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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Nobel da Paz 2023

Narges Mohammadi é a 19ª mulher a receber o Prémio Nobel da Paz, uma distinção iniciada em 1901 e que já distinguiu 111 pessoas e 30 organizações.

Em 122 anos, apenas em 17,1% dos casos este prémio foi atribuído a uma mulher e, em duas dessas situações, as laureadas encontravam-se detidas: Aung San Suu Kyi na Birmânia, em 1991, estava presa e só veio a receber o prémio, presencialmente, em 2012.  Neste ano de 2023, Narges Mohammadi encontra-se presa na cadeia de Evin, no Irão, condenada a uma pena de 31 anos e 154 chicotadas, impedida de receber a distinção da Academia sueca.

Há 20 anos atrás, em 2003, Shirin Ebadi, também ela iraniana, recebeu o mesmo galardão pela mesma causa: defesa dos direitos humanos, com especial ênfase para a situação das mulheres e das crianças no Irão, um país onde a religião está ao serviço do poder e justifica as decisões políticas.

Como refere o texto bíblico, “Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um cesto” (Mt,5,15). Também não será por tentarem calar a voz de Narges Mohammadi e o movimento do qual é vice-presidente, nascido com Shirin Ebadi, que o regime iraniano conseguirá abafar a voz de quem se manifesta a favor dos direitos das mulheres iranianas.

Movimentos de defesa dos direitos humanos, em particular aqueles que lutam pela igualdade entre homens e mulheres, não se param com o aprisionamento de quem denuncia os abusos de poder, participa em manifestações pacíficas ou toma a palavra para defender uma sociedade mais justa. Querer conter um movimento cívico é como por a mão à frente de um dique para conter a água que jorra entre as pedras. Pode levar mais ou menos tempo, mas a dignidade far-se-á ouvir e terá lugar de honra à mesa das decisões.

Como referiu Narges Mohammadi, a sua luta é a de muitas mães corajosas do Irão, que defendem o fim da discriminação, tirania e opressão com base no género, exercida pelo regime religioso do Irão. Nem que passe a vida inteira na prisão, Mohammadi não desistirá de lutar pela libertação das mulheres. (cit. Público, 9 out.23).

É difícil imaginar o que é viver num país sem liberdade, onde se limitam direitos, se calam diferenças e se condena a pena de prisão, quem participa numa manifestação pública.

A Paz não é uma bandeira branca que se levanta, enquanto se esconde o povo de boca amordaçada.  

A Paz não existe, quando se alimenta da ignorância e da repressão dos sinais de contestação e oposição. Nunca haverá Paz num país, que varre para dentro das prisões quem defende a justiça, a democracia ou a igualdade de género, e tenta calar, com violência, as vozes que se opõem ou denunciam.

A Paz só existe quando a dignidade humana é respeitada.

A Paz não é um pressuposto prévio, mas sim o resultado de uma equação, onde se multiplica a justiça e a democracia, se potencia a liberdade e o respeito pela diferença e a dignidade humana. Basta retirar uma ou mais dimensões desta equação, e nunca a Paz será resultado. 

A Paz exige que se reconheça e se acabe com as injustiças e se abandone a violência como linguagem de poder. Mohammadi “está há 18 meses impedida de falar diretamente com o marido e com os filhos, por ter denunciado os abusos sexuais praticados contra as mulheres detidas.” (cit. Jornal Público, 8 out.23).

Esta não é apenas uma voz que atravessa os muros da prisão e incomoda o governo do Irão. É uma mulher que faz a diferença.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 9 de outubro 2023)

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