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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Sorrir com os olhos

Só lhes vemos os olhos, tristes, alegres ou preocupados, e reparamos nas rugas, no sobrolho, mais ou menos fechado, ou até nas lágrimas que brilham no olhar.

Os rostos escondidos pelo uso das máscaras ficaram menos reconhecíveis.

“Desculpa, não te reconheci! - Bom dia!”

O fole do pano acompanha a pronúncia das palavras, mas esconde os sorrisos, os trejeitos da boca, até os gestos menos educados, como por a língua de fora! Ninguém vê!

No mercado, o vendedor reconhece uma vantagem nesta obrigação sanitária: os clientes já não têm a tentação de provar as uvas, petiscar nas cerejas ou provar antes de comprar! Já nas lojas de estética, o desalento é evidente: deixaram de se vender os batons, os cremes de maquilhagem, que dão às peles um ar bronzeado ou retocado. Agora, só mesmo os olhos requerem um cuidado especial.

A retrosaria não tem mãos (panos) a medir! Vendem-se metros de tecido e de elástico para confecionar máscaras, a combinar com a indumentária ou com a profissão. Máscaras em forma de bico de pato ou com fole, com “ventiladores” ou até com uma inserção de plástico, para que se possa visualizar a boca.

E esse é um dado importante.

Parecendo que não, parte da nossa comunicação passa pela leitura labial, sobretudo, quando o outro fala numa língua diferente. Somos levados a olhar o movimento dos lábios para melhor entender. Para além disso, é mais do que evidente que o uso das máscaras reduz o volume da voz, cria uma barreira ao entendimento, particularmente quando alguém pretende segredar ou falar, sem que outros o entendam.

Não está sendo fácil comunicar sem poder recorrer aos movimentos da boca, sem conseguir vislumbrar se, quem nos ouve, está ou não de acordo com a nossa opinião. Falta-nos uma parte importante do rosto.

Esta situação permite-nos avaliar como, nas culturas onde as mulheres são obrigadas a cobrir o rosto, isso restringe a liberdade feminina em termos de expressão no espaço público. A liberdade de falar, não se reduz à expressão do pensamento por palavras, mas implica o recurso à linguagem não verbal.

Resta-nos os olhos para podermos sorrir! Brilhantes ou baços, mais ou menos fechados, mais ou menos descaídos por força da pressão exercida pelas sobrancelhas.

Resta-nos a alegria interior ou o desespero!

Mas, dirão alguns, está em causa a segurança, a saúde!

Não sabemos é se a forma como utilizamos esse EPI (equipamento de proteção individual) será muito saudável!? Desde logo, porque só devemos usar máscara, no máximo durante quatro horas, já que isso nos obriga a sentir o odor do nosso corpo e a respirar o anidrido carbono que dele emana.

Para além disso, apesar de conscientes dos motivos que nos obrigam a este sacrifício, nem sempre estamos certos da sua eficácia, porque muitos de nós falham no protocolo a seguir quanto ao bom uso da máscara: não tocar com as mãos, descartar pelos elásticos, deitar fora diariamente as de papel, higienizar a 60 graus as de pano!

Com máscara ou não, precisamos de reforçar a nossa segurança interior e combater o medo, a dúvida e, se calhar, a inércia que muitos ganharam com a quarentena. A pior sequela desta pandemia pode ser o medo. E, um povo sem força anímica, nunca mais recupera!

A vida está aí, à nossa espera, lá fora!

Com força interior, vamos sorrir mais com os olhos!

Texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 9 de junho 2020

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