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29
Jul09

Ser mordomo do Espírito Santo

sentirailha

 

 
 
 
 
 
Os antropólogos há muito que identificaram uma forma ritualizada de afirmação social, designada por potlatch, termo que significa Dar. Ao invés do prestígio social que se obtém pela acumulação de riqueza, no potlatch é a dádiva e o despojamento que conferem esse prestígio.
Nas Festas do Espírito Santo encontramos na figura do Mordomo ou do Imperador, alguém que, ao organizar a festa, assume as despesas, garante a distribuição das “pensões” pelos irmãos e proporciona um tempo de fartura e exaltação do culto.
No fim da festa, feitas as arrematações das oferendas, os irmãos sorteiam, entre os que a isso se dispõem, quem será o mordomo no ano seguinte e distribuem as sete “Domingas” que precedem a festa por outras tantas casas.
Este ritual confere ao tecido social de uma comunidade de vizinhança uma estrutura dinâmica, que não depende de cargos públicos ou de competências previamente determinadas, mas do espírito de entrega e despojamento de quem aceita ser mordomo e, por esse facto, acolhe na sua casa os símbolos maiores da festa, a bandeira e a coroa.
Em cada ano esse poder simbólico, porque transitório, muda de mãos e ganha um novo centro, uma nova morada, onde se levanta o altar, se enfeita um quarto e se recebe os vizinhos, em momentos de oração e de partilha.
As festas do Espírito Santo são a expressão mais genuína de um tecido social comunitário, que ainda hoje marca o mundo rural açoriano e se manifesta em algumas pequenas comunidades urbanas, uma rua, um bairro, onde a rede de relações próximas se transforma em irmandade.
A partilha da carne, do pão, da massa e do vinho, que foram antes abençoados na casa do mordomo e constituem as “pensões”, faz-se no espaço da família ou na via pública, onde todos têm lugar à mesa. Ninguém se atreve a desperdiçar esta dádiva, que é para muitos sagrada.
O povo açoriano tem pelo Senhor Espírito Santo um profundo e sentido respeito. E, apesar de reconhecer o prestígio que é devido ao mordomo, não aceita que alguém organize a Festa, que não seja para servir os irmãos, porque tal como no Potlatch, o importante é mostrar capacidade para dar.
(publicado no Açoriano Oriental de 20 de Julho 2009)
 

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