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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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23
Jun09

Como está? Mais ou menos.

sentirailha

Quando tudo parece mau, há um lado bom que nem sempre vemos, uma perspectiva que esquecemos, um motivo de esperança que recusamos considerar ou negamos existir e uma tendência recorrente ao comodismo passivo.

Quando o quadro é negro, há quem se recuse valorizar o ponto branco de luz que rompe por entre as trevas e, de cabeça perdida, afirma não haver saída.
Quando a roda da vida parece desandar e os problemas acontecem em catadupa, há quem feche os olhos, encoste a um canto e fique à espera que a tempestade passe.
É urgente cultivar o optimismo e alimentar a esperança.
O optimismo não é uma virtude dos fracos, mas dos que fazem das fraquezas forças, e a esperança não beneficia apenas os idealistas, que sonham com o impossível, mas anima todos os que acreditam na vida e não desistem de lutar.
Vivemos tempos difíceis, onde não faltam razões para baixar os braços e entregar os pontos. Não faltam casos de jovens que investem na sua formação e qualificação sem conseguirem emprego quando terminam os cursos. É recorrente a má gestão de conflitos que minam as relações familiares. São cada vez mais frequentes as falências de empresas que não apostaram na inovação.
Apostar na qualidade e na excelência; aceitar oportunidades, por ventura que antes não eram prioridade; aumentar a auto-estima apostando em pequenas alterações à rotina diária e transformar a energia negativa da angústia em procura activa de respostas, podem não ser receitas para a felicidade, mas são certamente sinais de que se está vivo e de que não se foi vencido pela dificuldade.
Quando a escuridão parece invadir o nosso pequeno mundo, é preciso fixar os olhos na claridade que sinaliza o fim do túnel ou no halo de luz que ilumina cada passada no caminho. Quando tudo parece desmoronar-se em redor, viver um dia de cada vez é uma forma de ter esperança e concretizar uma meta alcançável.
Gastamos tantas energias a ver o que corre menos bem, a criticar os erros que os outros cometem e a denegrir as decisões que não nos agradam, que perdemos tempo, um bem precioso que não se repete e que desperdiçamos como se fossemos ricos desse recurso escasso.
O verbo viver não se conjuga com pessimismo, isso seria apenas existir. Alimentando o lado sombra da vida, os pessimistas enredam-se nas linhas da dificuldade e encurtam o tempo que lhes está reservado; desistindo de viver, existem; e existindo morrem mais depressa, porque enfraquecem as estruturas, físicas e emocionais, que garantem o suporte do corpo e da alma.
O futuro é dos optimistas, dos lutadores que se animam só de ver o nascer do sol e se lançam com entusiasmo na realização de cada tarefa diária, quer isso signifique fazer a barba, limpar um canteiro de flores, escrever um discurso ou projectar um edifício.
O futuro é dos que acreditam na vida e respondem à saudação dos outros não com aquele habitual e tristonho “mais ou menos” mas com um sorriso contagiante, dizendo “Tudo bem! Vivo um dia de cada vez!”.
(publicado no Açoriano Oriental de 22 de Junho 2009)

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