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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

A era do turismo

O aumento exponencial de turistas na região tem tido um impacto direto na vida dos insulares. Ficamos todos muito contentes, porque a economia beneficia destes fluxos; há muitos negócios e empregos que se criam. Mas, não podemos ser acríticos e baixar a cabeça, para não ver os efeitos secundários desta vaga, intensa, de visitantes.

Abrimos a porta das nossas ilhas a quem agora nos descobre com entusiasmo, e isso é positivo.

Mas há que estar atento à forma como recebemos, nos inúmeros "AL" (alojamento local), que apareceram como cogumelos nas cidades e nas zonas rurais, e observar a forma como servimos na restauração, por exemplo, com empregados de mesa que não falam, pelo menos, um mínimo de inglês.

É inacreditável ouvir alguém dirigir-se a uma mesa de estrangeiros, dizendo "my colleague, já tomou nota do vosso pedido?" ou usando uma mímica, atabalhoada, para explicar que havia peixe fresco e perguntar o que queriam beber.

O serviço de mesa-bar é objeto de formação profissional e, é importante, que os empresários desta área contratem esses diplomados e valorizem os conhecimentos que lhes foram transmitidos.

Não podemos continuar a dar emprego ocasional, mal pago e precário, a quem precisa de uns trocos no verão, sob pena de termos visitantes que não vão falar de forma positiva da experiência vivida.

Afinal, o que é que temos de melhor?

Sem dúvida que são os nossos produtos, o peixe e a carne, as frutas e os legumes, os temperos e as tradições gastronómicas, simples, mas cheias de sabor.

Destruir esse património, com um mau serviço e falta de rigor na apresentação, é matar a "galinha dos ovos de ouro" que o turismo pode ser para a região.

Não basta ter voos, nem ter hotéis ou mesmo AL, é preciso receber com profissionalismo, manter elevados níveis de higiene, cuidar e criar limites no acesso ou na utilização de recursos naturais.

Ninguém gasta a paisagem por olhar para ela, mas tudo muda quando olhamos o lixo no chão por não haver recipientes por perto, ou triplicamos o número de viaturas, agravando a poluição do ambiente. Já agora, alguém sabe quantas empresas e viaturas de aluguer circulam durante o verão nas ilhas? Que impacto tem esse parque automóvel, junto com o dos residentes, no nosso ambiente?

O turismo pode ser importante para a economia da região, mas há que pensar na sustentabilidade dessa atividade e avaliar as alterações, boas e menos boas, que este sector tem provocado.

A história económica dos Açores conta-se por ciclos/épocas: ao milho seguiu-se a laranja, depois veio a vaca e agora é o turismo. E, de todas as vezes, não soubemos planear e gerir o território, da forma mais adequada. Já não temos produção de milho e os moinhos estão abandonados ou a ser destruídos, por exemplo, para dar lugar a uma via marginal na Ribeira Grande; escasseiam no mercado as laranjas regionais "de umbigo" e só com muita dificuldade se está a sair da monocultura da vaca para uma agricultura, que não seja só pecuária, integrando a horticultura e a fruticultura.

Somos uma terra fértil, um pequeno paraíso onde ainda se pode ver as estrelas no céu, mas temos de cuidar deste frágil ecossistema. De nada vale ganhar muito hoje, se amanhã ficarmos arruinados.

(texto publicado no Açoriano Oriental de 21 de Agosto de 2018) 

piedade.lalanda@sapo.pt

www.sentirailha.blogs.sapo.pt

Palavra (marca) Açores e Desporto

A palavra Açores não tem género, feminino ou masculino. É mãe da açorianidade e lugar de afeto para quem aqui vive ou se reconhece açoriano ou açoriana.

Mas, a marca Açores é outra coisa, um selo de autenticidade atribuído a produtos, mercadorias e atividades económicas, que promovam os Açores como região de excelência. Nesse sentido, foi entendido que os clubes, participantes em campeonatos nacionais ou internacionais, contribuem para essa promoção e, por esse motivo, anualmente, é-lhes atribuído um apoio financeiro para que utilizem esta "marca" nas camisolas.

Os critérios estão definidos em resolução do Conselho do Governo (71/2016 de 1 abril). E, para além do destaque dado ao futebol e ao automobilismo, não há referências sobre montantes de valor diferente para praticantes homens ou mulheres. O artigo nº 2, alínea e) diz o seguinte: "Nos campeonatos nacionais das modalidades de Andebol, Basquetebol, Hóquei em Patins, Voleibol, Ténis de Mesa e Futsal só serão celebrados contratos, em cada modalidade, com o clube desportivo açoriano cuja equipa, quer ao nível masculino, quer ao nível feminino, participe no nível competitivo mais elevado e tenha obtido a melhor classificação na época desportiva anterior, independentemente da competição ser ou não de nível profissional".

A atribuição destes apoios rege-se por esta Resolução e é suposto cumprir com o Regime Jurídico dos Apoios ao Movimento Associativo (DLR 21/2015/A de 3 setembro) onde, inclusive, se prevê uma majoração do apoio mínimo anual para clubes que mantenham atividade formativa de atletas do sexo feminino (artigo 20º nº 6, alínea a).

