Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Crise global

Crise, do grego krísis, significa, de acordo com José Pedro Machado no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, "acto ou faculdade de distinguir; acto de escolher, escolha, eleição; acto de separar, dissentimento, contestação; acto de decidir; decisão, julgamento (de uma questão, de uma dúvida); julgamento de luta, de concurso; o que resolve qualquer coisa, solução, decisão, resultado (de guerra); fase decisiva de doença”.

De acordo com os sinónimos referidos, a crise é sempre uma experiência de dúvida, não isenta de sofrimento, que se revela necessária quando se está perante uma escolha, a necessidade de proferir um juízo ou enfrentar uma dificuldade.

As crises correspondem, no percurso de vida das pessoas ou das sociedades, a momentos de transição que obrigam e exigem uma reflexão profunda sobre o caminho até então percorrido e uma avaliação do estilo de vida e das opções estruturantes que marcam e constroem esse percurso.

As crises não são um fenómeno recente, sempre ocorreram em todos os tempos, porque são necessárias em processos de crescimento e de mudança dando corpo aos ciclos, nomeadamente os económicos. A este nível, outras crises, profundas e dramáticas como a actual, ocorreram nos últimos dois séculos, com especial ênfase para as consequências da crise de 1929, a Grande Depressão. Talvez o que diferencia esta crise económica das outras é o facto de ser globalizada, vivida à escala mundial.

Se, por um lado, a globalização aproxima os povos e os governos e, em certa medida, contribui para congregar os responsáveis e os cidadãos em torno de causas comuns e mundiais, como é o caso da defesa do ambiente, por outro, quando ocorre a falência de referências económicas e financeiras das grandes potências, com investimentos em várias partes do mundo, os mesmos canais, que serviram para ligar, difundem os impactos negativos.

De alguma forma a crise é uma prova de fogo que atesta da solidez e da resistência dos indivíduos, das empresas ou dos governos, perante alterações do contexto.

Afinal, como diz o povo, é na hora da aflição que se consegue avaliar quem são os nossos verdadeiros amigos. E, de algum modo, também é nos momentos de crise que se atesta quem realmente construiu a casa com bons alicerces e materiais duradoiros.

Confrontados hoje com as alterações exigidas para enfrentar as dificuldades do momento presente, vem-nos à memória a velha história infantil dos três porquinhos. O primeiro, não quis perder tempo com a construção da casa e resolveu o seu problema falsificando a estrutura; o segundo investiu no lazer e no divertimento e descurou as estruturas básicas e a garantia de sobrevivência. Somente o terceiro, mais velho, ponderado e reflectido, investiu tempo e esforço na construção de um edifício que resistisse às intempestivas do “lobo”. No final, moral da história, os mais novos abrigaram-se na casa do irmão mais velho.

Infelizmente, há quem ainda não acredite numa cultura de prevenção, preferindo alimentar as aparências e, como diz o povo, dando passos maiores do que as pernas.

Em momentos de crise, importa rever escolhas e por ventura corrigir percursos, e aproveitar este tempo de incertezas para perspectivar um futuro melhor.

(publicado no Açoriano Oriental de 2 de Fevereiro 2009).

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D