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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Guerra cobarde

As forças russas estão atacando cidades, das quais ainda não se aproximaram, mas que atingem com mísseis lançados a quilómetros de distância. São ataques cobardes, de quem se esconde por detrás de uma arma de precisão, sem olhar nos olhos das vítimas.

A humanidade é frágil. Pode ser apagada, desfeita num segundo, basta que todo o arsenal bélico nuclear, que está na posse de meia dúzia de países, seja acionado. Não há como se defender!

Mas, vale a pena perguntar, que sentido faz ter armas de guerra que autodestroem os próprios atacantes? Que futuro se espera quando tudo ficar por reconstruir?

A história europeia do século XX está marcada por guerras, mas também, pela tomada de consciência de valores, muitos deles enraizados no cristianismo, com mais de dois mil anos de existência. Não há humanidade fora dos laços de Amor e perdão. Não há sociedade que resista à ausência da Paz, nem é possível pensar o desenvolvimento e a felicidade dos povos, sem consensos, diálogo e negociação.

E a felicidade dos povos é um horizonte alcançável quando se vive em democracia, se descobre a riqueza da diversidade cultural, se dá espaço a cada pessoa, para se expressar, contribuir e participar.

Não há outra forma de ser feliz! A democracia e a liberdade têm de ser mais fortes do que o autoritarismo e a repressão.

Estamos, sem dúvida, num tempo de viragem. Os anos vinte, do séc. XXI, ficarão na História, por terem posto à prova a luta entre valores e armas, entre a força da humanidade e a do arsenal bélico.

O ser humano precisa dos outros para sobreviver, precisa de Amor para os entender e precisa de Paz para aprender e crescer. O preço a pagar pela guerra é muito alto. Estamos a destruir a essência da humanidade, isolando, fomentando o ódio e o terror, particularmente na geração mais nova.

Este é o tempo para dizer não ao ódio, para dizer “basta” ao poder cego, à desinformação que aliena. Há que fazer chegar à população russa a verdade que lhes é escondida, furar a bolha em que o regime do Kremlin encerrou o país, contornando o bloqueio às fontes de informação livre, por parte do poder instalado.

Todos esperamos que a pressão, nomeadamente a que o Ocidente democrático e livre tem exercido, isolando economicamente o país e dificultando a vida dos mais poderosos na Rússia, possa provocar uma fratura naquela sociedade, por onde emerja a força de um povo, consciente dos seus direitos, livre para afirmar o valor da dignidade da pessoa humana.

Nada do que é humanamente construído, é irrevogável ou indestrutível. A história está repleta de conflitos e revoluções, de reconstruções e alterações legais. A hora é de afirmar valores e condenar a guerra, sobretudo, esta guerra e todas as outras, que foram silenciadas na comunicação social, que matam e mataram milhares de pessoas indefesas.

O mundo tem de condenar o desrespeito da Rússia, pelos direitos humanos e, até, pelas leis da guerra.  Tal como aconteceu nos anos 40 do século XX, em Nuremberga, o séc. XXI terá de protagonizar um julgamento idêntico na defesa do valor da dignidade humana.

O futuro não se negoceia de arma apontada. E, não há felicidade, quando se rouba a liberdade. Julgam-se livres, mas batem as asas dentro de gaiolas de doutrinação.

Esta é uma guerra de cobardes, falsos salvadores, que ousam falar de paz, enquanto matam inocentes.

 

Artigo publicado no jornal Açoriano Oriental, de 11 abril 2022

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