Como explicar o texto da resolução do conselho do governo nº91/2018 de 2 de agosto, que diferencia os apoios às equipas com melhor classificação na época desportiva anterior, consoante serem praticadas por atletas femininas ou masculinos?

Há mesmo um clube, o Juncal, em ténis de mesa, que recebe 1600,34 euros para a equipa feminina, metade do valor atribuído à equipa masculina (3168,67 euros).

As equipas femininas de voleibol e basquetebol, cuja excelência e mérito ficaram demonstrados ao longo da temporada, recebem apoios equivalentes a 30% (38.408,10 euros) do valor atribuído às congéneres masculinas (126.520,80 euros). No total, e somando todas as modalidades, o governo decidiu investir em publicidade da "marca Açores", a ser impressa nas camisolas dos atletas de clubes açorianos, 1.852.359,61 euros, dos quais 4,2% a equipas femininas.

É absurdo, vergonhoso e inexplicável. Mesmo que se retire o milhão de euros, atribuído ao futebol da 1ª liga e o apoio destinado aos ralis, as atletas femininas recebem apenas 9,8% dos apoios atribuídos aos outros clubes desportivos, aparentemente, por não "contribuírem para a notoriedade dos Açores". Pergunta-se, como foi medido esse contributo?

 

Por falar de notoriedade, um atleta de doze anos, da ginástica desportiva, recentemente, foi medalha de ouro num campeonato mundial!

A justiça como a igualdade não são princípios naturais. Necessitam de ser instituídos, dependem de decisões políticas, que os reconheçam como valores.

Logo, a promoção dos Açores, associada à excelência desportiva, deve refletir esses valores, porque a palavra "Açores" é muito mais do que uma marca.

(texto pubicado no Açoriano Oriental de 7 Agosto 2018)

Faltam açorianos

A leitura das estatísticas sobre a população residente nos Açores confronta-nos com uma nova realidade. Para além da diminuição da taxa de natalidade, de 14,8 em 1996 passou para 9,2 em 2016, e do índice de envelhecimento que passou de 54,8 em 1996 para 85,6 em 2016, em termos de crescimento efetivo da população, assistimos desde 2013 a valores negativos. Significa isto que o número de pessoas que residem nestas ilhas, face às que vão saindo, por morte ou migração/emigração, é cada vez menor. Em 2016, a taxa de crescimento efetivo foi de - 2.

A Região está a perder população e, sobretudo, está a perder jovens.

Neste contexto há que ser prudente na leitura de indicadores como a taxa de desemprego, porque a sua diminuição não resulta, apenas, de um eventual aumento do número de ofertas de emprego, mas reflete o número cada vez menor de jovens que procuram emprego, sobretudo, se atendermos aos jovens qualificados. Com dados do Inquérito ao Emprego (SREA), em 2013 os residentes com idades entre 15 e 34 anos representavam 30% da população total mas, em 2017, esse valor passou para 27,7%.

Quantos jovens saíram dos Açores, rumo a que regiões ou países? Todos ouvimos falar de enfermeiros, médicos, engenheiros ou arquitetos que, levados por fatores de conjuntura nacional e regional, optaram por emigrar em busca de emprego.

É importante que o Serviço Regional de Estatística (SREA) nos mostre esta realidade. Quem pesquisar dados sobre Emigração na página do SREA, nada encontra. Por sua vez o portal do Governo publica informação atualizada sobre o número de emigrantes para os EUA, Canadá e Bermuda, o que está longe de corresponder à totalidade dos que saem da região para viver/trabalhar no estrangeiro.

Não basta reconhecer que temos de acolher quem nos visita, é importante acarinhar quem pensa em sair, por falta de oportunidades. A região precisa de todos os seus jovens, em particular aqueles que estudam na Universidade dos Açores ou em outros estabelecimentos de ensino superior do país.

Não basta existir o "Estagiar L" se esses "estágios" não estiverem dotados de orientadores ou mentores qualificados. Há quem seja admitido em instituições onde ninguém tem competência para integrar o estagiário na profissão e quando este propõe medidas inovadoras, nem sempre são bem aceites pela entidade empregadora, mais preocupada em ter mão-de-obra "barata" e qualificada. O Estagiar L deveria, obrigatoriamente, conduzir à empregabilidade dos melhores, dos mais empreendedores, dos jovens qualificados com ideias, que necessitam de estabilidade financeira para acreditarem que vale a pena ficar na Região.

Insistir no trabalho precário a "recibo verde", partindo da ideia de que, quem tem 20 a 30 anos tem toda a vida pela frente para fazer uma carreira, é esquecer o investimento académico desta geração, na sua grande maioria, mais qualificada que os seus pais.

O futuro da região depende de mais natalidade, mais rendimento per capita e, sobretudo, empregabilidade qualificada. Por isso, urge fixar jovens, a começar por aqueles que terminam as suas licenciaturas na nossa universidade.

Faltam açorian@s, faltam jovens açorian@s.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 23 julho 2018)

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