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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Tempo de férias

O Verão está aí, o mar e o sol convidam ao descanso! As crianças, libertas da escola e dos "deveres" reclamam o direito à brincadeira, ao lazer, ao convívio descomprometido.

Este é o tempo de férias, um período que exige às famílias reorganização do quotidiano, nem sempre fácil, quando os pais não tem dias de descanso coincidentes com as férias dos filhos. Para algumas crianças, isso significa ficar mais tempo com os avós, o que não deixa de ser importante para sedimentar a relação com a geração mais velha.

Para outros pais, a opção passa por colocar os filhos em campos de férias, centros de atividades de verão ou outras iniciativas de ocupação dos tempos livres, e desta forma proporcionar outras experiências de aprendizagem e diversão.

As férias não são para serem passadas a dormir, mesmo que o sono também seja uma forma para retemperar forças. É importante transformar esse tempo de descanso, em memória agradável, depois recordada, revisitada, quando vier, de novo, o tempo das aulas e do trabalho.

Este é um tempo para cada um fazer o que gosta, mas é também um tempo para se reencontrar, consigo e com os outros. Por isso, os pais que trabalham, deviam poder reservar, pelo menos, uma semana, para estarem juntos com os filhos. Uma semana em que possam sentir, partilhar e descobrir o que cada um é, fora das rotinas do dia a dia. Juntos nas idas à praia, nos almoços ao ar livre, nos passeios à descoberta de recantos da ilha, nos jogos de cartas ou nas conversa de fim de dia, depois de um grelhado feito por quem, habitualmente, não cozinha.

Tudo são bons pretextos para juntar e fazer família.

Quando privamos uma criança ou um adolescente destas experiências comuns, estamos a comprometer a sua identificação familiar. A família não é um nome que se carrega ou um teto debaixo do qual se dorme. Ser família implica interagir e dar tempo para se descobrir, na relação com o outro.

A falta destas relações significativas conduz ao egoísmo e acaba por autocentrar cada membro da família no seu próprio mundo, desligado dos outros, indiferente às suas necessidades. Enfiados nos horários, separados por telemóveis e televisões instaladas nos quartos, estas famílias não sabem aproveitar o tempo de férias. Os pais, confrontados com este tempo acrescido de convívio, rapidamente ficam saturados: o que faço às crianças, onde as vou colocar? Isto das férias escolares é muito tempo, a escola devia começar mais cedo! Alguns até programam viagens, mas sem os filhos, para não atrapalhar!

O Verão é um tempo diferente, a natureza canta, os pássaros chilreiam contentes e, logo cedo, a luz do dia convida à atividade!

Este é o tempo de organizar, limpar, sem a preocupação de produzir. Até a terra agrícola pede descanso, desde que não lhe falte a água para fazer crescer o que foi plantado na primavera.

Assim acontece com as pessoas. Precisamos de uma pausa, uma paragem, para podermos apreciar o que temos, quem somos e sentirmos com mais intensidade os outros com quem vivemos.

Este é o tempo para nos encontrarmos, acolhermos e apreciarmos a presença dos outros, escutando as suas histórias e aventuras.

Férias, um tempo saboroso, que nos convida a fazer e a viver em família.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 10 julho 2018)

 

Oh heroína cidade!

O tema das Sanjoaninas de 2018 foi o liberalismo e o papel de Angra do Heroísmo na História de Portugal. Uma página da história interpretada por algumas das marchas que desfilaram pela Sé, ao som de palmas entusiastas.

A Marcha dos Coriscos, fiel ao tema proposto, contagiou a assistência com este refrão: "Oh heroína cidade, foste capital da nação! Lutaste pela liberdade, Rochedo de salvação!; Rochedo de Salvação, nas lutas da realeza; venceste com o coração, foste Ilha Fortaleza."

A história tem de ser vivida, se não, é esquecida. Alguns talvez não saibam porque foi construído o obelisco da Memória, que se ergue no alto da cidade de Angra?

Este é um símbolo das lutas liberais e da vitória sobre o Absolutismo, que valeu a Angra o nome de Heroísmo.

Dar sentido ao património, material e imaterial, é fundamental para as gerações mais jovens aprenderem a conhecer o povo a que pertencem e os valores pelos quais lutou no passado. Valores que, ainda hoje, nos movem, como é o caso da liberdade.

Viver em liberdade nunca é uma dádiva ou uma garantia mas, será sempre uma conquista perante poderes absolutos, líderes ditadores ou indivíduos autocratas.

Nada está garantido, nem nada é gratuito, quando se trata da defesa de princípios.

Por isso, é importante relembrar a história, que se esconde em edifícios, documentos e na vida de personagens, muitos dos quais dão nome às ruas por onde passamos.

O pior que podemos fazer a esse legado histórico é ignorar, enterrar ou desvalorizar, como se tudo pudesse começar do zero, a cada geração que passa.

Fazer memória, do percurso histórico de um povo, é aprender com o passado a dar sentido ao futuro, que vamos construindo no presente.

As Sanjoaninas apelam a esse exercício, de cada vez que escolhem uma página de história para tema das festas, misturando conhecimento com alegria, trazendo a seriedade do passado para a folia do presente.

Precisamos desta alegria que se fundamenta na identidade histórica e cultural que nos molda como povo.

As Sanjoaninas são festas terceirenses, mas porque apelam ao sentimento, promovem a alegria e entusiasmam quem nelas participa, transformam-se em festas açorianas, onde todos se sentem desejados e acolhidos.

Há nove anos que a Marcha dos Coriscos participa nestas festas e são um exemplo de como a alegria não é património de nenhuma ilha ou comunidade. É muito fácil acabar com bairrismos ou divisões entre ilhas, quando respeitamos a cultura de cada uma e descobrimos que a união das diferenças nos torna mais ricos.

A história nunca deve dividir, mas antes fazer memória do que é um povo.

Só ligados pelo afeto, conseguimos transformar as tradições, que nos distinguem, em património comum e perceber que a açorianidade não vem no sangue. Antes é um sentimento que se cultiva na descoberta da diversidade das ilhas, uma ligação que nos aproxima e une, feita de diferentes sotaques e sabores, tecida de eventos e emoções, que nos torna irmãos e faz partilhar uma terra que nos serve de berço e sepultura.

Faz falta falar e ensinar sobre a história dos Açores! E, nada melhor do que aprender em ambiente de festa.

 (texto publicado no Açoriano Oriental de 27 junho 2018)

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