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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Valha-me Santa Bárbara!

Há riscos azuis que iluminam o céu! Depois, sente-se o ressoar do trovão, como se o céu estivesse a se desmoronar por cima das nossas cabeças!

Valha-me Santa Bárbara! Dirão uns. Que Deus nos proteja! Dirão outros!

Não faltam invocações de proteção na cultura cristã, santos que protegem em todas as situações, cultos que curam todos os males e defendem de todos os perigos, assim acreditam aqueles que usam amuletos, imagens sagradas ao peito ou medalhinhas na carteira.

Por influência de outros credos e culturas, há quem use patas de coelho, espanta-espíritos ou faça tatuagens no corpo, em busca dessa proteção.

Todas estas práticas provam o quão frágil é o ser humano e o quanto precisamos de proteção para as dificuldades da vida, porque se, por um lado, o corpo se adapta, nem sempre possui as defesas necessárias para enfrentar as novas agressões, que a própria humanidade cria, no ar poluído, nos alimentos, criados à base de produtos químicos, na falta de recursos naturais e em tantas outras realidades que causam doenças, mais ou menos conhecidas.

A nossa história está marcada por essas lutas. A lepra, a tuberculose, o ébola, são exemplos de doenças que mataram milhares de seres humanos, num tempo em que se desconhecia a vacina ou a proteção adequada. Hoje, felizmente, são doenças vencidas, para as quais existem vacinas.

O mesmo acontece com outras, que fazem parte do plano de vacinação das crianças, como a Difteria, o Tétano, a Poliomielite, a Hepatite B ou a Meningite.

Alguém se atreveria a considerar desnecessária essa proteção? Infelizmente há quem não acredite na eficácia da vacinação, apesar da comprovada redução da mortalidade e da morbilidade que dela resultaram, fruto do melhor conhecimento da Ciência sobre essas doenças.

Estamos a atravessar mais um tempo de incerteza, por ainda não dominarmos o vírus da Covid19 e não termos nenhum Santo que possamos invocar. Enquanto a vacina não for disponibilizada, resta-nos usar as máscaras e higienizar as mãos.

As máscaras são hoje um objeto de uso diário, que não penduramos ao peito, mas usamos nas malas, nos bolsos, nos espelhos do carro, pendurado junto com a bandeira do Espírito Santo ou o Terço.

Alguns, cansados de as utilizar, colocam-nas nos cotovelos, debaixo do queixo ou levam-nas com o saco das compras. É o único “amuleto” disponível para nos proteger de um vírus que paira, que nos distancia dos outros, enquanto esperamos, pacientemente, que os cientistas encontrem a resposta adequada, a vacina testada e comprovadamente eficaz.

Entretanto, não podemos descurar o recurso às outras vacinas, que têm protegido várias gerações de doenças incapacitantes, até da gripe sazonal, que pode matar os mais vulneráveis, os idosos. Infelizmente há quem duvide disso, até profissionais de saúde!

O ser humano é frágil, vulnerável e, desde sempre, precisou de se proteger para enfrentar as intempéries, as agressões e os riscos. O conhecimento aprofundado dessas fragilidades, chama-se ciência. Uma ciência, que se quer inspirada por valores humanistas, de defesa do bem comum.

Deus fala aos homens através do bem comum. E recusar as descobertas científicas que melhoram a qualidade da vida humana e previnem doenças é, por ventura, não ouvir a voz de Deus.

Valha-nos a Ciência, valha-nos Deus!

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 15 setembro 2020)

Distância física e proximidade social

À porta da loja um letreiro, “mantenha um metro e meio entre pessoas”. Na praia um cartaz, “não menos de 3 metros entre guarda-sóis”, no jornal um anúncio, imagine uma vaca entre si e alguém ou então, um atum, dos grandes.

Mantenha-se à distância dos outros, na areia e no mar, na fila do supermercado ou quando espera a sua vez e ponha os pés em cima do autocolante ou atrás da fita amarela. Inclusive nas igrejas, há letreiros nos bancos para “não sentar” e estão proibidos os abraços da paz.

O distanciamento físico até pode ter algum impacto no controlo da pandemia, mas ninguém deveria referir-se a esse metro e meio ou dois metros de afastamento como “distância social”.

A distância física é controlável, a distância social destrói as relações humanas, mina a construção da sociedade e agrava o fosso entre gerações, classes sociais, grupos ou indivíduos.

Falar de distância social significa perder ou desqualificar a comunicação entre pessoas, já de si dificultada pelo uso obrigatório de máscaras, e agravar o isolamento de membros da família, sobretudo os mais velhos, deixar de conviver com amigos ou colegas.

Temos de guardar a distância física, mas não podemos acabar com a proximidade social, que não se mede em centímetros, mas em compreensão, empatia, palavras e gestos de atenção. A nossa linguagem, verbal e corporal, diz muito sobre quem somos e o que sentimos. E, a vida humana depende de relações com identidade e afetos.

Não podemos, nem devemos agravar o distanciamento social, já de si imenso, quando analisamos os números da pobreza e o fosso entre níveis de rendimento, particularmente na nossa região.

Dificilmente iremos sobreviver como sociedade, se continuarmos a isolar os mais velhos ou se construirmos o quotidiano, com base no medo, na desconfiança ou na indiferença.

Há que recuperar a sanidade, separando o tempo de estar em casa e o convívio familiar, do universo laboral. Quando as casas são também escritórios ou os quartos de hotel, gabinetes de isolamento, cria-se uma nova realidade, confusa, tensa, geradora de grande ansiedade, onde se perdem os limites do que é privado ou público, do que é intimidade ou trabalho, numa lógica totalitária que reduz os espaços e as dimensões da vida, particularmente grave quando se impõe distância física à vida das crianças.

A criança precisa de proximidade para crescer e descobrir o mundo, os outros e o seu próprio corpo; precisa de ser amada, de toque e, sobretudo, de colo. Uma criança não deveria ser obrigada a brincar com os amigos a dois metros de distância, porque brincar e ser amigo é estar juntos.

Medidas de distanciamento físico roubam o direito a ser criança, com repercussões, que só o futuro dirá, no seu desenvolvimento como pessoa.

É compreensível que a reação a esta pressão seja, por vezes, descontrolada. Abrem-se as comportas e as pessoas saem em desalinho, esquecendo a distância física, ansiosas por voltar a sentir e a viver em proximidade social.

Distância física não pode ser sinónimo de distância social.

A distância física afasta-nos do outro, a distância social agrava o nosso desconhecimento sobre quem é esse outro e isso é o princípio das desigualdades, da xenofobia, da prepotência e da discriminação.

Podemos ser obrigados à distância física, mas não podemos evitar a proximidade social.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 3 setembro 2020)

 

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