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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Sintéticas e Autodestruição

Não sou especialista em saúde mental, mas faço parte desta sociedade que se confronta diariamente com notícias e acontecimentos que falam do consumo de drogas sintéticas.

Assaltos a viaturas para retirar tudo o que se possa vender; jovens que alucinam pendurados numa varanda ou que deambulam nas ruas pedindo um euro, supostamente para comer, mas cujo destino é garantir mais uma dose.

O tráfico de drogas sintéticas levou a uma primeira condenação, no Tribunal de Ponta Delgada, de dois traficantes ao abrigo da nova Lei da Droga (2021). Segundo relata uma notícia do A. Oriental (22.03), o acórdão do juiz refere que “nesta comarca dos Açores, o tráfico de estupefacientes assume valores preocupantes.” “E as exigências de prevenção geral são extremamente elevadas devido à frequência com que este tipo de crime é praticado.”

Perante um recente arrombamento de viaturas, a polícia não hesitou em dizer “são as sintéticas”. Mas, e o que fazemos? O que fazem as autoridades de saúde?

Concorde-se ou não com o projeto, há em São Miguel um centro preparado para o tratamento de problemas relacionados com a adição, que pode evitar a transferência para o continente, de situações de toxicodependência.

Faltam especialistas? É provável. Hoje o consumo de estupefacientes está longe da “erva”, designada por muitos como “droga leve”, até vendida como produto farmacológico, de porta aberta no mundo comercial.

O problema dos consumos de estupefacientes é muito mais grave, mais destrutivo e lesivo dos consumidores; muito mais rapidamente apaga o discernimento e destrói a identidade de jovens válidos. Ainda esta semana, cruzei-me com um jovem que me tratou pelo nome próprio. “Gosto de ler o que escreve”, disse-me. “Obrigada”, respondi! “E tu quem és? Sou o Pedro. Talvez se lembre de mim quando trabalhava. Hoje, a minha cabeça já não me ajuda, não consigo; não quero que a minha filha me veja neste estado. Infelizmente peço dinheiro porque não estou em condições de trabalhar”. A conversa acaba por ir dar à sua dependência. “Estás preso a consumos!? Faz sinal que sim com a cabeça e a seguir diz que gostava de ir para o continente porque aqui não há nenhum psiquiatra especialista em “sintéticas”.

Cada um destes jovens ou adultos tem uma família, pessoas que tudo fariam para os retirar das malhas da dependência. Confrontadas com o drama da adição de um familiar ou amigo, continuam a sentir um amor imenso por essa pessoa; mas, ao mesmo tempo, reconhecem a sua incapacidade terapêutica, no domínio da saúde mental, para a libertar dessa condição.  

Urge uma intervenção concreta e real, uma resposta especializada.

A Região Açores é uma comunidade pequena, que até possui um equipamento preparado para acolher situações extremas. Não podemos ficar indiferentes, vivendo um sentimento de “impotência”, perante vidas desmanteladas e traficantes que lucram com a destruição humana dos seus clientes. 

Quem também não pode ficar indiferente são as autoridades de saúde. Em colaboração com as associações que acolhem estes cidadãos e, sobretudo, com as famílias que procuram respostas, é urgente intervir, sob pena de, no silêncio das nossas vidas, estarmos a assistir à autodestruição de pessoas válidas que vivem ao nosso lado.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental)

 

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