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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Incerteza

Não há sentimento mais destrutivo do que a incerteza.

Apesar de fazer parte do processo decisório, quando estamos perante várias hipóteses, mais do que uma solução ou caminho, a incerteza torna-se num bloqueio, quando nos impede de fazer escolhas.

Escolher é decidir e assumir o risco de falhar.

Se, no passado, não tivessem havido pessoas que correram riscos, hoje, não teríamos muitas das empresas, algumas centenárias, que fazem a economia crescer; nem conheceríamos soluções tecnológicas, com que nos habituamos a viver, do telefone ao analgésico, da esferográfica à máquina de lavar roupa.

Para combater a incerteza, a dúvida, só mesmo o conhecimento esclarecido e objetivo e a capacidade para ponderar e medir os riscos de cada opção.

Nos tempos que correm, depois de vários meses à espera de um medicamento ou vacina que controlasse o vírus Sars-cov-2, os países e as regiões que atingiram maior controlo do contágio concluíram que, a melhor opção, era voltar a uma “nova normalidade”, mantendo regras básicas, como o distanciamento e as medidas de higiene.

Aos poucos, as populações recuperam a vida, talvez, ainda, não convencidas da solução, porque há quem diga que só ficaremos bem, quando existir essa vacina.

No entanto, todos reconhecemos que há um tempo limite para medidas, tão restritivas, como “ficar em casa”. Era preciso, foi preciso! Mas agora é fundamental dar espaço, para que as famílias respirem, as crianças voltem a brincar, os idosos possam ver os filhos e os netos.

Não podemos ganhar medo aos outros, particularmente aqueles que, neste contexto difícil, respondem ao convite dos media e decidem visitar a região.

Se tomamos a decisão de retomar as atividades económicas, as idas à praia, o desporto e tantas outras dimensões da vida em comunidade, respeitando, é certo, novas regras de convivência, o importante, agora, é consolidar o comportamento adequado, em espaço público.

Temos de reaprender, mas não duvidar.

Podemos não ter a certeza absoluta, como aliás nunca temos em nada que seja do domínio da investigação científica, como é o caso do conhecimento sobre este vírus e a forma mais eficaz de o combater. Não há “antiveneno”, como acontece nas picadas de insetos ou de víboras.

Temos de recuperar a confiança e deixar os terrenos da incerteza.

Mas, ouvem-se vozes: “cada avião que chega traz dezenas de novos contágios potenciais!”. “Estamos a facilitar”, dizem ainda, “não tarda muito, estaremos numa segunda vaga e, de novo, fechados em casa!”.

Temos de alimentar a força anímica. Perante os indicadores de aumento, do desemprego, da pobreza, da violência doméstica, das doenças crónicas não controladas, do número de problemas de saúde mental, que marcaram o tempo da quarentena, não há outra hipótese, se não: colocar a máscara, lavar as mãos e voltar à rua, abrir as portas das empresas, recuperar clientes e reinventar negócios.

Mais do que voltar aos números do antes Covid19, temos de nos reencontrar connosco próprios e voltar a acreditar que, juntos, estamos a fazer a escolha certa. Difícil! Ninguém duvida, mas necessária.

Escolhemos retomar, porque precisamos viver!

Não podemos desistir da vida. Mas, se continuarmos a alimentar a incerteza, iremos matar o que nos resta de vontade e esperança.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental a 3 julho 2020)

Pantufas ou Sapatilhas?

Como responde a esta pergunta?

Para alguns, ter ficado em casa durante quase quatro meses teve algumas vantagens. De calças de fato treino e de pantufas, até o teletrabalho foi facilitado. Por detrás de uma câmara de vídeo, só se vê o tronco!

Aos poucos, as outras rotinas, a prática de exercício físico e o convívio com os amigos foram canceladas.

Agora, que as restrições diminuíram, regressar a essas práticas exige, não apenas o cumprimento de regras sanitárias, mas sobretudo, o combate à inércia criada. Uma inércia que tem levado ao agravamento de outras patologias não vigiadas.

As pantufas são muito confortáveis e, para aqueles que ficaram em casa recebendo o vencimento, a vida acabou por ficar mais cómoda. Alguns, por ventura, até engordaram, com tantos lanches e outras pausas. Agora olham para as sapatilhas com um sentimento de desconforto e, dizem para si próprios, é perigoso, não vou arriscar uma caminhada ou regressar ao ginásio.

As pantufas podem ser perigosas, são o princípio da desistência, um travão à energia, um lugar de refúgio, o princípio do afastamento.

Claro que as regras impostas referem que devemos deixar os sapatos à entrada de casa, uma rotina que antes nos era estranha, mas que há muito é praticada em outros países.  Agora, vamo-nos habituando a calçar as pantufas logo que entramos em casa.

E isso faz toda a diferença! Depois, já não nos apetece sair de novo, calçar as sapatilhas e fazer algum exercício.

A síndrome da pantufa pode ser grave, porque a saúde não se consegue sem sol, ar puro, natureza! Precisamos de reforçar as defesas do organismo, se não queremos virar verdadeiras “flores de estufa”.

Calçar as sapatilhas significa enfrentar a vida com energia, reforçar essas defesas, sentir o corpo e lutar contra a inércia da desistência. Ouvir o coração bater mais acelerado e perceber os nossos limites, no esforço.

O Verão está aí e, seguindo as regras do distanciamento físico, podemos voltar à praia, aos locais de diversão, aos ginásios e à prática do desporto. E isso é fundamental, porque a nossa saúde assim o exige.

Não há melhor forma de lutar contra o risco de doença, do que reforçar as defesas do nosso corpo, escolhendo os alimentos que ingerimos, reforçando a atividade física e descansando o número de horas suficientes para recuperarmos do esforço despendido no trabalho e na vida diária.

Pantufas ou sapatilhas?

Ainda continua a optar pelas primeiras?

É uma tentação, há que reconhecer. Mas não será também um ato de desistência, supostamente, justificado pelo medo ou pelo receio de contágio?

O tempo que atravessamos ensinou-nos que os equilíbrios na vida são muito precários. A qualquer momento, tudo se transforma, tudo muda ou até pára. Em parte, porque raramente aprendemos com os erros. A exigência da higienização das mãos, particularmente à entrada dos hospitais, foi colocada por altura da epidemia da gripe H1N1. Que fizemos depois? Fomos relaxando, abandonando essa prática com a ideia de que “já não é preciso”.

Está na altura de percebermos que a nossa saúde depende de cada um de nós. Como qualquer outro investimento, se queremos ter um alto rendimento, temos de pensar nas escolhas diárias que fazemos e nas respostas que damos a perguntas como: Legumes ou batatas fritas? Doce ou fruta? Pantufas ou sapatilhas?

(texto publicado no Jornal Açoriano Oriental a 23 junho 2020)

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