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Trotinetes

Em julho de 2024, a cidade de Ponta Delgada foi palco de uma nova modalidade de transporte, as trotinetes elétricas, que se alugam através de uma plataforma online. Segundo foi noticiado na altura, foram colocadas 300 trotinetes e 100 bicicletas, em vários pontos da cidade, para permitir o uso partilhado destes meios de transporte. De acordo com as declarações dos responsáveis políticos autárquicos, aquando da assinatura do protocolo com a empresa concessionária, a introdução desta forma de mobilidade visou contribuir, e cito “para a descarbonização da cidade e do concelho”

Passados seis meses, a cidade de Ponta Delgada está a dar sinal de algum desajuste, perante a presença destes veículos. Ao contrário de estacionarem nas “docas”, lugares escolhidos para a permanência das trotinetes, encontramos estes veículos em qualquer lugar, porventura por acabou ali o valor carregado pelo utilizador. Atiradas ao chão ou no meio de um passeio, as trotinetes estão a “poluir” o espaço, desrespeitando aqueles que, saudavelmente, optam por andar a pé.

Quem observe o uso das trotinetes vê, sobretudo, jovens, sem capacete, circulando a uma velocidade considerável, desrespeitando semáforos e sentidos proibidos, cruzando estradas e galgando passeios. Mesmo quando anoitece, estes condutores não se coíbem de manter um comportamento desregrado, sem usarem refletores na roupa, já que a iluminação destes veículos é muito fraca.

Ainda recentemente, quando conduzia na estrada de São Gonçalo, era já noite, atravessou-se na minha frente um “trotineiro”, vindo da faixa contrária a alta velocidade, ignorando o traço contínuo da estrada e fintando o trânsito.

Quando a Câmara Municipal lançou esta “novidade”, afirmou que iria decorrer um período experimental. Logo, espera-se que terminado esse período, façam uma avaliação dos prós e dos contras e, sobretudo, reconheçam que, sem regras, esta prática pode gerar muitos outros problemas: quedas dos utilizadores, não protegidos por capacete; acidentes com outros veículos, sobretudo automóveis e pesados; perturbação da circulação dos peões, em particular, de quem é cego ou tem uma baixa visão.

Ainda recentemente, ocorreu um acidente, com uma pessoa portadora de deficiência visual que tropeçou numa trotinete, abandonada num passeio, e fraturou um pulso.

Na sequência desse incidente, a Associação dos cegos e amblíopes (ACAPO) defendeu a necessidade de regulamentação para o uso das trotinetes, porque esta atividade está a pôr em risco a segurança dos peões, sobretudo, de quem sente mais receio em sair de casa, como são as pessoas com mobilidade reduzida ou portadoras de deficiência visual.

O uso da trotinete pode ser um ganho para a descarbonização, mas esse contributo não pode implicar outros problemas, tão ou mais graves, que afetam a saúde e a segurança de todos os cidadãos. Para integrar este tipo de mobilidade, é importante que a cidade possua mais ciclovias, obrigue o uso de capacete com refletor, que torne mais visível o vulto do condutor e evite problemas maiores, no caso de quedas; imponha aos utilizadores, o respeito pelo código da estrada, em particular, as regras de trânsito, o sentido das vias, os sinais de stop ou a marcação dos traços contínuos e passadeiras.

As trotinetes até podem contribuir para a descarbonização, mas não deverá ser a qualquer preço!

 (artigo publicado no jornal Açoriano Oriental de 7 fev.25)

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