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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Honrar a promessa feita

Este é o tempo das promessas, uma palavra de duplo sentido. Primeiro, como micaelenses, associamos à imagem das procissões, onde centenas de pessoas levam círios ou simplesmente caminham rezando.

Ali vão "as promessas"! Aquelas pessoas estão "pagando" uma promessa, dizem! Pediram uma graça, num momento de aflição e, agora, vão descalços, levando o peso de uma criança ou, simplesmente, vestindo preto e rezando, como forma de ação de graças.

Um outro sentido para "promessas" é aquele que anima todas as campanhas eleitorais. E, neste momento, a Europa vive mergulhada em discursos partidários que visam captar eleitores, procurando cada candidato, à sua maneira, convencer os indecisos e converter os outros para que acreditem nas suas palavras, nos propósitos que prometem cumprir, se forem eleitos.

Promessas, do verbo prometer, são por isso anúncios, boas intensões, que preanunciam mudanças, ou assim deveria ser.

Uma promessa, mesmo aquela que se faz na relação com o divino, no meio de um momento de aflição, deveria implicar uma revisão de vida, uma alteração de hábitos ou o reatar de uma relação, que entretanto se perdeu, por conflitos não resolvidos.

A promessa, até pode ser paga, cumprida, mas na prática só transforma a vida dos indivíduos ou das comunidades, quando compromete, ou seja, envolve a pessoa, o crente ou o político, a família ou a comunidade, o partido ou a organização.

E comprometer é muito mais do que prometer.

Comprometer significa estar disposto a mudar, a lutar contra as dificuldades que as mudanças exigem e transformar a realidade, a sua vida ou a vida dos outros. Por isso, o compromisso é um ato de honra, de responsabilidade, que implica aquele que se compromete.

Se, por um lado, as promessas podem parecer palavras bonitas, frases feitas, pensadas para agradar, verdadeiros iscos, que mais não fazem do que negociar favores, por outro, os compromissos são contratos, que criam expectativas reais e que, não sendo cumpridos, trazem consequências. Um compromisso não cumprido pode destruir uma relação, enquanto uma promessa, que se esfuma no tempo, acaba esquecida e desvalorizada.

Talvez por isso, vivemos num tempo onde é mais fácil alguém prometer do que se comprometer. Eu prometo que vou tentar, mas não me comprometo em conseguir!

Eu prometo viver contigo, mas não me comprometo que dure para sempre!

Eu prometo defender a tua causa, mas não me comprometo em dar solução ao teu problema!

Não se comprometer é, em muitas situações, uma expressão do individualismo que grassa na nossa sociedade, que não cria laços duradoiros, nem implica as vidas das pessoas nas soluções. É cada vez mais fácil rasgar promessas, muitas até feitas em ocasiões solenes, envoltas em rituais, com juras e juramentos, mas que, não comprometeram quem as proferiu.

Só quando as promessas se transformam em compromissos, se pode aumentar e reforçar a confiança. E isso tem sido evidente no nosso país e até na Europa, onde os índices de confiança nas instituições políticas são, normalmente, baixos.

Conjugar o verbo comprometer implica o prefixo "se", que envolve os atores no compromisso, "eu me comprometo". Prometer, promessas, podem ser apenas palavras.

Comprometer implica honrar a promessa feita.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 14 maio 2019)

Fazendo pontes

O programa "Bridging the Atlantic" liga as duas margens, da América e dos Açores, num intercâmbio de experiências e vivências que, desde há cinco anos, já envolveu mais de uma centena de estudantes de enfermagem.

O Bridging tem recebido apoio do Governo Regional dos Açores e da DeMello Charitable Foundation, nos EUA. Envolve a Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores e o College of Nursing da Universidade de Dartmouth em Massassuchets. Os estudantes, das duas instituições, aprendem a conhecer o sistema de saúde de cada país e descobrem a importância da diversidade cultural para uma prestação de cuidados de saúde, de qualidade.

Este não é apenas um programa de intercâmbio, mas uma oportunidade de descobrir como se pode qualificar o cuidar, em enfermagem, apesar de nem sempre existirem os recursos ideais. O ser humano quando adoece, onde quer que esteja, precisa sempre de alguém que cuide, não apenas do corpo, mas entenda a linguagem da mente, o sentir da alma e acolha a sua história pessoal.

E, sem dúvida, quando um estudante de enfermagem tem a oportunidade de vivenciar uma experiência em outros contextos culturais, percebe o quão importante é saber comunicar com a pessoa fragilizada e fazer com que recupere as forças do corpo e da mente, agarre a vida e lute contra a doença ou a dificuldade.

Entre os profissionais de saúde, a trabalhar nos Estados Unidos, há descendentes de açorianos. Pertencem a uma nova geração que teve oportunidade de estudar, mas muito devem aos avós e pais que desafiaram a sorte, no dia em que emigraram e procuraram trabalho em fábricas, sobretudo na zona leste, em Massassuchets.

Não é de estranhar que tenha sido aí, junto ao mar, que a comunidade de açorianos cresceu nos Estados Unidos. Vendo o horizonte, imaginando as ilhas do outro lado, ganhou raízes à custa de muito e árduo trabalho e dos filhos, que entretanto nasceram.

Ainda hoje, alguns emigrantes dessa primeira geração, não sabem falar inglês. Para trabalhar, catorze horas por dia, não era necessário. Depois, viviam entre compatriotas, em casas de três pisos, junto de quem lhes tinha enviado a "carta de chamada", irmãos ou pais, mantendo vivas as tradições e o tempero da comida.

Nem tudo foram rosas e, ainda hoje, nem todos vivem sem dificuldades. Ninguém gosta de falar de insucesso, da solidão dos idosos ou dos problemas de quem não tem emprego, documentos e que, por vezes, é apanhado pelas malhas da justiça. Não se julgue que a vida corre de feição para todos. Há quem lute diariamente para conseguir pagar as contas no fim do mês.

Outros, apesar da tranquilidade financeira, continuam sonhando com o regresso à ilha. "Minha rica terra! É na minha terra que eu respiro melhor!"

Lá como cá, a vida dos açorianos mistura sucesso com necessidades, alegrias com sofrimento. O importante é que cada um, na sua área, contribua para, não apenas dar, mas ser resposta a essas necessidades e sofrimentos.

Entre as duas margens do atlântico, os estudantes de Enfermagem, da Escola Superior de Saúde, através do programa Bridging the Atlantic, constroem pontes de cooperação, aprendem a trabalhar em equipa bilingue e dão provas de como o ensino que recebem, em particular, na Universidade dos Açores, os prepara para serem enfermeiros do mundo.

(artigo publicado no jornal Açoriano Oriental a 30 abril 2019)

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