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21
Jan09

O contrário da exclusão

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O contrário da exclusão não é, apenas, a inclusão!

Quando pensamos em inclusão, imaginamos um processo que favorece a aceitação e o acolhimento de quem vive à margem, proporciona emprego a quem não tem recursos próprios, abrigo a quem vive na rua ou numa casa degradada.

No entanto, o contrário da exclusão é mais do que inclusão, tantas vezes entendida e operacionalizada como padronização do comportamento e das vidas dos que são diferentes, sejam minorias sociais ou culturais que vivem em ambientes marginais.

O contrário da exclusão significa abertura, porque as situações ou contextos de exclusão social são, simultaneamente, condições de isolamento, fechamento em espaços residenciais, segregação de deficientes ou de meninos oriundos de meios sociais desfavorecidos.

Exclusão significa viver à margem dos direitos de cidadania, numa relação dependente e sujeita, condicionado pela falta de ambição da família e da comunidade envolvente, sem vontade própria para lutar por um projecto de vida pessoal diferente.

Os meios excluídos aprisionam os indivíduos e as famílias em comunidades sem horizontes, que não se estimulam entre si e reproduzem modelos e hábitos de vida. Alterar esse quadro de referência implica, obrigatoriamente, abrir essa comunidade ou alargar o horizonte desse indivíduo, criando incentivos e estimulando aspirações. Essa abertura fomenta o contacto entre pessoas ou comunidades; envolve os actores sociais numa competitividade saudável, entre famílias, entre jovens; apoia os melhores, premeia o mérito e desenvolve estratégias, ao nível da educação, da formação profissional, da prática desportiva e da criação de riqueza, a partir das competências evidenciadas, das características identitárias que definem cada indivíduo ou comunidade.

A inclusão social não pode ser sinónimo de segregação. Não basta arrumar as pessoas em bairros ou em casas. É fundamental abrir esses bairros por via das actividades, dos transportes públicos, dos espaços que favorecem práticas culturais, religiosas ou desportivas. Sem essa abertura, as comunidades ou as pessoas mais desfavorecidas acabam por se refugiar no assistencialismo. Apropriam-se das ajudas não para se libertarem da condição social em que vivem, mas antes para permanecerem condicionadas a um modo de vida fechado sobre si mesmo.

As políticas de inclusão social, nomeadamente a habitacional, não podem anular a diversidade cultural, nem contribuir para esvaziar as freguesias rurais, construindo periferias urbanas descaracterizadas, onde se engavetam casais ou famílias em apartamentos de uma ou duas assoalhadas.

As políticas de inclusão social não podem fechar os deficientes em mundos de silêncio, nem arrumar em instituições os problemas que não queremos enfrentar, sejam os idosos acamados ou as crianças abandonadas; as vítimas de violência ou os jovens delinquentes.

A inclusão não pode conduzir ao fechamento ou isolamento, mas tem de significar libertação das dependências e reforço da autonomia, da capacidade de ser, cooperar e participar de forma activa.

A exclusão não se combate apenas com a inclusão, se incluir significar isolar num bairro, numa turma ou numa instituição quem, supostamente, se ajuda num processo de integração.

(publicado no Açoriano Oriental de 19 Janeiro 2009)

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