Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Incerteza, dúvida e desesperança....

Três palavras, carregadas de pessimismo, que causam infelicidade.

Inverter o seu sentido exige uma luta diária, um esforço contínuo, qual Sísifo carregando a pedra, montanha acima.

Como fazer? Como ser feliz num contexto tão incerto?

O século XXI tem-nos colocado à prova. Quando julgávamos que as guerras eram coisa do passado, a energia uma conquista sem retorno e as doenças, um desafio que a ciência acabaria sempre por vencer, fomos confrontados com “novos imperialistas”, pandemias virais, dificuldades políticas que bloqueiam a autonomia energética e até a sobrevivência de alguns países ou falta de mão-de-obra em setores cruciais para o desenvolvimento económico.

Incertezas, dúvidas e desesperanças, não são sinais de insucesso, mas encruzilhadas que nos obrigam a repensar o caminho a percorrer. Sem deixar de olhar para o retrovisor da vida, os tempos que vivemos exigem escolhas diferentes, que respondam não só às dúvidas de hoje, mas permitam tocar a felicidade.

E o que constrói a felicidade das pessoas e das nações?

Segundo o Índice Mundial da Felicidade, para além de um elevado nível de rendimento, é fundamental garantir uma rede de suporte social, a expectativa de uma mais saúde, liberdade para fazer escolhas de vida, sentimentos de generosidade e uma administração não corrupta, que respeite regras, seja profissional e exigente no cumprimento dos princípios da justiça e do bem-fazer.

Segundo o índice da Felicidade das Nações Unidas, em 2022 os cinco países mais felizes são a Finlândia, Dinamarca, Islândia, Suíça e os Países Baixos. Apesar da melhoria registada desde 2013 (85ª) Portugal ocupa o 56º lugar numa tabela de 146 países.

Estamos longe da Felicidade, porque resistimos a melhorar o rendimento dos portugueses. Mesmo quando há falta de mão-de-obra, como tem acontecido ultimamente, os salários continuam baixos. Na proteção social, há sempre vozes críticas contra as medidas de combate à pobreza e, no domínio da Saúde, abundam erros de planeamento e falhas nas respostas às necessidades dos utentes.

Segundo o índice mundial, a Felicidade não depende apenas dos sistemas estruturantes da sociedade (economia, saúde, proteção social), mas passa pela qualidade das relações humanas. Por isso, urge valorizar a generosidade como valor de referência, aumentar a capacidade de bem-servir, elevar o nível de honestidade e a transparência no respeito por critérios e procedimentos. Infelizmente, quando julgávamos ter ultrapassado velhas práticas de favorecimento, ouvimos alguém dizer que só “quem tem padrinhos é que se batiza!”.

A infelicidade, que os portugueses parecem mostrar, está diretamente relacionada com a sua incapacidade de lidar com a incerteza, a dúvida e a desesperança.

Se queremos ser mais felizes, então temos de construir uma sociedade mais justa e menos corrupta. Não podemos achar que tudo se resolve com improvisos, descurando o “profissionalismo” no desempenho das nossas atividades, da mais simples à mais complexa. Temos de acabar com a velha prática do facilitismo e dos jeitos aos amigos! Precisamos de confiar em quem nos quer ajudar e imprimir mais generosidade às relações que estabelecemos com os outros.

Ser feliz não significa vencer a incerteza ou a dúvida, mas conseguir não sucumbir perante a inevitabilidade da sua existência....

 texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 16 de agosto 2022

 

Mercado da (des)Graça

Ficamos a saber, esta semana, que a obra (mais uma!) do Mercado da Graça, em Ponta Delgada, vai ficar parada até Dezembro do corrente ano, por falta de Plano de Segurança. Obra anunciada com pompa e circunstância em Novembro de 2020, tem se prolongado, com prejuízo evidente para quem ali trabalha, desde Outubro de 2021.

O mercado da Graça nasceu em 1848, na antiga cerca do Convento de Nossa Senhora da Graça, construído no séc. XVII. Nasceu com a sina da adaptação, primeiro foi convento e depois, tem vindo a sofrer inúmeras outras obras, na procura de uma funcionalidade, nunca perfeita.

Mas, como em todos os mercados municipais, o que o constrói não são as instalações, mas as relações que ali se estabelecem.

Mais do que o espaço físico, a vida que flui e acontece, as trocas comerciais entre vendedores e compradores, as conversas que se fazem, os encontros de amigos, as provas e as compras são, verdadeiramente, o mais importante.

O mercado é um lugar de relações, que se vão tornando habituais. Os clientes são tratados pelo nome, os vendedores aprendem a conhecer os gostos e os hábitos das famílias que, semanalmente, compram os seus produtos.

O Mercado da Graça, nascido da cedência de um convento, tornou-se num lugar central da cidade e, como em muitas outras cidades, um espaço de promoção dos produtos regionais, mesmo que hoje estejam ao lado de muitos outros, importados dos quatro cantos do mundo. Ali se sente o cheiro das “novidades”, se prova a melancia antes de comprar e se escolhe a fruta e as hortícolas. Ali se regateia o preço e se pede ao vendilhão que mostre a ventreja do peixe, para averiguar da sua frescura.

No lado das carnes, os clientes recebem o melhor atendimento, de quem os conhece e é capaz de antecipar os seus desejos: “oh menina, hoje não leva costeletas!?, olhe que a carne é tenra!”

Estas são imagens, sons, cheiros e sensações que os comerciantes continuam a manter, mesmo a trabalhar sem condições, num parque de estacionamento, sem luz solar, vendo as hortícolas murchar, se as deixam de véspera. Têm demonstrado verdadeira resiliência, esperando o fim de mais uma obra de “adaptação”.

A Câmara Municipal de Ponta Delgada, entidade que sanciona as obras no município e verifica os documentos necessários à sua execução, esqueceu de verificar se o seu próprio projeto estava acompanhado do respetivo “plano de segurança contra incêndios”. Quem é que fiscaliza o fiscalizador?

Foi necessário um alerta, vindo do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros, para darem conta da falha!

Não fora a vida que ali acontece, a resiliência dos comerciantes e a presença de clientes assíduos, as sucessivas “cirurgias de adaptação”, verdadeiros remendos não integrados, o Mercado da Graça já teria perdido a sua identidade, o que não impediu o cansaço e a desistência de alguns comerciantes e o afastamento de muitos clientes.

A Câmara Municipal adia por mais um ano a reabertura do Mercado. Pergunta-se, se fosse uma obra privada, qual seria a penalização? Como é uma obra camarária, pede-se mais celeridade e uma adequada compensação aos que ali trabalham. O preço que a cidade e a ilha estão a pagar é muito elevado, com impactos no turismo que publicita o Mercado como um dos “sítios a visitar”.

Valha-nos Nossa Senhora da Graça...

 

(artigo publicado no jornal Açoriano Oriental de 2 de Agosto 2022)

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D