Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Resiliência

Considera-se uma pessoa resiliente? É possível que não saiba responder a esta pergunta, porque primeiro teria de saber o que significa resiliência. Este é um conceito, relativamente novo, cada vez mais presente na linguagem comum, introduzido pela Psicologia para definir a capacidade de um ser humano de resistir ao choque, à adversidade. Mas então, porque não dizemos “resistência”?

A resiliência aprende-se com a própria adversidade, descobre-se na medida em que se vivem perdas, fracassos, deceções e desilusões. E são estas experiências que contribuem para criar “calo”. São como as bolhas que se ganham ao pegar no sacho pela primeira vez e que depois se tornam em calos. Ao fim de algum tempo deixam de doer, tornam-se resistentes ao esforço.

Na vida, como no trabalho, há muitas situações que nos fazem “bolhas” e que depois se tornam em “calos”. Se não estivermos disponíveis para aprender com a adversidade, com as dificuldades que nos derrotam, mas nos ensinam, nunca seremos resilientes.

Não é resiliente quem está convencido de ter todas as “armas” para “resistir” à adversidade e que esta dificilmente o atingirá. Engane-se quem assim pensa. Um dia, faz um exame médico e descobre um problema grave de saúde; a empresa que construiu uma vida inteira perde lucros de forma avultada; alguém que era o seu porto de abrigo, morre. É como perder “o chão”. Mas é possível renascer, recomeçar, quando se faz das fraquezas forças, se aprende com as perdas e se toma consciência do que é possível fazer, para evitar ou ultrapassar as dificuldades vividas. Isso é ser resiliente.

A resiliência é uma qualidade, de quem encara o futuro, aprendendo com o passado.

A palavra Resiliência surge na designação do próximo Plano plurianual de investimentos para Portugal, financiado com verbas europeias:  Plano de Recuperação e Resiliência. Se a palavra Recuperação é de fácil entendimento, é provável que o mesmo não aconteça com Resiliência.

Será que os governos e as entidades, que vão beneficiar desses financiamentos, estão dispostos a aprender com o passado e a diagnosticar o que vale a pena continuar a fazer e o que é preciso corrigir?  Por exemplo, se o dinheiro destinado aos Açores, for para abandonar o que está bem feito, porque foi decidido por outros, e começar do zero, como se não houvesse passado, de nada vão servir os milhões de investimento. É como andar na areia! Estaremos sempre, ou quase, no mesmo lugar.

Ser resiliente é ganhar tempo, não cometer os mesmos erros e potenciar as aprendizagens adquiridas com a experiência passada.

Não podemos desperdiçar oportunidades. O tempo voa e o ritmo da mudança está longe da nossa capacidade de compreensão, se não agarrarmos o essencial, os valores que promovem desenvolvimento, esquecendo protagonismos pessoais ou partidários, que levam sempre a escolhas interesseiras.

A resiliência é essa qualidade de que fala o provérbio: “o frade, não leva três em capelo”, que nos lembra a necessidade de aprender com a experiência e não cometer os mesmos erros, mais do que duas vezes.

E, duas vezes, pode ser muito! A vida nem sempre dá três oportunidades para repetir. Fracassar ou perder não é um problema; não o reconhecer e não ficar mais forte depois, isso sim, pode comprometer a aprendizagem da resiliência.

Será que agora acha que é uma pessoa resiliente?

(texto publicado no jornal Açoriano Oriengal de 13 setembro 21)

 

(Para)Olímpicos

Porque razão não são transmitidos os Jogos Paraolímpicos, em canal aberto, na televisão pública portuguesa?

Será porque não tem interesse? Não representam exemplos de superação física e emocional? Ou não será antes porque a deficiência ainda é discriminada nas relações e na sociedade, nas televisões e na programação “comercial”, mesmo nos canais públicos?

Quem queira acompanhar estes atletas, extraordinários, só o poderá fazer através da internet, na RTP-Play, ao contrário do que aconteceu com os jogos Olímpicos, com direito a emissões em direto, madrugada dentro, devido à diferença horária com o Japão, país onde acontecem os jogos de 2021.

Apesar de não terem nascido na Grécia, os Jogos Paraolímpicos representam uma importante demonstração de como o ser humano consegue, e pode, se superar, apesar das mais difíceis condições e limitações.

Esta organização desportiva nasceu em tempo de guerra (1948), da iniciativa de um médico neurologista (Ludwig Guttmann), que encontrou no desporto uma forma de estimular a recuperação dos feridos de guerra. Preocupado com essas pessoas, mutiladas, cegas, sem vontade de viver, Guttmann organizou anualmente os “Jogos de Stoke Mandeville”. Em 1960, este evento saiu da Inglaterra para se internacionalizar em Roma, onde se realizaram os primeiros jogos Paraolímpicos, “em paralelo” com os jogos Olímpicos desse ano.  Há quem os designe de Paralímpicos, termo de sentido diferente, já que funde as palavras Paraplegia e Olímpicos.

A história dos Jogos Paraolímpicos está recheada de obstáculos, impedimentos, incompreensões e falta de apoios. Bastaria recordar o exemplo dos Jogos do Rio de Janeiro quando, em vésperas da sua realização, a organização foi confrontada com falta de dinheiro, porque o comité dos jogos olímpicos havia desviado a verba que lhes estava destinada.

Estas e outras situações revelam a dificuldade que, ainda agora, é vivida por quem sente na pele a diferença, mesmo quando demonstra a sua capacidade de superação. O estereótipo do “coitadinho” que se cola ao corpo, esquecendo a pessoa, alimenta relações de discriminação, menorização e constrói uma sociedade desigual, injusta e verdadeiramente amputada.

Convido-vos a irem à Rtp-play e a assistirem a uma qualquer prova dos Jogos Paraolímpicos. Tenho a certeza de que irão se sentir “pequeninos”, perante a grandeza daqueles atletas. Um documentário sobre estes Jogos, disponível na plataforma Netflix, mostra-nos a história de vários atletas cuja deficiência resulta de alterações genéticas, sequelas de doenças, acidentes ou guerras. O corpo diferente, não lhes rouba a dignidade, por isso merecem respeito, acrescido de admiração, pela forma como não se entregam às suas limitações e são capazes de mostrar união e dar prova de que o mundo pode e deve ser inclusivo, ou se quisermos, imperfeito, porque essa é a condição humana.

A perfeição, a existir, será sempre subjetiva, relativa, porque mais não é do que o melhor resultado que podemos alcançar, quando temos de lidar com as nossas imperfeições, limites e condicionantes, que nos fazem ser humanos.  Não há vidas perfeitas. Todos temos limitações, algumas não visíveis, mas que estão lá, impedindo-nos de lutar contra o medo de arriscar, de sair do sofá e caminhar.

Quem se acha “perfeito”, é cego, porque incapaz de ver e aprender com quem é diferente!

E diferentes, somos todos nós!

texto publicado no Jornal Açoriano Oriental de 31 agosto 2021 (Nota: quando o texto foi escrito, apenas a cerimónia de abertura dos Jogos ParaOlímpicos tinha sido transmitida pela RTP. No entanto, a 31 de agosto, a RTP2 transmitiu algumas provas, nada que se compare com as transmissões que ocorreram nos Jogos Olímpicos).

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D