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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Entre o silêncio e o grito, o diálogo

 

Quando se analisam os comportamentos de homens e mulheres perante a violência, emerge um duplo padrão educativo. Aos rapazes ainda é incentivada uma atitude reactiva, do género “quem vai à guerra dá e leva” e às raparigas, uma atitude mais contida, “isso não fica bem a uma menina”.
Entre o grito ou o levantar da voz como forma de afirmação de poder e o silêncio que cala como estratégia de resolução de conflitos, o diálogo é sem dúvida o modo mais correcto e adequado de conciliar diferenças e contradições. Infelizmente, essa nem sempre é regra.
O diálogo implica ouvir o outro, argumentar, ceder e, sobretudo, dar lugar à expressão livre de todos, apesar de diferentes, favorecendo o convívio num mesmo espaço, casa de família, local de trabalho, escola ou em qualquer outro contexto. Dialogar é dar e receber, é trocar, sem que isso signifique vencer o outro ou ficar por cima.
As referências que muitos jovens recebem da educação familiar estão longe de se aproximar desta forma educada, democrática e cívica de estar em comunidade.
Perante o contraditório, elevam a voz, falam grosso para se impor e procuram pela força, dos argumentos ou dos gestos, abafar os menos destemidos. Recorrem à agressividade dos termos para provocar os outros, que vêem sempre como adversários e não como interlocutores.
Na inversa, falar baixo e sobretudo calar, é ainda tido como uma forma de fazer a paz, de não levantar ondas perante as injustiças, escondendo sentimentos e pensamentos.
Quando se olham os modos preferenciais como homens e mulheres reagem à agressividade dos outros, emerge este modelo desigual de relacionamento, onde a força física, o grito e o levantar da voz, ainda são tidos como atributos de afirmação masculina, que dominam o espaço da casa e calam as vozes femininas, habituadas a silenciar, a carregar a dor e a calar as agressões. “Afinal ele é o pai dos meus filhos”, justifica para muitas mulheres a humilhação e o desrespeito de que são vítimas.
A violência nunca faz sentido e não há desculpa para que se tolerem, diariamente, actos agressivos, humilhações, controlo excessivo e obsessivo por parte do ou da companheiro/a, ciúme doentio, imposições ao nível da vida sexual e muitos outros, que constroem um malha relacional onde as vítimas se habituaram a tecer o seu quotidiano, triturando a auto-estima e perdendo aos poucos o sentido da vida, “para quê lutar! É o destino, a pouca sorte”.
Mulheres que dedicam as suas vidas à família, secundarizando o emprego, uma carreira profissional, as distracções ou os lazeres, mas que são sistematicamente martirizadas e humilhadas no lar, onde supostamente, todos deveriam encontrar um refúgio.
Entre o grito e o silêncio, a única forma adequada de prevenir a violência é o diálogo, uma forma de comunicar que se educa, fomentando o encontro entre pessoas diferentes, que decidiram cooperar, partilhar uma casa, uma família, um projecto.
Entre o grito e o silêncio, é na partilha de género, igualdade na diferença, unidade feita de respeito mútuo, que se combate a violência doméstica, declarada ou ainda silenciada.
(publicado em versão reduzida no Açoriano Oriental de 6 de Julho 2009)

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