não muda apenas porque há políticos preocupados com o desenvolvimento e organizações internacionais a negociar a paz ou a concretizar projetos inovadores.

O mundo precisa de cada um de nós para construir uma humanidade melhor, tal como a praia precisa de milhões de grãos de areia.

Cada um de nós é como um grão de areia, ou se quiserem, um grão minúsculo de fermento, que pode, em conjugação com os outros, transformar a massa, mudar a paisagem, fazer a diferença.

Se não reconhecermos esse poder, se não acreditarmos na força que cada pessoa tem, nada nos irá motivar, não há interesse em participar, o mesmo é dizer, não há razões para nos ligarmos aos outros.

Combater o desinteresse é descobrir o prazer de estar ligado à natureza, ao mundo, aos outros que nos rodeiam e, ligados, contribuir para transformar, intervir, participar.

Há que estar alerta, porque o desinteresse favorece as dependências, nomeadamente a dos videojogos, recentemente reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, como perturbação mental.

O desinteresse enterra o ser humano em si próprio e destrói a dimensão que o faz ser pessoa, ou seja, ser relacional por natureza. Precisamos todos uns dos outros e sem cada um de nós, sem o pequeno contributo que cada um dá, o mundo seria bem mais pobre.

(texto publicado no Açoriano Oriental de 23 janeiro 2018)

12
Jan18

Que de hoje a um ano...

sentirailha

Este é o desejo de quase todos: que de hoje a um ano possamos erguer de novo a taça e brindar!

No entretanto, há um novo período de vida, quatro estações e muitos dias para preencher no calendário.

Viramos a página, começamos de novo, abrimos uma nova agenda e o contador do tempo foi posto a zero.

Um primeiro dia é sempre um motivo de esperança, para começar ou recomeçar, para renovar ou descobrir.

Não é que esses começos não possam estar associados a outras datas, o dia do aniversário, quando se festeja um acontecimento marcante, o dia do casamento ou do divórcio, o nascimento de um filho ou a entrada num emprego.

Não faltam marcas registadas na memória e é exatamente aí, nesse baú de recordações, que vamos buscar a energia para enfrentar o novo ano. Há experiências guardadas que nos servem para a vida inteira, lições que aprendemos com erros cometidos, sucessos que obtivemos, quantos não reconhecidos! E o tempo vai confirmando a justeza dessas aprendizagens e amadurecendo a sabedoria para lidar com a vida, as dificuldades e ser mais realista na definição de objetivos.

Um novo ano é sempre uma oportunidade para apontar metas, recolocar a fasquia, alimentar desejos e sonhos porque, como diz a canção, "o sonho comanda a vida".

Mas, dirão alguns, há quem tenha os sonhos enterrados e sente-se incapaz de desejar ou ambicionar. Como se encara o novo ano, quando a tristeza bateu à porta, a morte ceifou um dos nossos, a saúde está abalada ou as condições de vida não são as melhores?

Aos poucos e sem nos darmos conta, ficamos entulhados em sentimentos, bloqueados diante dos problemas, angustiados perante o dia de amanhã. Aparentemente, fica-se sem futuro, o tempo pesa como condenação, os outros incomodam e não apetece rir.

Um sorriso de uma criança pequena, a brincadeira do cão de família, a planta que floriu, a beleza do presépio montado na sala, a luz de uma vela, faz-nos parar e a esperança de conseguir, quase como por magia, parece querer renascer.

É no momento, no detalhe ou no pormenor que a vida se revela.

Há quem possa fazer grandes planos, outros nem por isso. Mas todos podemos nos concentrar nos pequenos pormenores e descobrir a beleza de uma flor, a vida que brota de uma semente deitada na terra escura. E, se levantarmos os olhos, há sempre quem nos sorria no café ou na padaria, quem nos diz "bom dia" e nos obriga a responder e a reconhecer a simpatia.

A vida recomeça aí, nesse instante! Temos de agarrar o momento, viver o segundo, aproveitar a brisa e sentir o perfume. A vida sente-se, passa, nesse instante único.

Os grandes planos concretizam-se quando acumulamos pequenas experiências, guardamos memórias que nos fazem sorrir e que, nas horas mais difíceis, recordamos, com saudade.

A saudade não é tristeza, é boa memória guardada.

É um facto, somos portugueses, talhados ao som do fado e dramáticos, nostálgicos do que já fomos. Não somos os melhores a pensar o futuro, porque nos habituamos a valorizar o passado, o que já fomos ou fizemos. Como dizia alguém, Portugal é o país do "já houve!"

Enfrentar um novo ano exige fazer do baú das memórias e do rol de saudades acumuladas, um poço de energia para enfrentar os desafios do dia de hoje, por ventura de amanhã e deixar acontecer, dia após dia, o novo ano que agora nasce.

E que, daqui a um ano, possamos estar de novo aqui, neste blog, partilhando ideias e emoções!

Bom 2018 para todos! 

(texto publicado no Açoriano Oriental de 9 Janeiro 2018)

 

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