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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

A importância de um jornal

Temos vindo a ser confrontados com a situação difícil do grupo económico (Global Media) que detém um conjunto de marcas na comunicação social, como é o caso deste jornal, o Açoriano Oriental, com quem colaboro há já vários anos.

E, é sobretudo por esse facto que gostaria de manifestar a minha solidariedade com os trabalhadores que fazem este jornal e, simultaneamente, a minha profunda tristeza pela forma como “o jornal mais antigo do país” é tratado como, apenas, mais um “produto” económico que pode ser descartado, se não houver financiamento e interesse de negócio.

Um jornal, este ou outro, é muito mais do que um espaço para divulgação do trabalho dos jornalistas. É um meio de aproximação das populações, que reforça as suas identidades. É uma voz escrita, que permite aos cidadãos manifestarem opiniões. A par dos colaboradores, não jornalistas, que ajudam a construir o jornal, há sempre um “diga leitor”, coluna aberta ao cidadão comum, onde a opinião publicada transforma-se em voz ativa.

Precisamos deste espaço, inclusive, precisamos do papel, desse contacto com as notícias escritas, organizadas em dossiers temáticos, em artigos e colunas de opinião. Mesmo quando os jornais são divulgados em suporte digital, é no formato original que surgem no computador ou no telemóvel e isso revela a importância da marca, do ADN, que faz da imprensa uma fonte necessária à partilha informativa.

Ter a oportunidade de colaborar com o Açoriano Oriental é, sem dúvida, um privilégio, uma oportunidade de fazer ouvir a minha voz e, que, por vezes, revela ser também a voz de outras pessoas que se reconhecem e identificam com determinados conteúdos.

Na medida em que um jornal acolhe colaboradores com sensibilidades diferentes, é uma mais valia para a democracia do país ou de uma região. Longe vão os tempos do lápis azul que riscava conteúdos e selecionava opiniões.

Hoje, é também pela e na imprensa escrita, que a liberdade se afirma, o pluralismo ganha corpo e por via desta diversidade de pensamentos, se fomenta o debate, a reflexão e até a intervenção cívica.

O jornal é um bem coletivo, onde se conjuga, numa mesma folha de papel, factos tão diversos, como a necrologia e os prémios, os eventos políticos e as festividades locais. Por isso, é possível fazer história, a partir dos jornais em arquivo.

A imprensa escrita depende de uma profissão com ética, o jornalismo, cujo trabalho exige pesquisa, investigação e contacto com informadores credíveis. Longe deste quadro de referência, muita da informação que circula, de forma acelerada, nas redes sociais, está longe de falar a verdade. Mas, ao contrário da imprensa, dificilmente um leitor do digital consegue se defender ou contradizer uma notícia falsa.

É fundamental que a comunidade açoriana, particularmente a micaelense, se chegue à frente para garantir a continuidade do jornal Açoriano Oriental. No Norte, parecem existir empresários que não querem ver os jornais que falam das suas gentes serem engolidos por um fundo de investimento, pouco interessado em órgãos de comunicação social. E nos Açores? Em São Miguel? Onde ficamos?

Vamos deixar que o Açoriano Oriental fique apenas na história como o jornal que foi impresso mais anos e, assim, se torne num objeto de museu?!

A comunidade local precisa de ter acesso à pluralidade de pensamento, a espaços de cidadania impressa, que permitam a opinião diversa e o debate de ideias.  

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 16 de janeiro 2024)

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